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Indie Music Fest 2015 [3-5Set] Texto + Fotos

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Num período onde os concertos e festivais ocupam um grande espaço nas nossas agendas, é em Baltar que fomos encontrar um festival dedicado a toda a nova vaga artística nacional, com principal ênfase na música, como não poderia deixar de ser. Num vasto leque de músicos nacionais encontramos também espaço para bancas artesanais, exposições de fotografia, artes plásticas, poesia e percebemos que no novo sangue nacional corre talento.

Ao chegarmos ao Bosque do Choupal somos logo seduzidos pela beleza do espaço, que talvez por não ser muito grande, gera uma agradável sensação de intimidade. A organização ainda concluía algumas montagens no espaço e, enquanto nos instalávamos no campismo, já pessoas metiam conversa connosco e nos faziam sentir incluídos numa família. Essa é a grande vantagem de festivais pequenos, como é o caso do Indie, onde, por campismo e palcos serem todos no mesmo local, as pessoas cruzam-se constantemente e portanto rapidamente toda a gente se conhece.

Os concertos começam logo com uma agradável surpresa. Os Moonshiners em cima do palco Cisma espalham um blues genuíno por entre o arvoredo. Pela hora, foram poucos os que tiveram a sorte de desfrutar de boa música associada a uma cativante banda, que como pérola tem uma baterista que muito mais do que música é uma performer que irradia pinta. A luz acaba por falhar, e algum do público deserta, mas quando a energia volta é nos oferecido um instrumental fabuloso que logo nos transporta para uma alucinante perseguição à boa moda dos Blues Brothers. A abrir com algo positivamente inesperado, o resto do dia previa-se promissor, mas depois do concerto seguinte, os níveis voltariam a ser standarizados.

A Davide Lobão coube-lhe a tarefa de abrir o Palco 3.0. Apesar do histórico e técnica do ex-Bisonte, o concerto não aqueceu os ânimos dos festivaleiros. Se os Bisonte foram um marco na nova vaga de música nacional, agora a solo, fica demasiado preso a uma escola de Manel Cruz, à qual não se consegue desmarcar. O concerto foi competente e decorreu sem falhas, mas sem energia e com pouco fator cativação, fazendo com que as tentativas de Davide em gerar empatia com o público fossem algo constrangedor de se ver. Demoraria até o ambiente aquecer por Baltar.

De dentro dos Capitão Fausto, para o Bosque do Choupal, os Bispo entraram logo com “Cancun”, mas, e apesar de um recinto cheio, não causou mossa no público. Eletrónica bem feita, mas era algo para um concerto a uma hora mais tardia e não para um início de noite. Durante aproximadamente quarenta minutos todos estivemos dentro de um infinito nível subterrâneo de Super Mario, que felizmente acaba com a princesa salva numa batida de 8bits muito mais acelerada. Dança-se e a vontade para começar a mexer começa a tomar conta do público.

Quem viria a lucrar com a situação seriam os Eat Bear. Garage Rock com pitada aqui, pitada ali de psicadélico, sobem ao palco e comportam-se como estrelas. Apesar de projeto promissor, não têm razões para o fazer. Os elementos da banda ainda não encontraram equilíbrio entre eles, fazendo com que maior parte das vezes tenhamos a sensação de não estarmos a assistir a um concerto, mas mais a uma battle de destaque de músicos. A música sofre e acusa essa falta de uníssimo, no entanto a atitude convenceu quem os via, e portanto quando anunciam “July” e pedem um mosh, este acontece.

A temperatura em Baltar finalmente sobe, aquecida pela irreverência da juventude que tanto delira em cima do palco, como no recinto. Obviamente que o mosh viria a tornar-se moda, e portanto quando os Cave Story começaram a tocar não tiveram de esperar para o ver a acontecer. A vontade de mudar o mundo seja para o que for com o seu rock era tanta, que acabam por desconectar os instrumentos ao sistema de som. Retribuindo a energia, o público aproveita-se do arvoredo envolvente para trepar para galhos, atirar-se ao crowdsurf e a aparente loucura instaura-se. Aparente loucura, porque de seguida fomos encontrar o peso pesado Plus Ultra. O Power Trio parte tudo desde o início do concerto. O mosh instaura-se, desta vez totalmente justificado e como única forma de poder estar naquele concerto.

Os níveis de delírio iam-se nivelando pelos de insanidade em cima do palco, e acreditem, estiveram sempre no máximo. Gon atira-se para cima do público, parte baquetas, atira cerveja, despe-se e insinua-se com a mesma rapidez e força da sua música. Mas não se deixem enganar pela atitude, porque em cima do palco fazia-se música sem falhar um acorde que fosse, a mostrar o porquê de os Plus Ultra serem considerados uma super banda. Num concerto onde a lógica não tinha lugar, houve tempo para as mulheres abraçarem a sua sensualidade, logo depois do tempo de antena para a mensagem política (ou anti), com Gon a gritar a certos senhores que fossem chamar “migrantes à p*ta que vos pariu”. Foi um delicioso caos, que fez com que todo o resto do primeiro dia do Indie Music Fest (e talvez e todo o festival) parecesse uma ida à Toys’R’Us.

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Por João Rocha / 15 Setembro, 2015

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