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Greenleaf c/ Astrodome + Big Red Panda @ Cave 45 – Porto [16Jan2016] Texto + Fotos

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A noite foi de Psych, Stoner e Hard Blues no passado sábado, dia 16 de janeiro, na Cave 45, com o cartaz a figurar três grandes bandas, Big Red Panda, Astrodome e Greenleaf. Provou-se pela sala totalmente esgotada que estes géneros reúnem cada vez mais ouvintes em Portugal, mesmo fora dos grandes festivais.

Começando pelo início, os Big Red Panda, agora com novo membro, Gonçalo Palmas nas teclas, e com EP novo, lançado em novembro do ano passado, ocuparam o palco para dar aquilo que sempre prometeram: jams sem fim num projeto que parece juntar as influências de cada um dos membros da banda. E a verdade é que este fator transparece totalmente para o público. Os temas seguem o seu percurso pelos caminhos do rock, do stoner e do, menos assumido, psicadelismo, sem nunca se conformarem apenas com um género. São uma banda no mínimo eclética, onde se nota uma procura por novas sonoridades e uma grande experimentalidade melódica.

Seguiram-se os cada vez mais maduros Astrodome. O projeto portuense de Heavy Psych que, tal como Big Red Panda, já passaram pelo “nosso” Cosmic Mess, sempre prezou pelo psicadelismo assumido, selvagem, mas de rumo bem definido às galáxias mais distantes e com o concerto de sábado estamos seguros que a nave continua de depósito cheio (de distorção, fuzz, magia, o que lhe queiram chamar). Intensos e polidos, o novo disco ganha ainda mais dimensão ao vivo e funciona como uma enorme malha psicadélica, um oscilar de pausas provocantes e explosões sónicas, muito ao jeito dos enormes Causa Sui. Fazem na perfeição a ponte entre a delicadeza dos solos psicadélicos e a pesada lentidão instrumental a afagar a fronteira do Stoner Doom. O clímax chegou com “Coronation” e manteve-se até ao grito final com “Into The Deepest Space”. É bom assistir a concertos onde banda e público os sentem com a mesma intensidade. Os Astrodome são uma banda que pede a intimidade dos palcos pequenos mas preparada para arrebatar os grandes.

O nome mais aguardado da noite sobe finalmente ao palco. A banda de rock sueca, liderada por Tommi Holappa, já passou pelo olhar da Wav no mais recente Sonic Blast Moledo e no Desertfest Belgium 2015, onde nos havia captado a atenção, principalmente pelo talento e energia sempre presente do próprio guitarrista Tommi Holappa, e pela potente e límpida voz de Arvid Jonsson. Estávamos ansiosos por repetir a dose, desta vez num ambiente muito mais intimista. Tivemos a oportunidade de falar com ambos antes do início dos concertos (numa entrevista a publicar em breve) para compreendermos melhor qual era esta nova identidade da banda, em que a chegada do novo vocalista marca o final dos Greenleaf como side project dos seus membros para se afirmar como prioridade. Da mesma forma, o álbum Trails & Passes, de 2014, eleva o caráter experimental do grupo no que toca a desafiar as barreiras entre o Hard Rock, Stoner e Blues.

De alguma forma mágica, os quatro membros da banda equilibram-se num ecletismo mútuo, pesado, ritmado, acelerado, marcado pelos movimentos hipnotizantes de Tommi e pela presença incrivelmente forte de Jonsson, que é aquilo que se pode referir como um verdadeiro animal de palco (com uma caixa vocal abençoada por todos e mais algum Deus musical). O público ficou de imediato conquistado com o arranque a todo o gás do concerto com quatro poderosas malhas retiradas de Trails & Passes, seguidas de “A Million Fireflies”, primeiro single do disco vindouro. Apesar de novo disco a lançar nas próximas semanas, o concerto focou-se mais em Trails & Passes que, depois deste furacão sonoro inicial, só voltaria a ser repescado mais para o final do concerto.

Daí em diante a banda tocou mais dois temas novos e revisitou álbuns mais antigos. O público não escondeu o entusiasmo, cantando, dançando e exigindo encore depois da apoteose total em “With Eyes Wide Open”, no regresso a Trails & Passes. Com uma Cave 45 a fervilhar e a rebentar pelas costuras, a banda não fez a desfeita ao público e voltou para tocar “Equators”, e acabar o espetáculo com chave de ouro com um potentíssimo Blues numa versão de “Going Down”, tema original de Freddie King.

Depois de mais uma confirmação da qualidade dos Greenleaf, tanto em estúdio como ao vivo, resta-nos esperar pelo lançamento de Rise Above The Meadow, no próximo dia 26 de fevereiro, para escutarmos que mais surpresas esta banda tem para nos oferecer.

Texto por Mariana Vasconcelos e Bruno Pereira
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Por Mariana Vasconcelos / 18 Janeiro, 2016

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