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Mão Morta – Reverence Underground Sessions #3 @ Sabotage Club – Lisboa [28Mai2016]

31 de Maio, 2016 ReportagensWav

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Os Mão Morta prometiam "uma espécie de regresso ao underground", num formato "nu e cru", sem  "os artifícios de espetáculo" associados aos grandes palcos. O Sabotage Club, no Cais do Sodré, pela sua configuração – não tem nenhuma decoração espampanante, é um bar de rock simpático – e tamanho – a sala é muito pequena – é, provavelmente, uma das poucas casas lisboetas capaz de receber os Mão Morta num ambiente cheio de intensidade.

No entanto, este concerto – em dose dupla, os Mão Morta também tocaram no Sabotage na noite anterior –, insere-se no contexto das Reverence Underground Sessions, organizadas pelo Festival Reverence Valada, onde os Mão Morta tocaram na sua primeira edição, em 2014 (e foi, sem duvida, um dos melhores concertos do festival). No fundo, o Reverence, para além de ser um festival fora de série por ser o contrário de um qualquer Rock in Rio ou Alive – quer pelo cartaz, quer pela dimensão, quer pela forma como se caminha, se bebe e se come no festival –, faz o que qualquer organização dum grande evento de massas deveria fazer: organizar atividades durante o ano inteiro porque estamos vivos nos restantes dias do ano. Assim, já passaram pelo Sabotage Club os Ringo Deathstarr e os Bizarra Locomotiva, e há outras sessões marcadas: Os Mutantes (7 de junho), Spectral Haze, Sun Mammuth e Earth Drive (21 de julho).

Enquanto se espera pelo início do concerto, assalta uma duvida: não será esta sala demasiado pequena para a dimensão dos Mão Morta? Não estarão demasiado acostumados a palcos de festivais e de cine-teatros? Talvez por isso, para a imediata dissipação de duvidas, os Mão Morta tenham começado com três temas do primeiro disco homónimo, de 1988, "Aum", que foi recebido com surpresa, "Oub’lá" e "E se depois", que puseram a nu a relação que existia entre o público (exceto os chatos que se encontram sempre nestes concertos, que pedem músicas incessantemente e que dizem as habituais palermices tentando suscitar a admiração de Adolfo Luxúria Canibal, que se vai irritando e respondendo a estas provocações). Praticamente toda a sala sabia e gritava "Oub'lá qu'é que 'tás a fazer? / Quero é que tu te bás foder!" e "E se depois / O sangue ainda correr / Corre atrás dele", silenciando a voz amplificada de Adolfo.

A amplificação era, sim, um problema não muito preocupante. Não se espera numa sala destas e num concerto destes um som perfeitinho, mas era muito difícil compreender o que Adolfo Luxúria Canibal ia dizendo entre as canções. Intimidade, pois bem, existia pela proximidade do público com a banda, mas a comunicação era difícil.

Alguém, do público, pedia "Morgue", mas o ambiente contrastava com esse pedido. Na verdade, três discos ficaram nitidamente de fora deste espetáculo: Primavera de destroços (2001), Nus (2004) e Pesadelos em peluche (2010). Da obra recente, apenas o último disco, Pelo meu relógio são horas de matar (2014), marcou presença. Logo após a revisitação aos anos 80 – cheia de força e rapidez –, Adolfo Luxúria Canibal pergunta quem é que está disposto a apostar com ele. Alguém responde, "doze euros e meio", o preço do bilhete do concerto. "Apostas a vida por doze euros e meio, caralho?" e somos introduzidos ao dramático "Hipótese de suicídio". Uma hipótese que nos liberta para a vida.

Mas a vida é amarga e o concerto continua com "Destilo ódio" e mais um tema do último álbum, "Pássaros a esvoaçar". De seguida, o piano evidenciava a explosão de "Berlim" - o emblemático Mutantes S.21 (1997) ainda viria a ser visitado outras três vezes -, servindo de entrada a um dos momentos mais intensos do concerto, que continuou com "Charles Manson" – muitos cocktails molotov imaginados foram atirados – e "Vamos fugir" – muitas ideias de possíveis fugas foram exaltadas em uníssono. A seguir, mais duas cidades: "Barcelona" (uma das fugas é ser puxado para fora da Plaza Real) e, com o seu grunhido característico, "Amesterdão" – "Have big fun" e "a toda a velocidade" poderiam ser lemas da noite.

Outro lema, em qualquer concerto dos Mão Morta, é a liberdade. "Anarquista Duval", claro, suprimindo polícias com a liberdade. Assim terminava a primeira parte do concerto e o público que se abarrotava na sala – perdão, a sauna – entoava os "lalalas" da "1º de Novembro". Voltaram os Mão Morta com uma velocidade de aparente calma: "Facas em sangue" e "Maria". Uma canção para lembrar a repressão que se sente nas ruas de Paris: "Bófia".

Ouvimos, depois, "Até cair", com direito a crowd surfing do Adolfo. Mais duas canções rápidas e cheias de pujança: "Lisboa" (muito pedida, afinal de contas, estávamos no Cais’Sodré) e "Quero morder-te as mãos", com os gritos cheios de vontades e prazeres. No fim, os "lalalas", afinal, foram os de "Horas de matar". A locomotiva dos Mão Morta tem uma exigência: a liberdade, e é preciso defendê-la.

Acabou um concerto cheio, que transbordou as medidas do público. Os Mão Morta tinham mostrado que tocam em qualquer palco e que se sentem à vontade com a proximidade das pessoas. Já com a sala mais vazia, João Peste, dos Pop Dell’Arte, vai pondo música. Ficou a faltar o "Juramento sem bandeira", cantado em dueto por Luxúria Canibal e Peste. Isso é que era!

Texto: Youri Paiva
Foto: Cortesia Luís Sousa / Música em DX
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