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Lisbon Psych Fest 2015 – Lisboa [10/11Abr2015] Texto + Fotos

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Terminada a primeira edição do Lisbon Psych Fest podemos aferir que, finalmente, Portugal se está a expandir no que toca à uniformidade de cartazes e consequente equilíbrio dos mesmos. Entre bandas conceituadas/desconhecidas e jovens promessas nacionais e/ou internacionais, houve de tudo neste festival indoor totalmente citadino.

Às 22 horas de sexta-feira já podíamos ver o que se avizinhava: na rua, à entrada do Teatro do Bairro, muitas bandas, presentes ou não no festival, trocavam ideias nos mais variados dialetos.

Tess Parks, a rapariga que provou ser a mais psicadélica de todo o festival, já debitava os primeiros acordes da sua música slow-paced, como se quer, quando o “primeiro público” do festival descia a escadaria do Teatro para presenciar aquele que seria o primeiro concerto de muitos. Tess Parks, acompanhada ao vivo pelo seu namorado e, também, baixista dos Black Market Karma, revelou-se a mais bela personagem de todo o festival ao responder alegremente a todas as provocações que recebia do público, e no final da atuação, ao cantar a “It’s Done Song” (música improvisada pela artista num formato “deseletrificado”, devido a não haver tempo para mais) dizendo que pagava bebidas a todos os que viessem falar com ela. Não sabemos se isso, de facto, se sucedeu… só sabemos que foram 30 minutos muito bem passados a ouvir uma pessoa que acabáramos de conhecer e que já se assemelhava a uma velha amiga de infância.

Um primeiro dia que se virou mais para o lado mais soft do psicadélismo, como se notou à entrada em cena dos holandeses PAUW, que especificaram que o seu nome, em holandês, significa pavão e não o “men’s stick” a que os portugueses se referiam. Risos gerais na plateia, pois claro. Meia hora de psicadélico à la Pond, depois continuada, mas já em modo decadente, pelos The Lightshines, que se revelaram como a banda mais morna de todo o festival. Um psicadélico simples e lento, interpretado com pouco alento e ânimo, que quase gelou os presentes: muitos foram os que se ausentaram para ir beber um fino e meter a conversa em dia. Quando a música não alinhava, tínhamos as luzes do francês Androïde a animar a festa. Nem tudo foi perdido.

Os reis deste primeiro dia foram, sem dúvida, os Black Market Karma. Durante a quase 1 hora de concerto (só não foi mais porque a organização não deixou), o quinteto fez bem seu trabalho. A banda manteve os fãs e impressionou os curiosos. Os corpos baloiçavam ao som das guitarradas alegres muitas vezes ajudadas por um slide. Este foi, aos nossos olhos, o concerto com mais público dos dois dias. São os 60’s em 2015 e não há como negá-lo.

A terminar a noite, e da melhor maneira possível, sobem ao palco os Keep Razors Sharp, que no último ano correram os mais diversos festivais entre portas e iniciam agora, no ano corrente, a “ficha” festivaleira neste Lisbon Psych Fest. O bom ambiente manteve-se. Os corpos baloiçantes, desta feita, misturaram-se com alguns mais empolgados que partiam para o mosh (pouco) e cantavam na ponta da língua, algumas das letras elaboradas por Afonso Rodrigues e companhia. “See You There”, encerrou este primeiro dia da melhor forma possível e imaginária, provando assim que as bandas portuguesas não servem somente para abrir concertos e que mantêm a mesma classe ao fechar os mesmos.


 

Ainda na ressaca do primeiro dia (a idade não perdoa) e uma quase direta, onde passámos pela feira da ladra após sairmos do Teatro do Bairro lá para as cinco da matina, chegámos ao local do crime. Os atrasos foram mais significativos, neste segundo dia, mas não alarmantes: mais meia-hora para aqueles que quiseram passar mais tempo com a família no serão de Sábado.

A abrir as hostes estiveram os Lisboetas Basset Hounds. Um set curto (4 músicas) que animou os poucos que já se encontravam no espaço. De referir que a energia era tanta em palco que o vocalista não aguentou e saiu disparado palco fora, caindo, com a guitarra ao pescoço, no meio do chão. Momento que ficará, certamente, marcado na memória do artista nos meses vindouros.

Já com um recinto bem mais composto, os nuestros hermanos My Expansive Awareness espalham o seu charme da melhor forma em terras lusas.
Os muitos espanhóis presentes encheram-se de energia (como se fosse preciso) e puxaram pela “sua” banda tanto ou mais quanto nós puxámos pelas “nossas”. Eram frequentes os apelos aos músicos para que estes se dirigissem ao público em Castelhano. Zaragoza a conquistar Lisboa.

O psicadélico pesadão entra em ação à entrada do coletivo Desert Mountain Tribe, que nos hipnotiza, de forma crescente, com os seus loops e sucessivo jogo de pedais. Os Desert Mountain Tribe apresentam-se ao vivo bem mais intensos que em estúdio, deixando todos de boca aberta perante tão soberbo espetáculo. A intensidade mantem-se com os Dreamweapon, que chegaram a Lisboa já com o disco pronto a ser lançado, tocando alguns temas novos e outros já conhecidos, (quase) sem pausas, criando um sintoma de alucinação coletiva nos presentes.

A encerrar este segundo e último dia chega-nos o duo The Vacant Lots, os derradeiros headliners desta primeira edição do Lisbon Psych Fest, podemos afirmar.
Com uma sonoridade umas vezes a roçar o drone, outras o garage, os americanos de Berlington vieram a Lisboa apresentar o seu disco de estreia Departure, lançado no Verão passado. Uma guitarra e uma pedalboard (neste caso, utilizada com as mãos) foi o necessário para se criarem planícies flamejantes capazes de inflamar os corações e os instintos de todos aqueles que se predispuseram a aceitar, de bom grado, toda esta sinergia.

O resto da noite ficou entregue aos DJ’s Nick Allport e A Boy Named Sue. De referir também, uma vez mais, o excelente trabalho de Androïde, o homem por detrás de todo o background luminoso deste festival.

E assim chega ao fim este primeiro e agradável Lisbon Psych Fest, organizado pela nova promotora Killer Mathilda, que cada vez mais se mostra como uma potencial grande difusora do género em Portugal. Um espaço acolhedor e intimista, boas pessoas e um bom ambiente foi o necessário para o bom funcionamento desta grande festa. Passados dois dias ainda estamos em recuperação.
Pela nossa parte, está aprovadíssimo! Que venha a próxima edição!

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Por Diogo Alexandre / 15 Abril, 2015

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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