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Morrissey @Coliseu dos Recreios [6Out2014]

© Everything is New

© Alexandre Antunes/Everything is New

Panfletos, folhetos e cartões da PETA em todas as línguas possíveis e imaginárias foi o que se distribuiu logo à entrada do Coliseu dos Recreios, pouco antes do concerto de Morrissey (ex-lider dos The Smiths) começar. O que diria Morrissey se soubesse que aquele local é utilizado para práticas circenses envolvendo animais, em altura natalícia? Acreditemos que ‘Moz’ desconhecesse esse facto e, felizmente para nós, não cancelou o concerto na capital do País, apesar desta vez ter, aparentemente, mais razões para o fazer do que há dois anos atrás.

O concerto marcado para as 22h, começou com cerca de meia hora de projeções de vídeos, vídeos que não se cingiam apenas à música mas a toda a panóplia de ‘beliefs’ que Morrissey tenciona salientar. Tais como, atuações dos Ramones (sim, minhas queridas, isto era uma banda nos anos 70 e não uma marca de roupa), dos New York Dolls, do mestre da chanson Charles Aznavour, e massacres de animais, manifestações na Inglaterra, a morte de Margaret Thatcher (dama de ferro britânica e personagem por quem Morrissey sentia grande amor e fraternidade e a quem dedicou a grande balada romântica ”Margaret On The Guillotine”). Ouvia-se ”yay, yay, the witch is dead, the witch is dead” e aparecia no ecrã um grande ”LOL” sobre a morte da Iron Lady. Tudo isto e não só, aconteceu na primeira meia hora de ”concerto”, pois por volta das 22h30 entra o adorado Morrissey sob uma salva de palmas e assobios. O público estava em delírio.

”The Queen Is Dead” (música que abre o álbum de 1986 dos The Smiths com o mesmo nome e que nunca deixa ninguém alheio), abriu de rajada (acompanhada por fotos da rainha Isabel II a fazer ”manguitos”). Seguem-se ”Speedway” (resgatada de 1994) e ”Certain People I Know” (feita dois anos antes e concretizada só à segunda tentativa). O concerto prosseguiu calmamente, com ‘Moz’ a demonstrar os seus excelentes dotes vocais e a encantar todos com o timbre da sua voz. Foi ao som de ”Kick The Bride Down The Aisle” que vemos mais uma “tacada” na família real Inglesa com os ecrãs destas vez a transmitirem uma foto onde se lia ”United King-dumb”, Morrissey sempre a fazer das suas…

Perto do final do concerto houve tempo para ir buscar ”Hand In Glove” (”we’ll play this because we must!”) e ”Meat Is Murder”, música que sucedeu um épico discurso do Inglês contra o consumo de animais e contra a McDonald’s (e a sua publicidade), atiçando os Portuguesas e irem a uma loja de tintas para comprarem uma lata de spray branca e pintarem em todos os placares publicitários da McDonald’s ”Shit! Shit! Shit!” ”No! No! No!”. ”One Day Goodbye Will Be Farewell”, acompanhada por trompetas e teclados à post-punk, encerrou o tempo ”regulamentar” de concerto. Para o encore ficariam reservadas ”Asleep” (dos Smiths) e ”First Of The Gang To Die” que meteu todos no Coliseu (esta noite bem composto) aos saltos e a cantar: ”Hector was the first of the gang with a gun in his hand and the first to do time, the first of gang to die. Oh my!”.

Uma bela hora e meia de concerto que satisfez os fãs e todos os que já esperavam o sucedido, porém, aqueles que se deslocaram ao concerto para ouvirem temas antigos dos The Smiths ou até do próprio ‘Moz’ tais como ”Everyday Is Like Sunday”, ”Suedehead”, ”November Spawned A Monster”, ”Irish Blood, Eglish Heart”, apenas para mencionar alguns, terá saído, de facto, algo insatisfeito. Felizmente, um bom concerto não se faz apenas pelo alinhamento.

Esperemos que volte brevemente e que da próxima vez não misture o Português com o Castelhano e diga ”gracias” em vez de ”Obrigado”.

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© Alexandre Antunes/Everything is New

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Por Diogo Alexandre / 10 Outubro, 2014

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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