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King Dude @ Cave 45 - Porto [21Mai2015] Texto + Fotos

23 de Maio, 2015 ReportagensSara Dias

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Shlohmo @ Musicbox - Lisboa [20Mai2015] Texto + Fotos

The Atomic Bitchwax + Astrodome @ Cave 45 - Porto [17Mai2015] Foto-reportagem
king dude

A música é libertadora: liberta-nos da solidão e da clausura, abre portas no corpo por onde a alma pode sair e confraternizar.*

Quinta-feira, 21 de maio, presenciamos um ritual de libertação de corpos enclausurados comandado por Thomas Jefferson Cowgill. Ironicamente, esta libertação foi consumada debaixo da terra, na já amplamente conhecida e elogiada Cave 45. O evento foi proporcionado pela promotora Goodlife HQ, que recentemente trouxe (a Lisboa) Torche e Acid King, e que a 4 e 5 de Junho, Lisboa e Porto respetivamente, trarão Weedeater.

Os corpos ficaram ébrios com as sonoridades folk tenebrosas do americano, este munido de uma guitarra, de vocais distorcidas e assombrosas, de uma garrafa de whiskey e de um cigarro sempre à mão. Já escrevia Kundera: [a música] é a arte que se encontra mais perto da beleza dionisíaca concebida como embriaguez.

Numa Cave muito bem composta, quase cheia, King Dude brindou-nos com uma setlist que não foi planeada, nas suas palavras: "I just play whatever the fuck I want". Esta setlist aleatória abordou os vários trabalhos do americano como Burning Day Light de 2012, com "Jesus in the Courtyard", "Lord, I'm Coming Home" ou "Vision in Black", esta última dedicada a todas as mulheres bonitas presentes. E também, por exemplo, "White Hands" do álbum Tonight's Special Death. Um dos pontos altos da noite traduziu-se no sing along de "Lucifer's the Light of the World". Talvez sing along não seja a melhor expressão para descrever o que realmente aconteceu, entoaram-se cânticos quase dignos de uma claque qualquer de uma equipa de futebol.

Como sempre, King Dude foi extremamente comunicativo: elogiou a cidade do Porto, elogiou o público, e por alguém do público pedir para ele tocar "You Can Break My Heart". Falou sobre o que levou a escrever esta música: "It's teenage love. You know what that is? It's when you love someone so much that you know you're just fucked."

Após uma despedida bem convincente, King Dude ainda voltou para o encore com "Watching Over You", do seu mais recente álbum, Fear. Este acabou por ser o segundo ponto alto de uma boa noite e de um concerto bem competente.

*Parafrase de excerto do livro "A Insustentável Leveza do Ser".

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