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Milhões de Festa 2015 – Dia 1 [24jul] Texto + fotos + vídeo

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O despertar fez-se mais tarde na sexta feira. A chuva que caiu durante a madrugada aliada a um céu coberto permitiu manter a frescura das tendas durante mais algum tempo. Sem se contar, recuperava-se energias, e estas iriam ser bem precisas durante o resto do dia. Já nas piscinas municipais, o Sol demorou até abrilhantar as boias cor-de-rosa, mas à chegada de TOCHAPESTANA já ninguém queria saber do estado do tempo. A dupla portuguesa demonstrou ser um dos melhores projetos musicais nacionais que por aí andam, e em jeito de ode ao popular entre trocas de casacos e danças, que tinham tanto de alucinante como de cativante, colocavam toda a sua catchyness na cabeça de todos os banhistas. Tanto que mais tarde no recinto do Palco Milhões ainda se ouvia um grupo de amigos entoar “Lisboa” sem parar.

Matias Aguayo foi o momento perfeito para o fim de tarde. Já com o nome bem reconhecido, não teve de esperar muito tempo para que a zona entre a piscina e o palco (assim como as zonas envolventes) se enchessem de pessoas semi-despidas a aproveitar ao máximo aquela performance em jeito de sunset, no entanto é no outro lado da cidade, no palco Taina onde os concertos acontecem de forma despida. Literalmente! Os Hemdale partiam tudo no Taina, terminando com o concerto com o baixista totalmente nu.

Já no recinto principal, os All We Are apresentavam-se no Palco Milhões perante uma parca audiência, mas nem por isso deixaram de dar um dos melhores concertos do dia. A redação da Wav escolheu-os como detentores de um dos melhores álbuns do primeiro semestre de 2015 e, apesar de terem tido dificuldades no início do concerto a comprová-lo, no fim já havia quem desse a herança Alt-J a este trio. Com cumplicidade e um à vontade com o público, tocaram quase todo o álbum homónimo, tendo ainda tempo para fazer uma (excelente) homenagem a Caribou, interpretando “Cant’ Do Without You”. É na despedida que dizem em jeito de agradecimento o que todos nós pensamos: juntar tantos excelentes músicos num só espaço só pode ser algo bom.

Com a plateia totalmente cheia, os Cosmic Dead arrasaram totalmente com o Palco Vodafone.fm fazendo assim um dos concertos mais memoráveis da edição deste ano do Milhões de Festa. Era a música em forma de guitarra conjugada com sintetizador a destoar da bateria e do baixo que faziam camadas tão densas e perfeitas que a prestação dos escoceses tornou-se uma comunhão entre entrega musical da banda com delírio do público.

Seguia-se a continuidade em saltitar de género, e subiam ao palco Milhões as THEESatisfaction. Vindas de Seattle não trouxeram grunge mas sim hip hop bem mergulhado numa vertente mais old-school como se este fosse uma Eva da costela de Jazz. A meio do concerto o pc crashou, mas elas surpreenderam em continuar o concerto. Apesar da clara destreza, o concerto foi muito ameno, e sendo Stasia Irons e Catherine Harris White um dos nomes mais esperados desta edição, não cumpriram as expectativas. No entanto foi um deleite apreciar a coordenação das suas danças.

Já no outro palco a dança era outra: a das revelações. HHY & The Macumbas foi a revelação do ano. Sugerido como um dos nomes a não perder pelas nossas antevisões, não desiludiram minimamente quem em nós confiou. Misturando propriedades do som muitas vezes esquecidas como o eco ou a ausência do próprio som, era através da eletrónica e do sopro que faziam da música poderosos feitiços orquestrados pelo Mago Jonathan Saldanha. Um projeto incrivelmente ambicioso que não encontrou (infelizmente) em Barcelos quem o acolhesse com a devida intensidade. A quem o fez, ainda se deve encontrar enfeitiçado.

O momento alto de sexta-feira acontece com os Deerhof. Num cartaz onde não há propriamente cabeças de cartaz, ninguém duvidava que eles seriam os reis do dia. Históricos, faziam música por gosto muito antes de a cena indie ser uma coisa que dá algum dinheiro. Há que respeitar uma banda que se atreveu a desafiar os cânones de fazer rock, e que desde do início de 90 se dedica a fazer música deliciosamente esquizofrénica. Se a música o é, a prestação nada menos o foi: Satomi Matsuzaki que nem um Pikachu saltitante juntava em si a fofura do rato amarelo com o perigo e energia do relâmpago. Tão depressa as músicas estavam a propagar-se pelo a rasgar o ar, como tão abruptamente terminavam com a voz infantil a dizer “thank you”.

Greg Saunier agradecia a entrega do público. Da última vez que cá tinham tocado tinham-no feito para menos de 43 pessoas confessou. Estavam bem mais frente ao Palco Milhões (a maior enchente do dia 24). Confessavam-se nervosos, e ninguém duvidou das suas palavras, no entanto, a irreverência em fazer música que os caracteriza, aliada a uma carreira já bastante madura ensinou-os a lidar com o nervosismo da forma certa: sentir o gosto do público e a dar assim um concerto que irá ficar na memória de todos os que lá estiveram. Por cá agradecemos, e preparamo-nos para o dia seguinte, enquanto que os mais corajosos vão continuaram a festa noite dentro ao som de nomes como Golden Teacher.


 

Texto: João Rocha
Fotografia: Hugo Adelino e Bruno Pereira
Vídeo: Mariana Vasconcelos
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Por Wav / 25 Julho, 2015

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