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Gojira @ Sala Tejo – Lisboa [13Jul2015] Texto + Fotos

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Na passada terça-feira a Sala Tejo da Meo Arena encheu-se para ver o regresso dos Gojira ao nosso país. Depois da estreia absoluta no Vagos Open Air 2014, os franceses regressaram agora, outra vez pela mão da Prime Artists, para darem aquele que foi o seu primeiro concerto em nome próprio em Portugal.

Pouco antes das 21h a fila para entrar já era bem longa, vemos muitas camisolas de Vagos e dos próprios Gojira com a tour, lá está, do ano passado, o que significa que muitos dos presentes hoje, tal como nós, quiseram repetir a experiência.

A abrir apresentaram-se os The Raven Age, uma banda de Metal melódico, mais conhecida por integrar o filho de Steve Harris (baixista dos Iron Maiden), que entreteu os presentes durante cerca de meia-hora.

Os ingleses bem se esforçaram em agarrar o público, que era mais numeroso no balcão da cerveja do que propriamente dentro do recinto, mas só as primeiras filas reagiam aos pedidos de palmas por parte do vocalista Michael Burrough. Quanto à sua música, é Metal rarefeito, daquele típico em Drop-C não muito memorável. Instrumentais de rápido consumo acompanhados por um Michael Burrough por vezes desafinado, ao vivo. Os The Raven Age apresentaram as malhas do seu primeiro EP, nesta que é a sua segunda incursão no nosso país, tendo estado presentes na concentração de motas em Faro, no ano passado.

Essencialmente, cumpriram bem o seu trabalho que era o de aquecer o público para o concerto que se seguia. No final da atuação tiraram uma foto com o público português e seguiram o seu caminho, sem impressionarem muitas pessoas.

Chega então o grande momento: os Gojira sobem ao palco desta Sala Tejo e começam imediatamente com “Ocean Planet”, malha cheia de groove e breaks, tal como a maioria das músicas dos franceses.

Foi em “The Heaviest Matter Of The Universe”, também de From Mars To Sirius, que se iniciaram os primeiros mosh pits que começaram bastante tímidos e culminaram numa wall of death, ou “muro da morte” como Joe referiu, em “Wisdom Comes”. O público mostrou-se à altura do desafio: muito air drumming, muito headbang e muitos growls a acompanharem, praticamente, todas as músicas. Joe Duplantier, confessa que adora Portugal e explica que o baterista Mario Duplantier, o seu irmão, tem origens portuguesas, antes de iniciarem “Love”, extraída de Terra Incognita (o seu primeiro longa-duração), que resultou bastante bem ao vivo com os strobes do fim a elevarem o espectáculo a um novo patamar visual.

Como já era esperado, “Flying Wales” (sem insufláveis, desta vez) foi a música mais “festejada” pelo público, assim que se ouviu o canto das baleias uma ovação gigante encheu a sala. A introdução foi cantada em plenos pulmões e assim que a parte melódica termina para se iniciar a distorção massiva olhamos em nosso redor e vemos as cerca de 1000 pessoas da sala em headbang numa simbiose perfeita com Christian Andreu, que agitava os seus longos cabelos à boa maneira antiga, e Jean-Michel Labadie, guitarrista e baixista da banda, respetivamente, este último sem tanto cabelo quanto o primeiro, porém, não descartou o headbang e fê-lo de modo exemplar. Jean-Michel desliza o baixo bruscamente, em modo decrescente, nos contra-tempos das músicas e nas partes mais groovy, causando um impacto ainda maior no lado de cá do palco. É de louvar todo este movimento em palco por parte do quarteto, não nos lembramos de ver uma banda a preencher tão bem o espaço vazio como estes Gojira o fazem.

“Oroborus” e “Vacuity” terminam o alinhamento regular. Para o encore ficaram reservadas as surpresas: “World To Come” e “The Guift Of Guilt”, músicas que raramente são tocadas, fizeram as delícias dos fãs, não antes de um “Boa tarde! Boa noite!” arrancado a ferros por Mario Duplantier. Na despedida, Joe agradeceu a todos os portugueses por terem vindo com um “muito obrigado”, dizendo que o público tinha sido “muito fucking amazing”. Após a fotografia da praxe a banda rumou aos camarins e nós apanhámos o metro de volta a casa, cansados e deslumbrados depois de vermos, arriscamos, uma das melhores bandas de Metal da atualidade, tanto em estúdio como ao vivo. Melhor só com a chuvinha de Vagos mas isso já seria pedir muito.

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Por Diogo Alexandre / 16 Julho, 2015

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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