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Gnod – Café Au Lait, Porto [15Abr2016] Texto + Fotos

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Os Gnod são um autêntico camaleão que encarnou banda; um colectivo de artistas que pela constante mutação e que movido à ideia se faz esquivar a géneros e estilos de disco para disco. Das fundações do krautrock que pauta InGnodWeTrust, ao saxofone que se faz ejacular por meio Infinity Machines e ainda à loucura rítmica que enche e de que maneira um recentíssimo Mirror, a música dos britânicos muda tão facilmente de cor como que mudam as vontades de quem a faz, replicando-se no interior da identidade única que é Gnod. Foi precisamente no contexto da digressão que sucede Mirror que, no passado sábado e pela mão da Lovers & Lollypops, cruzámos passagens pelo Café Au Lait, no Porto

É verdade que o palco é curto, mas os Gnod lá conseguiram encolhê-lo mais um bocadinho com as duas baterias que lhe puseram em cima – tivemos os actos de abertura a tocar com um pé fora da cama ou com um pé ou dois frente ao palco, literalmente. O aparato que a coisa pedia a nível espacial sendo directamente proporcional à importância que ganhava no que é o som presente  da banda; as duas baterias e a dinâmica entre ambas foi sempre ponto central do que ecoava naqueles metros quadrados de sala. Mirror é na sua natureza o disco mais rude e primordial que a carreira dos Gnod viu nascer. Há riffs a serem cuspidos ao rufar da tarola e ao cair dos pratos, guturais a ser expelidos pelo espaço que lhes dá o baixo e toda uma parafernália de conjugações que encurta as entrelinhas dos sentidos. Num set composto por material que na sua grande maioria ainda nem viu a luz da internet, ficaremos, sempre e ainda assim, perdidos na curiosidade pela face que assumirá o conjunto numa data para lá do horizonte presente.

Na abertura e em primeiro lugar esteve Negra Branca – projecto a solo de Marlene Ribeiro que enquadra ainda o alinhamento dos próprios dos próprios Gnod –, num set (des)ligado a baixo e voz e que nos passou ao largo que nem penálti de Sergio Ramos. Depois ainda foi vez de Pedro Augusto, que  sob a bandeira de Live Low  fez juntar a sua electrónica modular ao que são as cordas duma guitarra e baixo num punhado de ideias que, apesar de bem longe de desinteressantes ,não vimos resultar no que foi o contexto daquela noite.

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Por Rui P. Andrade / 3 Maio, 2016

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