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Gojira - Hard Club, Porto [7Jul2016] Texto + Fotos

12 de Julho, 2016 ReportagensJoão "Mislow" Almeida

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Hard Club

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Gojira é uma das bandas que, ao longo destes últimos 9/10 anos, se tem mostrado como uma das mais importantes apostas do metal europeu. Com um género que tem conquistado cada vez mais adeptos e com uma personalidade e “maneira-de-ser” de louvar nos dias de hoje, estes só nos dão motivos para gostarmos deles. Constituída pelos irmãos Duplantier, Christian e Jean-Michel e já a fazer aproximadamente dezasseis anos de união, celebram mais um ano com o lançamento do sexto registo de originais, Magma! Depois de três lançamentos que conseguiram alcançar indiscutível louvor por parte dos fãs e dos críticos, a pressão aumenta para que nos consigam dar só mais um álbum de imensa qualidade e entrega.

A verdadeira apreciação de Magma! poderá variar de acordo com a interpretação e leitura dessas mesmas mudanças. Quanto mais tolerantes formos ao que nos é apresentado, melhor nos poderá soar. Uma viragem que acolhe consistência de ritmo e fluidez nas guitarras, sem distribuir uma complexidade demasiado excêntrica, à qual estamos todos muito habituados de ouvir no grupo, podemos notar logo a partir da primeira faixa uma série de alterações na execução da música e na postura com que os franceses assumem ao encaminhar o último projeto.

O ponto alto indiscutível da banda foi sem dúvida nenhuma The Way of All Flesh. Marcado por uma seriedade distinta daquela com que assumiram ao produzir From Mars to Sirius. Este último, que marca uma subida de escalão nas ligas de editoras, permite à banda um novo ponto de vista que lhes abraça um potencial som de modelo, algo que lhes permitiu destacar com imensa facilidade das restantes bandas em crescimento no resto da Europa. Um som que é propagado através de uma presença colossal de guitarras, atirando ao ouvinte, faixa após faixa, uma experiência digna de se lembrar. Neste caso, é um álbum que marca transição e mudança de planos, um repentino investimento na composição, mostrando já vestígios da tal característica excêntrica na bateria e nas cordas, algo que conquistou logo à primeira uma população de adeptos.

Se o From Mars to Sirius deixou marca, com inúmeros momentos memoráveis, dualidades entre atmosfera e peso, melodia e desgaste físico, então o The Way of All Flesh deixa de ser uma demonstração e torna-se no absoluto nu. Um monstro de sete cabeças que faz da sua presença algo a temer. 12 faixas, cada uma delas consideradas por muitos como autênticas malhas e odes ao Prog. Metal. Transmutação sistemática de ritmos, a derivar mediante a direção da voz e das cordas. Uma subtração total de todas as regras impostas por grandes bandas de Metal moderno, a transpor novos terrenos de som e peso e a notar um hábito muito debruçado sobre progressões extensivas e transições elípticas a fintar paralelismos nas guitarras. Uma grandiosa obra prima de peso, digna de ser emoldurada e colocada ao lado de grandes pilares no estilo como Symbolic dos Death, Train of Thought dos Dream Theater, Deliverance dos Opeth e Time Does Not Heal dos Dark Angel.

L’efant Sauvage abraça as mesmas facetas, porém com expressões novas e ambições com desafios renovados. Querem simplificar um bocado e focar os momentos interessantes do álbum antecessor, ao invés de desenvolver as tais progressões. Com essa ideia em mente, a banda desenvolve estruturas mais eficientes, com durações praticamente iguais, sem retirar comprimento ao tempo total, mas dando mais liberdade às músicas como elementos individuais. E como se o álbum antecessor não tivesse conquistado já muita atenção, este conseguiu garanti-la em definitivo.

6 anos depois, anunciam e lançam Magma! Um registo que, segundo a banda, desafia todas as regras que esta tem criado ao longo dos lançamentos. Sem dúvida um álbum mais soft, com passagens brutalmente pesadas, mas com mais cautela do que frieza. Ângulos abertos para trajetos melódicos e com uma perceção mais focada no detalhe do que no universal. Recheado de momentos interessantíssimos preenchidos de contrastes entre sonoridades arquitetónicas cuja grandiosidade expande por todas fendas do som, e paisagens sonoras que ganham um balanço tremendo com uma faceta, sem pensar duas vezes, algo invulgar. Faceta esta que faz o álbum soar completamente diferente dos registos anteriores, comprimindo fachadas de sonoridades nebulosas e obscuras, a contar com passagens mais lentas e divagantes, a contrastar entre o caos e feio com o melodioso e concordante, algo que era muito subentendido nos outros álbuns, mas que neste conteúdo está bastante explicito. Se toda a gente gosta ou não, vai depender do tempo de atenção que este álbum tiver. Pela direção que a banda tem assumido ao longo dos anos, acreditamos que este é um investimento bem fundamentado, algo previsível até tomando em conta que o objetivo dos franceses sempre foi aquele de caminhar em frente e progredir. Objetivo alcançado!

