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Florence + The Machine – MEO Arena, Lisboa [18Abr2016]

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© Everything is New

Foi diante uma MEO Arena, maioritariamente, em tronco nu e em clima festivo que Florence Welch e a sua máquina instrumental composta por 11 elementos (extremamente competentes, diga-se) se despediram, pela segunda vez em menos de um ano, do público português que ali havia passado consigo a cerca de uma hora e quarenta minutos de espetáculo.

Florence não se cansou de animar, de falar e de cortejar o público português que rondou, na sua maioria, a faixa etária dos 20-29 anos (estando o género feminino em claro destaque), porém a resposta ao mimo tardou, chegando, somente, aquando da interpretação dos singles fortes da cantora. Até lá, e fora as filas da frente, observámos um público inerte, com uma atitude passiva (quase de “picanço de ponto”), ocorrendo o insólito de os fãs da bancada aplaudirem mais efusivamente a artista do que os da plateia, talvez por culpa da péssima equalização/qualidade sonora do show e sala em si. A harpa quase não se ouviu ao longo do concerto e o baixo e ”crash” da bateria sobrepuseram-se a todos os outros instrumentos em palco, causando uma miscelânea sónica imprópria para qualquer sujeito apreciador de música. Não obstante os problemas técnicos, a londrina deu tudo de si para fornecer uma excelente experiência a todos presentes no pavilhão do Parque das Nações.

Pouco passava das nove da noite quando, às escuras, os Machine sobem ao palco e se posicionam nos seus respetivos lugares. Florence, surge a correr vinda do lado direito, descalça como sempre, de cabelo ruivo arranjado e trajada com um vestido verde e negro, transparente, e pronto inicia as hostes no que toca à interpretação do seu novo disco How Big, How Blue, How Beautiful (que dá o nome à tourné) com “Ship To Wreck”, antecedida por “What Water Gave Me” de Ceremonials, disco que a catapultou para o estrelato. Florence Welch é dos casos mais originais que a Pop viu nascer nos últimos anos, crescendo a pique desde 2010, ano em que a vimos tocar no palco secundário do agora NOS Alive, até ao ano corrente, em que é figura proa de um concerto na maior sala coberta em Portugal, mantendo-se fiel a si mesma e sem cair nas “mundanices” da Pop atual. O seu último disco não é exceção e mostra a artista a atravessar a fase mais madura da sua carreira. É mais Pop é certo, mas isso não é automaticamente mau e isso foi provado neste concerto, estando os temas do seu novo disco em pé de igualdade com os dos seus antecessores.

A sua energia e simpatia nunca se desvaneceram ao longo do espectáculo e em “Rabbit Heart (Raise It Up)” desce mesmo ao fosso para estar junto dos seus fãs. É-lhe dada uma coroa de flores, a qual envergou orgulhosamente durante toda a canção, entregando-a, no final da mesma, a uma criança que se encontrava às cavalitas de um familiar, fazendo-a sorrir timidamente e, possivelmente, bem feliz. Ambas sorriram e o momento em que Florence retira a coroa da sua cabeça para entregar à menina foi dos momentos mais ternurentos de todo o concerto. É de se louvar a entrega da britânica ao seu público, regressando ao fosso mais um par de vezes, correndo de um lado ao outro do palco frequentemente, sorrindo e acenando, contando as histórias das canções durante as pausas do concerto. Tudo o que se pedia, Florence cumpriu.

O público responde aos elogios com um mar de balões em forma de coração durante “Cosmic Love”, ao que a cantora agradece e afirma que o dela já pertence aos portugueses. É após a interpretação dos dois últimos temas do alinhamento regular (“You Got The Love” e “Dog Days Are Over”) que olhamos em redor e vemos todos os presentes de pé (bancadas e plateia), aplaudindo freneticamente, abraçados e com uma peça de roupa nas mãos (tirada a pedido da cantora). Era isto que esperávamos encontrar durante o concerto inteiro e não só nos seus dois maiores singles. O público pareceu não saber ao que vinha, o que não incomodou Florence de maneira nenhuma, sendo fortemente apupada à saída do palco, pelos seus fãs que exigiam mais. O repto foi cumprido e o grande conjunto voltou para a interpretação de “What Kind Of Man” e “Drumming Song”, escolhida para encerrar o espetáculo, em que Florence, abraçada aos seus colegas, se despede de bandeira portuguesa às costas, agradecendo ao seu público por todo o carinho.

Terminado o concerto (este que foi o sexto em sete dias e o último da tourné), olhamos para as horas e ainda não são onze da noite. Saímos calmamente do recinto não escondendo a frustração de ver um concerto subaproveitado devido à acústica da sala. A dúvida que permanece até hoje é: será que tudo isto seria diferente se conseguíssemos ouvir os instrumentos com a nitidez desejada? Não há forma de saber. O certo é que Florence, com bom ou mau som, fez o melhor que pôde, tornando um concerto que seria execrável em algo prazeroso. E isto sim é saber dar espetáculo.

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Por Diogo Alexandre / 3 Maio, 2016

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