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Harsh Toke + JOY – Cave 45, Porto [14Abr2017] Texto + Fotos

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Na passada sexta-feira, dia 14 de abril, o calor californiano fez-se sentir dentro da Cave 45, num evento organizado pela Garboyl Lives, promotora que costuma trazer toda a panóplia de psych stoner durante o ano e o Sonic Blast Moledo, em agosto. Existe algo de mágico num espaço onde muitos se podem sentir em casa e onde o palco tem 30cm de altura, o que proporciona uma aproximação e um grande convívio com as bandas e uma magia maior do que numa venue de superior capacidade. Foi noite de revisitar Harsh Toke, depois de um já algo longínquo janeiro de 2015, no já encerrado Kommix, e experienciar JOY na sua totalidade (e pela primeira vez em solo nacional), uma vez que o pesado e caótico timetable do Desertfest belga não permitiu passar mais que dez minutos com estes rapazes de San Diego.

Mal chegamos, deparamo-nos na amena cavaqueira instalada entre estes senhores da Califórnia. Reconhece-se o estado alcoolicamente alegre de Figgy e após uma conversa curta e promessa dum “hang out afterwards”, é hora de arrancar o concerto inicial. Os JOY enchem rapidamente a Cave de alegria, fazendo, muito sinceramente, jus ao seu nome. Duma ponta à outra do concerto o sentimento feel-good preencheu os corações dos que assistiam e dançavam fervorosamente. Este power-trio que faz, segundo as suas palavras, um spaced out freedom rock, entrou em modo de ataque e trouxe um caleidoscópio de riffs e nuances texturadas dentro do seu som psicadélico. A destreza do baixista Justin Hulson marca, na nossa visão, a sonoridade deste concerto, um autodidata na matéria com uma técnica própria e um pulso sempre no ar. Talvez a equalização da voz de Zachary Oakley estivesse mais baixa, comparando com os álbuns de estúdio, mas para quem não é grande fã de vozes, esta não se colocou numa posição de overpower perante o instrumental, o que até acabou por ser melhor. Um concerto repleto de grandiosidade e brilhantismo.

 

 

Seguiram-se os Harsh Toke, que deram graciosamente quase duas horas de uma atuação que, em vez de concerto, se poderia facilmente designar de aula de aeróbica stoneriana. Harsh Toke é, certamente, uma das bandas que melhor leva o Rock n’ Roll em termos de lifestyle, ‘party hard and deliver harder riffs’. Se o estado de pré-concerto era o de uma difusão alcoólica, bem que fizeram uma ascensão a um plano superior como seres alados. Praticamente irreconhecível minutos antes, pode-se afirmar que Figgy fez magia com aquele wah-wah: abusou mas houve perícia para abusar. Todo aquele riffage monstruoso foi clean e brilhante, num espaço onde o problema da refração do som é, por vezes, problemático. É mais que óbvio que esta banda respira do bom ar de Joshua Tree e que, sorte a nossa de podermos experienciar um pouco desse ar no Porto. De notar também o baixo providenciado por Richie Belton que sustenta todas as brincadeiras das guitarras de Figgy e Messer, o back bone da banda, de certo.

No final desta noite, que será facilmente uma das mais emblemáticas deste ano, no que toca a estas sonoridades, encontrávamos uma Cave 45 exausta e, provavelmente, com a audição comprometida. Sem dúvida uma noite para se ficar de coração cheio e, alguns, com mais uns discos na coleção, para fazer companhia nessa estrada da vida.

 

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Por Alexandra Martins / 19 Abril, 2017

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