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Men Eater – Stairway Club, Cascais [3Jun2016]

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O Stairway Club vai ficar para sempre relembrado como a sala que viu os Men Eater nascer e desvanecer ao longo dos seus 10 anos de banda, finalizando este capítulo (que já julgáramos encerrado em 2014) e abrindo portas a novas aventuras. Não foi estranho por isso vermos o bombo com uma pele de Keep Razors Sharp (a outra banda de Carlos BB – baterista).

Já com uma casa muito bem composta (viria mesmo a esgotar momentos depois), os The Quartet Of Woah! foram os primeiros a subir ao pequeno palco da sala de Cascais para nos brindarem com a sua dose de rock abrasivo, revelando uma boa disposição fora do comum e mostrando-se muito agradecidos perante o convite dos Men Eater. Apesar dos frequentes percalços relacionados com o bombo da bateria que teimava em “fugir” dos pés de Miguel Costa, obrigando a banda a perguntar mesmo se ninguém tinha um tijolo por ali, o espectáculo cumpriu com as expectativas já elevadas no início da noite. “Backwardsfirstliners”, a sua última música editada, não estando ainda presente em nenhum registo discográfico, inicia o concerto seguida por “The Announcer”, esta acompanhada nos vocais por alguns dos presentes.” Cantem se souberem”, solicita a banda. O público fez-lhes a vontade e a frase “There’s no light in the sun, only emptiness and empty space” ecoou pela sala. Daí em diante seria sempre a subir, com Rui Guerra a usar e abusar (no bom sentido) dos seus teclados e sintetizadores, e André Gonçalves movimentando-se desenfreadamente durante os trechos mais instrumentais. O alinhamento baseou-se sobretudo no seu primeiro disco, no entanto, há um novo já em novembro, garante o grupo. “U-Turn”, malhão de quase 8 minutos e primeiro single de Ultrabomb, encerrou o concerto com mais uma boa dose de headbang. Nem a pneumonia de Gonçalo Kotowicz impediu o quarteto, que parece evoluir a cada concerto dado, de brilhar. Aguardemos por novembro.

Durante as habituais trocas de palco sentimos a ansiedade no ar: o público não arredou pé da dianteira da sala, abdicando do cigarro da praxe para conseguir um bom lugar, algo que não se vê todos os dias.
Com a formação clássica de novo junta, Hellstone foi claro destaque, iniciando as hostes logo com “Redsky” (intro incluída), faixa término do mesmo, e “Drivedead”, jarda que pega no público e atira-o contra a parede antes de o esmagar com o peso dos potentes riffs da guitarra de Mike Correia e do baixo de João Jesus, para terminar enérgica como começou.

O embaraço dos músicos era notório: nenhum deles parecia verdadeiramente preparado para o fim do grupo, algo confessado pela própria banda na reta final da atuação. No entanto, esse embaraço acabou por tornar as malhas mais genuínas: o que perderam em técnica ganharam em feeling. O concerto prossegue com incursões obrigatórias a músicas como “First Season” (a primeira de duas incursões a Vendaval) e “Reminder” a acalmar os ânimos, novamente. O headbang regressou nos momentos mais arrastados da mesma e durante a instrumental “Revolver”. A surpresa da noite aconteceu aquando de “For A Life Massacre”, tema extraído do seu EP homónimo e lançado no já longínquo ano de 2006, que contou aqui com a participação especial de Sérgio, primeiro vocalista da banda, confessando não fazer isto (cantar) há bastante tempo, desde a altura em que o bar ainda se chamava Lótus. Uma descarga enérgica que nos mostrou os Men Eater primordiais.

“Lisboa”, a única música da banda que passou nas rádios, menciona Mike, encerra o concerto com o público a cantar os seus versos em uníssono.”Solta os cães atrás de mim, levo o peito cheio de ti”. Sem encore, apesar de muito pedido, o quarteto regressaria a palco para agradecer a todos os presentes, que esgotaram o Stairway Club, pelo apoio dado ao longo dos anos, abraçando-se e despedindo-se de vez dos palcos.

Passe o tempo que passar, os Men Eater marcaram a música portuguesa e isso já ninguém lhes tira. A banda termina mas a obra permanece. Até sempre!

Por Diogo Alexandre / 15 Junho, 2016

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