wav@wavmagazine.net | 2014 | PT
a
WAV

NEOPOP Electronic Music Festival 2016 • “Oh yes, it’s real!”

13879245_10154111298093598_3483982881844256048_n

 

Tivemos pela primeira vez a oportunidade de visitar o NEOPOP, um festival conceituado no que à eletrónica diz respeito. Foram três dias inesquecíveis, com condições excelentes para os campistas (até tivemos pessoas a receber-nos à chegada!), dois palcos colocados com régua e esquadra, num recinto com uma vista privilegiada para o Castelo de Santiago da Barra. Contudo, também com os contentores do porto e a vigilância permanente do farol da cidade. O NEOPOP abriu, como já é hábito, com vários DJ’s e artistas portugueses, sendo desde já de destacar o live act dos Sensible Soccers. Os vila-condenses foram apresentar o seu mais recente trabalho, Villa Soledade, e continuam a demonstrar por que razão são uma das melhores bandas portuguesas e a mostrar a nova faceta eletrónica de Portugal.

Chegados ao Neo Stage, foi desde logo possível reter o som limpo e potente com que a organização nos presenteou. Maya Jane Coles abriu o palco com um techno mais calmo e suave, que colocou as temperaturas em alta para o que se seguia a seguir. John Talabot, já conhecido dos portugueses, subiu e de que maneira os bpm’s com toda a sua triunfante eletrónica experimental, que já deslumbrou muitas salas neste país, e que continua a ser aposta segura, já que muitos se deslocaram do campismo para o ver. Se tivesse que existir um vencedor, o lugar iria para Nina Kraviz, outro nome conhecido do público português, sendo que era o nome principal do dia, e um dos mais fortes do cartaz. Com o amanhecer como cenário, Kraviz abordou temas trance, o que tem sido habitual nos seus últimos sets, porém também passou pelo acid house numa atuação cheia de esforço e entrega por parte da DJ. Há que destacar o b2b, entre Ben Sims e James Ruskin que deram uma lição de como aproveitar um excelente sistema de som e colocar um recinto a dançar e bailar numa combinação mítica. Num dia que contou também com um set inesquecível, ao amanhecer, de Oscar Mulero que aproveitou o set dos colegas para montar todo o seu estaminé. Uma grande demonstração de profissionalismo de toda a gente.

 

13876243_10154128179303598_1038321605541988702_n

 

O segundo dia foi o dia dos clássicos e veteranos do techno. Carl Cox, o nome mais aguardado e esperado de todo o festival, leva já 23 anos a trabalhar ininterruptamente em prol do techno e da música eletrónica. O regresso a Portugal é marcado pelos rumores da sua retirada das atuações ao vivo, mas Cox cumpriu todas as expectativas, quanto mais não seja quando pega no microfone e leva a multidão ao rubro com um simples “oh yes, oh yes”, um clássico. Um DJ Set extremamente competente como sempre habituou o seu público, para quem já o viu sabe ao mesmo, mas é um sabor que se gosta de repetir. Continuamos o bailarico em Matador, porém num techno muito mais suave e necessário para acalmar os corações antes de continuar a dar tudo em Pan Pot – que estiveram em Portugal há pouco tempo, ficando a clara sensação que o seu regresso seria inevitável, – há que lhes tirar o chapéu bem como reconhecer o mérito na forma como mantém o seu público aceso e ligado à sua esplendida eletrónica. Uma excelente preparação para o último set da noite/manhã do veterano John Digweed que nos deu um último baile antes do descanso para o que se avizinhava.

 

13962766_10154132222028598_3949345754194959848_n

 

Só voltamos ao recinto para o “Le Grand Finale”, onde não poderíamos ser mais felizes. Maceo Plex arrebatou todos os corações e paixões existentes em Viana do Castelo, cada vez que se coloca nos pratos deixa toda a gente a 200%. Sempre com estilos diferentes, desde os mais potentes aqueles que nos deixam os braços e as pernas a mover-se durante horas. Volta a Portugal no dia 11 de setembro, no Brunch Eletronik. Mas não seria NEOPOP, nem um “grand finale” sem o clássico e inconfundível Richie Hawtin. A manhã trouxe-nos um DJ, já com 15 anos de experiência, que arrebatou o festival criando sons com estilo, groove e rapidez onde nenhum par de pernas cansadas parou, nem os 30ºC impediram que se formasse uma moldura humana em torno do Neo Stage para finalizar um festival onde não nos queríamos despedir.

Um clímax de emoções depois de 3 dias rodeados de uma excelente organização, de boa gente, boas condições sonoras e uma cidade tão propícia ao techno. Dias inesquecíveis para nós e mais 26 mil pessoas que garantem o sucesso de mais uma edição de NEOPOP. Até 2017!

 

Share Button

Comentarios

comentarios

Por João Neves / 19 Agosto, 2016

Deixar um comentário

About the author /


~