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Jameson Urban Routes 2015 – Dia 1 [22Out] Texto + Fotos

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Antes de mais, devo dizer que é já como uma tradição, para este que vos escreve, dirigir-se ao Musicbox de modo a assistir à primeiríssima noite do festival Jameson Urban Routes, à qual tenho o enorme prazer de presenciar desde 2010. Por lá vi as mais variadas promessas portuguesas da altura e nunca cheguei a casa desconsolado ou triste. Ok, talvez quando num concerto de Youthless, em 2012, me roubaram um gorro após subir ao palco para cantar um cover dos Black Sabbath, mas no geral correu sempre tudo muito bem e na companhia das melhores bandas da época. Facto é, também, que a cada ano que passa, este dia, que se caracteriza por conter apenas bandas portuguesas e ser de entrada gratuita, conta cada vez mais com mais e mais público, sendo que se aquando das minhas primeiras visitas a casa se encontrava a meio gás, na passada quinta-feira chegou mesmo a encher, impossibilitando a entrada de mais fãs e/ou curiosos. É, seguramente, notável este crescimento por parte de um festival que conta sempre com um cartaz coerente e chamativo mas nunca virado para o mainstream, trazendo inúmeras vezes bandas que, posteriormente, explodiriam e alcançariam lugares cimeiros nos diversos cartazes de festivais tanto nacionais como internacionais.

As bandas escolhidas para a abertura da atual edição do festival foram bandas de altíssima qualidade. Qualidade essa, logo observável durante a primeira actuação: os Cave Story entraram a matar e proporcionaram, possivelmente, o melhor concerto deste primeiro dia. O trio das Caldas da Rainha soube utilizar bastante bem as malhas do seu recém-editado E.P. Spider Tracks num concerto curto mas conciso. Houve improvisos pelo meio, poucas conversas e uma guitarra a vaguear pelo público, muito à Thurston Moore. Pelo meio das bass lines potentes surge um mosh pit que só viria a cessar com o final da atuação aquando de “Fantasy Football”. O público rendera-se à energia destes Cave Story cada vez melhores ao vivo.

Todavia, as restantes duas bandas ofereceram concertos igualmente bons, não existindo, propriamente, um desnível entre as três. Foi, sem dúvida, um fantástico dia de concertos. Os Galgo foram os seguintes a subir ao palco e foram eles os responsáveis também pela primeira enchente do festival. A circulação era quase impossível e só pelo meio da dança e dos saltos é que conseguimos respirar num Musicbox a rebentar pelas costuras. A banda vinda Oeiras não esconde as suas influências: saltam à vista de imediato uns Foals (de Antidotes) e uns Battles, aliados a toda a vaga math rock pós-2005. Fórmula aplicada de modo simples e sobrexplorada que resultou bem no ambiente em questão e também em EP5, o seu primeiro registo áudio, que lançaram e “apresentaram” neste mesmo dia.  “Trauma de Lagartixa” e “Torre de Babel” já conquistaram alguns fãs, sendo acompanhadas vocalmente pelo público, com direito a crowdsurf, inclusive. Destaque para os teclados hipnotizantes de João Figueiras em algumas das músicas tocadas. A banda despede-se agradecendo a presença de todos com o vocalista Alexandre Sousa a entregar o seu chapéu a um fã nas primeiras filas.

Chegava o prato principal do dia, o duo noise rock entra em cena de rompante e sem sabermos se estavam em soundcheck ou a tocar, lançam-se a “Branca” seguida imediatamente por “Braço de Ferro”. O mote estava dado, o espectáculo começara e com ele tudo o que isso acarreta. Muita movimentação, muita euforia e muito barulho à mistura.

Sem grandes conversas, as irmãs Maria e Júlia Reis lançam-se à interpretação de grande parte de Alfarroba, lançado em julho do ano corrente, deixando temas muito aguardados como “Akon” ou “Paredes de Coura” de fora do alinhamento e nem os pedidos do público por músicas mais antigas as fez mudar de ideias. Nada que comprometesse a sua atuação, sempre tão particular e rebelde.  Após “Voltas Para Trás”, mais uma do novo, terminam a actuação de forma apoteótica, deixando os presentes fixados instintivamente naquilo que se passava em palco. Foram intensos 45 minutos. Elas bem anunciaram: partiram, de facto, a loiça toda.

A restante noite continuou ao som de Pilooski e Magazino.

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Por Diogo Alexandre / 28 Outubro, 2015

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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