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Implore - Popular Alvalade, Lisboa [11Fev2020] Texto + Fotos

19 de Fevereiro, 2020 ReportagensJoão "Mislow" Almeida

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Big Thief - Hard Club, Porto [18Fev2020] Texto + Fotos

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Um dos concertos mais aguardados deste arranque de 2020 foi o muito cobiçado retorno a Portugal dos austríacos Implore. Tendo relembrado durante o seu catalisador concerto de que já passaram cinco anos desde a sua estreia em Lisboa (no infame Burning Light Fest, no RCA Club), é fácil perceber as enormes saudades que deixaram desde então. Mas antes disso, há que contextualizar todos os fatores para realmente valorizar aquilo que aconteceu no Popular Alvalade no passado dia 11 de fevereiro. Terça-feira, dia de trabalho, hora de ponta, e uma grande metrópole de Lisboa a afundar naquilo que é o declínio da civilização moderna. A aconchegar a escapatória ideal para o destilar da existência, assentava-se uma resoluta demolição no canto mais afogado do bar de Alvalade.

Os primeiros a subir ao palco foram os lisboetas Bas Rotten. Inconfundivelmente consumidos por uma névoa de caos, inquietação e destruição, este quinteto não mecaniza o puro e simples powerviolence com que todos já estão familiarizados. O duro e cru grind é tão forte e presente como o embriagado discurso de protesto, e como seria de justiça, já se veem os primeiros empurrões e gritos vindos de um público ainda em composição. Desde blast beats a breakdowns assoladores, sente-se o chão tremer com a porrada de low-end a provir do pedal duplo e do baixo. As guitarras por sua vez rasgam como osso a martelar o asfalto, e a notável presença em palco da cara familiar de Jay (Revengeance) é inquestionavelmente um dos muitos pontos fortes da banda.

De seguida chegaram os Manferior, de Leiria. Até aqui, já o público havia encontrado mais desconforto (no bom sentido, claro) diante do palco. Havia ainda muito espaço mas também aparecem cada vez mais empurrões, stage dives, mosh e tudo mais. O quarteto de Leiria é francamente uma das grandes apostas na geração atual de bandas grind/crust/core em Portugal. Tal como os Bas Rotten, estes já conhecem as entranhas do underground europeu e em Portugal já começam a dispensar apresentações. Bastam os primeiros momentos da primeira música do quarteto a estalar para se denotar um público completamente rendido ao caos. Empurrões, crowdsurf e o frontman Márcio a destilar a descarga fora do palco, para que este esteja olhos nos olhos com a cara da ruína. Em termos sonoros, é difícil atar o grupo a um só género. Brindam-se transições e passagens pelo crust, d-beat, grind, powerviolence até ao sludge, doom e noise. Com motins de blast beats e padrões de três acordes, é difícil não lembrar nomes como Siege, Left for Dead e até mesmo Infest, mas são as combinações com o sludge de Noothgrush, Grief e Corrupted que afundam o público num paredão de som enervante e anatómico. Não houve falta de resposta por parte deste, mas se sobrou alguém à procura de castigo, Manferior serão sem dúvida a cara da sua réplica mais fiel.

Implore, por fim. Tudo o que aconteceu após o seu arranque não foi nada mais nada menos do que loucura na sua plenitude. A experiência está à vista de todos, e apesar destes já estarem mais do que habituados aos palcos medianos, vê-se perfeitamente que este é o habitat natural da banda. O público que até então já se mostrava bem acordado, aproveitou a oportunidade para se virar ainda mais do avesso com o som dos austríacos. O seu mais recente disco Alienated Despair serviu de ode ao extermínio no caos bem presente no Popular Alvalade. Circle pits, mosh, stage dives; vale tudo! Ouvem-se gritos de guerra, assobios, e um público que puxa incessantemente por si próprio para que o caos reine acima de tudo. Gabbo, o vocalista da banda, aplaude a sala cheia e dedica uma aos patrões: “This one is for your boss. Fuck your boss!”. Ora, quando se denota que a entrega da banda é invariavelmente respondida pela entrega do público, então a noite está mais do que feita. A antifascista “Never Again” abraçou e ditou o término total deste memorável concerto.

Ainda há quem se esqueça do poder que o D.I.Y. tem nos dias de hoje. É sem dúvida nenhuma uma das grandes ferramentas que o underground teve, tem e continuará a ter. Não basta ser autónomo e corresponder com um senso de comunidade, mas há que encontrar aquilo que é exatamente necessário na cena musical: admiração pelo que se faz. Quanto a isso, aplauda-se a Corrosion Bookings por uma noite que aplaudiu e assobiou por mais e mais e mais.

Bas Rotten, Manferior e Implore
por
em Reportagens
fotografia Solange Bonifácio

Implore - Popular Alvalade, Lisboa [11Fev2020] Texto + Fotos
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