Dia 7 de Julho de 2016, contava já no calendário da Prime Artists uma data dedicada a Gojira. Equaleft a abrir para o concerto exclusivo em Portugal, no Porto. Grande expectativa e entrega por parte dos fãs portugueses a esta oportunidade única de ver os franceses. De salientar que a três, quatro dias do evento, este ficou completamente esgotado.

O Hard Club, por excelência arquitetónica e acústica, mostrou-se à altura daquilo que veio a ser uma noite de momentos memoráveis e grandiosos. Equaleft, heróis locais, conseguiram guiar a sala toda por um frenesim de caos e impacto, sempre a preservar uma atitude de louvar seja em que lado for. Uma humildade acolhedora que beijou o convite e a oportunidade de poderem tocar para estes colossos, com um som que engloba influências de Meshuggah, Soulfly e Lamb Of God. Com uma sala cheia, podemos dizer que o crédito foi devido e justiça foi feita aos heróis da cidade.

Grande expectativa ao longo do dia por parte de toda a gente que viajou, que comprou o bilhete mal o concerto foi anunciado e que trocou uma noite de bola por uma noite destas. Gojira, imponentes, a dar aos ouvintes uma razão atrás de outra atrás de outra para se lembrarem desta noite até à próxima vez que voltarem, abriram o concerto com a “Toxic Garbage Island”, evidentemente uma favorita do público, a dar a este a possibilidade de matar saudades de um dos melhores trabalhos da banda. Já a intoxicar olhos com o jogo de luzes, o Hard Club só continua a dar razões pelas quais continua a ser o sítio ideal para este tipo de concertos.

“L’enfant Sauvage” a seguir e logo após esta, empurram a “The Heaviest Matter in the Universe” que conquista uma reação contagiosa do público. Para além de investirem numa setlist que enfatiza os três pilares da banda, os franceses ainda dão a possibilidade de exibirem as novas escritas em palco e relembrar os dois primeiros trabalhos, e comparando o conteúdo em estúdio, o material novo ganhou um relevo ao vivo digno de ser destacado, com dinâmica bastante presente nas cores da iluminação e na acústica da sala, adquirindo a mesma textura e altitude das malhas dos álbuns mais sonantes do grupo.

“Stranded”, que conta no novo álbum foi inquestionavelmente um dos pontos altos da noite, a par da “Flying Whales” e “Wisdom Comes” que podem ser consideradas oldies do grupo. Registos estes que deram ao público tanta razão para fechar os olhos e acompanhar o som, como para abanar a cabeça ao ritmo dos riffs gigantescos. Entre flashbacks e atualizações, entre a “Oroborus” que desencadeou uma reação explosiva algo compreensível, mesmo antes da “Vacuity” que quase dava um ponto final à noite, podemos classificar como inquestionável a atuação da banda até aqui. Com inúmeros agradecimentos por parte da banda e elogios desta à fantástica cidade do Porto, os Gojira agradecem uma ultima vez ao público e dão inicio à “Explosia” que conquistou, desde o primeiro segundo, o coração de muitos presentes na sala. É raro verem-se atuações deste calibre em Portugal, e para as ver não só de uma banda da excelência magistral que é Gojira, mas também dos Equaleft, é algo que ajuda a colocar as bandas locais e as respetivas cidade no mapa. No fim, fica a memória e a saudade daquilo que foi uma noite para lembrar e relembrar. Foi um privilégio da nossa parte e sempre o será.

 

I focus on the present, concentrate on what I find
Accelerate the vision high beyond the curse of time
Bring light to my attention, the walls of vacuum fall
This force increases and tells me where to go

– Vacuity, Gojira

 



por
em Reportagens
fotografia Bruno Pereira

Gojira - Hard Club, Porto [7Jul2016] Texto + Fotos
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