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Lianne La Havas @EDP Cooljazz [26Jul2015] Texto + Fotos

31 de Julho, 2015 ReportagensDiogo Alexandre

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Exatamente, uma semana depois regressamos aos magníficos Jardins Marquês de Pombal. O longo piano e os inúmeros teclados/sintetizadores foram substituídos por baterias, guitarras, baixos e até por uma mesa de mistura comandada por iZem.

Foi precisamente o DJ francês que abriu a noite para uma plateia ainda reduzida e não muito recetiva que permaneceu, na maior parte do tempo, sentada nas suas cadeiras a conversar ou, simplesmente, a olhar... serenamente. Um DJ a abrir uma banda, por si só, já é estranho quanto mais abrir uma banda em que o público presente revela idades bastante avançadas e, logicamente, permanece sentado todo o set. Esta foi a atuação em que vimos ocorrer a maior discrepância geracional: ou víamos pessoas a rondar os 20 anos ou a rondar os 60. Facto que tornou mais difícil a tarefa de Jérémie Moussaid Kerouanton.

No entanto, nem todos permaneceram sentados e as almas mais propícias ao baile afastaram-se para as laterais e soltaram-se ao som de algumas composições originais do francês (Sadeo e Quiver) e de remixes house (bastante Chill, muito à Majestic Casual) de nomes do panorama atual, tais como Bon Iver e Chet Faker. As primeiros bem mais jazzísticas que os segundas. Após devidamente apresentada pelo DJ, What Is Wrong With Groovin da sul-africana Lebba Mbulu, encerra assim os 45 minutos de um set interessante que, trocadas as cadeiras por puffs, teria tornado estes jardins no maior lounge spot de Portugal. O público aceitou e nós também.

Vestida de branco, cheia de classe e compostura, Lianne La Havas sobe ao palco do CoolJazz, em estreia absoluta no nosso país. A cantora confessou durante o concerto que é a sua primeira vez em Portugal, não só a tocar mas também a visitar, seguido de um “nice to meet you” que o público aplaudiu. Com um disco editado e outro na calha, a britânica, intercalou o alinhamento entre esses dois registos, entre músicas conhecidas do público em geral e outras completamente desconhecidas, e fê-lo muitíssimo bem. É difícil fazer-se uma digressão de apresentação ao novo disco quando este ainda não saiu (sairá apenas a 31 de Julho) e agarrar tão bem o público durante os temas novos, mais pop, é certo, no entanto, é de se louvar!

“Unstoppable”, primeiro single retirado de Blood, o tal novo disco, abre o alinhamento, mas é só quando Lianne pega na guitarra para cantar “Is Your Love Big Enough?” (faixa que dá título ao seu primeiro trabalho) que o público desperta verdadeiramente, acompanhando com muitas palmas o tema, inicialmente, com a ajuda da sua backing vocal e, posteriormente, com a cantora a juntar-se à festa. Agradecendo sempre no final de cada canção, sempre de forma simpática, Lianne apresenta-se solta e leve em palco, mostrando-se muito comunicativa. É assim que conquista o público de Oeiras, demonstrando uma maturidade de palco superior à que a sua idade faria prever.

“No Room For A Doubt”, mete a plateia, quase na sua totalidade, a cantar “we all make mistakes, we do” com uma suavidade apenas aprendida com a londrina. O ritmo slow-paced prevalece, “Lost & Found” é mais uma que o público sabe de cor e faz questão de o demonstrar. A cantora tem a alma na voz e transporta-a para o público. Até nas partes mais despidas da música, o recinto enche-se da sua voz, como se não fosse necessária nenhuma ornamentação para a podermos apreciar todo o esplendor sua música, o seu poder vocal chega-nos e enche-nos os ouvidos e o coração. Não é necessário mais nada.

O chill de “Elusive” chega-nos já perto do fim, antes do encore, que se iniciaria com “Age”, tocada apenas com o guitarrista em palco. É em “What You Don't Do” que o inesperado acontece: quando público se decide levantar dos bancos e rumar à frente do palco para dançar e cantar uma música que praticamente desconhecia. É assim que se veem os bons artistas. Infelizmente, o concerto terminaria na música seguinte: “Forget”, numa versão alargada, encerra da melhor maneira esta atuação mágica, equilibradíssima entre a paz e a alegria dos seus dois discos. Nem o vento, por vezes, forte, que se fez sentir em Oeiras debilitou o público português que se rendeu a todos os encantos da cantora britânica.

Vendo bem as coisas, o vento sempre soprou a favor de Lianne La Havas.

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em Reportagens

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