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Mariza + Ricardo Riberio @EDP Cooljazz

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Quinta-feira, 24 Julho, é dia de mudanças no Cooljazz. O festival troca de local e move-se para o Estádio Municipal, numa noite em que a música é 100% Portuguesa. O que de início pareceria estranho (Fado num estádio?) em breve se justificaria perfeitamente. Noite que teve como rádio oficial a Comercial, que teimava em passar os mais recentes hits de Pitbull, Passenger, Justin Timberlake, entre outros. Uma escolha tanto ou quanto peculiar, tendo em conta a predominância do Fado no dia de hoje e que a idade média da plateia rondava os 45 anos.

Ricardo Ribeiro (nome revelação do Fado atual) veio com Pedro Jóia, apresentar o seu mais recente álbum, Largo Da Memória. Após uma intro de guitarra que deu início a “Moda Alentejana”, segue-se a apresentação dos elementos e o início de “Entrega” e “Gaivota Perdida” (tocadas de seguida), arrancando os primeiros aplausos do público.

”O vento entra pelo microfone, mas eu tenho sempre uma vantagem, sendo gordo não tenho tanto frio”, disse Ricardo Ribeiro, relativamente ao forte vento que se sentia em Oeiras, antes de se atirar a um cover de Rão Kyao (”Fado do Alentejo”), sempre com as influências do Flamenco presentes na sua voz. À sexta música acontece a grande surpresa da atuação, Mariza entra em palco para cantar ”Fado Joaquim Neves” após uma breve introdução à música. “Covilhã Cidade Neve” finda o magnífico concerto proporcionado por Ricardo Ribeiro, misturando sempre que possível o Fado com o Flamenco, desde as ‘guitarradas’ e variações vocais até às ‘palmas’ durante a música, cujas o público fazia questão de acompanhar. No final do tema, ainda houve tempo para a entrega de um bouquet de flores por parte de uma senhora presente no público.

Às 22h30 em ponto, Mariza sobe ao palco para satisfação dos presentes. A cantora começa o concerto agradecendo a quem lhe tem enviado mensagens pelo Facebook e a todos os que se deslocaram ao concerto, dizendo que é sempre muito bom regressar a Lisboa. ”Está vento, mas antes vento que chuva” foi o que disse antes de se atirar a um dos seus temas chave, “Chuva”. Não esquecendo as suas raízes africanas, houve tempo para se ouvir uma morna de Tito Paris, “Beijo Da Saudade”, que contou com um solo de guitarra acústica incrível e fez as delícias dos presentes, que não ficaram indiferentes ao que acontecia em palco (”para levar ao mar e o mar à minha terra”).

O concerto prossegue, sempre com uma Mariza sorridente, simpática e comunicativa, não esquecendo temas como “Barco Negro” (dedicado à avó), “Primavera” (o seu fado tradicional favorito, descrevendo-o com uma das suas grandes paixões) e até mesmo uma música cantada por Yami (baixista da banda). Em “Meu Fado Meu”, Mariza fala de rótulos e não se assume como fadista, mas sim como ”uma cantora que gosta de cantar em português e levar a música portuguesa aos quatro cantos do mundo”. “É Ou Não É” é a música que desperta o público do coma induzido em que estava enclausurado, que por muito que Mariza se esforçasse pouco entusiasta se mostrava. ”Vão ter que continuar a bater palmas e a cantar, olha que chatice”, foi o que disse antes de “Rosa Branca”, música em que houve tempo para cumprimentar ”dois amigos” Ingleses que já levam na sua contagem mais de 50 concertos vistos da artista. O final do alinhamento regulamentar dá-se com um tema de Fernando Maurício, cantado e tocado no meio do público, completamente ‘acapella’. “Boa Noite Solidão” foi um dos momentos altos do concerto e um dos momentos altos de todo o festival.

Para o encore estavam guardados covers de tudo e mais alguma coisa: Omara Portuondo (que passou por cá no primeiro dia de festival), Elis Regina, Elvis Presley, Madonna, Nirvana e Whitney Houston. Foram sete covers seguidos que demonstraram precisamente o que Mariza tinha dito anteriormente. Mariza não é uma fadista, é sim, uma cantora Pop com influências de Fado na sua música. Após estes sete temas, Mariza atira-se ao seu novo single, “O Tempo Não Pára” (tema escrito por Miguel Gameiro ao piano) que tornou este concerto ainda mais especial, que após de ter dedicado uma música ao pai e ao marido, dedica esta ao filho, pegando nele ao colo e levando-o para o palco, dando-lhe um beijo no final. Um momento bonito que mereceu muitos aplausos. ”Foi o momento ideal para vos apresentar a minha família”, foi o proferido por Mariza antes de cantar “Ó Gente Da Minha Terra”, música em que a artista deu a volta ao estádio cantando e cumprimentando todas as pessoas que se deslocaram ao recinto para a ver. Um belo gesto que demonstrou bem a simpatia e acessibilidade da cantora em palco e fora dele. O concerto acabou com quase todo o público em pé dançando ao som de “Rosa Branca”, novamente tocada para ”terminar o concerto em festa”. Quem quer quem quer amor a seu jeito? Colha a rosa branca ponha a rosa ao peito.

Um concerto incrível a todos os níveis, desde a performance, a duração e intensidade da mesma (cerca de 2h30), a entrega e interacção da artista, a qualidade dos músicos, provando que seja qual for o estádio, Mariza ganha sempre. Jogo e vitória para a equipa da casa.

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Por Diogo Alexandre / 31 Julho, 2014
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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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