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Howe Gelb @ Musicbox - Lisboa [10Fev2015]

16 de Fevereiro, 2016 ReportagensDiogo Alexandre

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Musicbox

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IMG_3888 Howe Gelb © Alípio Padilha / Musicbox

O Musicbox prossegue com os festejos do seu 10º Aniversário e, desta feita, o convidado especial foi o mítico vocalista dos Giant Sands, Howe Gelb, com abertura assegurada pela bonita Sallim.

Pelas 22h20 e com grande parte do público sentado em cadeiras situadas desde a mesa de som até ao palco, Sallim aparece sozinha, apenas acompanhada pela sua guitarra, perante uma plateia ainda com as músicas de Leonard Cohen (que eram emitidas pelo sistema de som da sala) na cabeça, e depressa inicia a sua atuação. Com dois EPs editados e um LP a sair no primeiro semestre deste ano, a cantora aproveitou então para interpretar algumas canções novas mescladas com outras presentes nos dois discos já lançados. Sallim é dotada de uma voz bela e harmoniosa capaz de acalmar os corpos e as cabeças mais apoquentadas. É fechar os olhos e deixarmo-nos levar pelos acordes simples e sinceros, e pela sua voz “revestida” pelo delay do microfone. Foram nove músicas que deixaram saudade, provada pelos fortes aplausos recebidos após “Para O Outro Lado”, a última música do alinhamento. A artista não era a escolha mais óbvia para abrir um nome como Howe Gelb, mas cumpriu com as expectativas, chegando talvez mesmo a superá-las. Aguardemos pelo disco.

Pouco depois, com um casaco de cabedal e chapéu de camionista (onde líamos Hood City em letras garrafais) envergados, Howe Gelb sobe ao palco para se sentar, logo a seguir, ao piano. Após elogiar a playlist que era transmitida na sala (Leonard Cohen, como já referido e, possivelmente, uma das suas maiores referências), Howe entrega-se ao seu piano para interpretar “A Thousands Kisses Deep” do próprio Leonard Cohen e explicar a sua aventura no continente europeu, dizendo que veio à Europa para tocar uns standards e acabar a escrita do seu próximo disco que estará pronto no final da tour. Sendo Portugal a sua primeira data, pouco pudemos reter daquilo a que soará o álbum se não umas letras de poucas palavras e uns instrumentais inacabados que o músico fazia questão de interpretar, como que a testá-los, sem hesitar em pará-los a meio. “Ainda nenhuma música tem letra mas vão ser sobre amor e/ou a falta dele”, disse, atirando-se, de seguida, a mais umas canções inacabadas a que chamou “Refusing To Be Losing” e “The Book You've Read Before”, que nos fizeram lembrar um Tom Waits do início.

Após brincar com o público de forma descontraída, falando do casaco imitado da Hugo Boss que comprou em Lisboa e do quão bom seria se os empregados de mesa conseguissem ler as mentes dos clientes antes destes entrarem no restaurante, de modo a que quando estes lá cheguem o prato que tencionavam pedir já estar servido, e após perguntar aos seus fãs se preferiam a primeira ou a segunda predefinição do piano (foi a primeira a escolhida em unanimidade), Howe lança-se a uma interpretação de “Shiver”, em modo standard, original dos seus Giant Sands e que apelidou de “future standard” devido ao facto de o músico errar frequentemente o modo como deve tocar e os acordes que deve utilizar. Segue-se “Clear”, mais uma das novas, com uma letra que só tem uma palavra: a do título. Verdade seja dita, aquilo a que assistimos está mais perto de ser um ensaio do que um concerto propriamente dito, Howe acolheu o Musicbox como se fosse a sua sala de ensaios e tratou o público por “tu” como se fossem seus amigos de longa data.

“Não tenho o hábito de fazer setlists para os concertos, mas hoje, como é o início da tour, decidi fazer uma só que me esqueci dela no hotel”. “Na vida não há setlits” remata, depois de mais uma longa e calma conversa com o público, na qual perguntou também que microfone preferiam que utilizasse, antes de se atirar, a pedido do público, a “Bottom Line Man”, clássico de Chore Of Echantment, do mesmo disco que a anterior dos Giant Sands, e “Chunk Of Coal”, de Blue Mountain, lançado em 2010, fechando assim a fase pianista de Howe Gelb. Posto isto, o música pega na guitarra que confessou não ser sua e lança-se ao blues “Paradise Here Abouts”, fazendo vibrar toda a plateia do Musicbox que por esta altura já se encontrava bem composta, com uma boa moldura humana em redor dos assentos ali colocados.

Howe Gelb bem queria terminar tudo com “Windblown Waltz”, porém o público não o deixou, insistindo num encore que lá acabou por acontecer e que o músico apelidou de “Desenrascar part of the set”, sentando-se novamente ao piano, pegando no seu telemóvel para ver a letra e lançando-se a uma versão irreconhecível de “All Along The Watchtower”, de Bob Dylan, terminando tudo com, desta feita, um standard verdadeiro : “Moon River” de Henry Mancini e Johnny Mercer, popularizado por Audrey Hepburn no filme Breakfast At Tiffany's, de 1961. Howe levanta-se de súbito e agradece em silêncio, acena e sai de palco, deixando a caixa da guitarra com algumas cópias de Dustbowl que o público foi tirando e pagando com o que podia, deixando o seu dinheiro na caixa da guitarra como se se tratasse de um qualquer concerto de rua. Mas não era.

Regressamos a casa naquela quarta-feira chuvosa, pensando no quão irreal e acolhedora tinha sido aquela experiência. Ainda com “Cry Me A River”, de Julie London, na cabeça percebemos o trabalho, aparentemente, não-trabalhado de Howe Gelb. Sem grandes produções, conseguiu fazer o que muitos não conseguem: abster todos os que se encontravam na sala lisboeta das noções de espaço e tempo, fazendo-os viver na sua própria realidade. Transformou com uma facilidade incrível o Musicbox num saloon fumarento dos anos 50 sem sequer nos apercebermos disso. E quem faz algo assim, só pode ser bom artista.
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