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Jameson Urban Routes 2015 – Dia 3 [24Out] Texto + Fotos

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Para acabar a semana em grande temos Inga Copeland, com a mesa de mistura ao nível do público: aqui não há palco, vêem-se os truques todos e ainda bem. Inga proporciona um set completamente destruído e dissonante, nada que se comparasse com os seus trabalhos de estúdio, portanto. Quem se deslocou ao Musicbox, a priori, com essa intenção, de certo saiu defraudado. Nós não, mantivémos os olhos fixos nos dois pratos e nas mãos da artista enquanto trocava os discos de viníl. O sampling era feito ali, a música era feita ali, tudo era feito ali. Após um início bastante experimental e desconcertante, Alina Astrova lança-se ao melhor que a IDM tem e acaba o set do modo mais dançável possível, sempre com os contra-tempo típicos do género e com a experimentação em cima da mesa, literalmente, assinando assim o concerto mais hipnótico da primeira semana do festival. A Russa sai de cena com os discos debaixo do braço, voltando em seguida para socializar com os seus fãs, sempre de forma algo tímida. Mais uma vez o dia começa da melhor forma.

Confessamos não ter entendido o porquê de Inga Copeland ter atuado tão cedo se tanto a sua música como a logística do seu espetáculo se enquadravam melhor depois da atuação que se seguiria.

Sendo assim, e após manobras impossíveis realizadas pelos técnicos do Musicbox para desmontarem e removeram a mesa de mistura do meio da multidão, os PAUS eram a banda que se seguia.

Depois de arrastarem o tapete para mais próximo do público, os quatro músicos sobem ao palco e logo debitam “Língua Franca” mesmo defronte dos nossos olhos. Nunca vimos os PAUS tão de perto como aqui. O Musicbox, a abarrotar mais uma vez, recebeu-os de braços abertos apesar da sua aparente apatia, nem a oferta de uma bebida branca, por parte de Hélio Morais, a quem fizesse stage dive levou a que alguém se aventurasse nessas lides. Apesar disso, todos conheciam as músicas, mostrando que Clarão já se estabeleceu no coração dos fãs, estando no mesmo patamar que o disco homónimo e É Uma Água.

O alinhamento passou por todos os discos da banda terminando com “Pelo Pulso”, podemos dizer que é o verdadeiro hino da banda lisboeta, no entanto não revelamos uma certa saudade de ouvir Luiter Deacon ao vivo. E mais uma vez, “Nó” foi deixada de lado, para desgosto de um dos fãs.

Um concerto que apesar de colocado num dia de carisma mais eletrónico, resultou bastante bem. Nota alta para quem fez o som que, apesar da nossa proximidade com a bateria siamesa, conseguíamos ouvir bastante bem tanto o baixo de Makoto como o teclado/guitarra de Fábio Jevelim.

Após cerca de meia-hora de troca de cenário e quase uma total troca de público, chega-nos Andy Stott, pela segunda vez este ano e para uma sala igualmente cheia. Assumimos: não esperávamos que tantas pessoas acorressem a este concerto mas a mais pura das verdades é que valeu bem a pena. O set de Andy Stott foi algo muito próximo da perfeição. As variações rítmicas, a potência, a repetição. Pegando em malhas tanto de Faith In Strangers e Luxury Problems como noutras tantas desconhecidas (pelo menos para nós), Andy Stott desconstruiu-as com uma facilidade nunca antes vista. O ambiente escuro e os vídeos transmitidos na tela por detrás do artista ajudaram ainda mais ao ambiente que, por si só, já era suficientemente intrigante.

Não houve vocais: tudo instrumental e com um baixo potentíssimo, umas vezes a roçar ambientes mais ambientais, outras de DnB e outras fazendo lembrar um Dubstep old-school de Skream, com a particularidade de aqui estar “todo partido”. Sim, imaginem um dubstep (do início) sem um ritmo constante e com frequentes bass drops graves. Chamem-lhe Pós-Dubstep, o que quiserem, o que interessa é que foi uma prestação memorável de um dos melhores produtores da atualidade.

Gustavo seguiu-se nesta noite de mudança horária e permaneceu no clubbing até os corpos mais inquietos abandonarem a casa.

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Por Diogo Alexandre / 28 Outubro, 2015

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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