25
SEG
26
TER
27
QUA
28
QUI
29
SEX
30
SAB
31
DOM
1
SEG
2
TER
3
QUA
4
QUI
5
SEX
6
SAB
7
DOM
8
SEG
9
TER
10
QUA
11
QUI
12
SEX
13
SAB
14
DOM
15
SEG
16
TER
17
QUA
18
QUI
19
SEX
20
SAB
21
DOM
22
SEG
23
TER
24
QUA
25
QUI

North Dissonant Voices II: Debaixo de um Imenso Ruído

31 de Janeiro, 2017 ReportagensGoncalo Tavares

Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr
North Dissonant Voices

Biffy Clyro c/ Frank Carter & The Rattlesnakes - Coliseu dos Recreios, Lisboa [27Jan2017]

O Salgado Faz Anos... FEST 2017 - Fotogalerias
img_1052 NDV II ©Daniel Sampaio

No passado fim-de-semana (20 e 21 de janeiro), a Cave 45 recebeu o North Dissonant Voices, uma enchente de black metal e industrial. Numa edição marcada pela afirmação do festival, houveram surpresas e desilusões.

É um outro apetite. Aquele que se vincula à infinitude do abismo, a corredores e florestas completamente englodios pela escuridão. Podemos vê-los e ouvi-los no blast beat incansável dos Lubbert Das, no drone distorcido dos Paean, nos capuchos de LVTHN mas também nas pulsações opacas de Atila e de DE TA US TO AS.

A Cave compôs-se decentemente para o evento numa mancha de roupa escura. Apesar da Signal Rex (organizadora) ter provado que pode chegar a um público mais abrangente, o NDV é, para já, um fenómeno comunitário. Estamos no palco portuense de música sombria para quem lhe é devota.

Tabaco e incenso enchiam a sala de concertos, tornando-a pesada. Duas bancas de merch, com dezenas de T-Shirts e cintos, materializavam a devoção. O P.A., a fumegar ruído eléctrico, estava pronto a lançar vagas de distorção. O palco foi decorado para a maioria das atuações. Estas bandas representam, acrescentando uma dimensão teatral aos concertos.

Os Paean trouxeram 10 candelabros (uma brutalidade) e caveiras, que ficaram para os gigs posteriores. Os Dolentia (banda nacional), pintados de branco, vestiram-se com mantos negros. Os guitarristas empunhavam uma corrente metálica ao pescoço. O vocalista, quando não cantava, deixava o capucho tapar-lhe totalmente a cara. Coube a eles o grande concerto de metal da primeira noite. As paredes de distorção, aqui misturadas com riffs, serviam bem a abrasão que o género pede. Os vocais eram especialmente imponentes. Deram um especáculo muito competente de black metal, que manteve o interesse ao longo de todo o set.

Sexta-feira (20), que abriu com o cerimonial dos Tendagruta - conchas partidas, pinturas faciais com carvão, declamação panteísta, naturalismo a jogar com o noise - fechou com uma colaboração exclusiva. Depois de uma falha técnica que roubou 10 minutos de concerto, armou-se a electrónica física de Atila com as percussões e “desperdício industrial” de Sinter. Três músicos, um no palco e outro fora, num manifesto pelo ruído. Chocavam placas e barras metálicas, molas industriais, cheias de textura nas suas vibrações. Os beats de Atila eram abafados pelos gritos e distorção, enquanto que o conjunto avançava para o caos sonoro. A combinação é vívida, e esperamos que se venha a maturar num disco.

 

de-%c2%b7-ta-%c2%b7-us-%c2%b7-to-%c2%b7-as DE·TA·US·TO·AS ©Daniel Sampaio

 

Para além da representação que referimos, estas bandas deram concertos físicos, onde parte da performance reside na linguagem e movimento do corpo. O melhor exemplo desta vertente veio do DE·TA·US·TO·AS. Este duo catalão presta um culto aos “ventres das mães de sangue”. Num concerto extremamente dramático, a música - um instrumental escuro, contínuo - serviu de base a uma celebração. Dois sacerdotes, um submisso, mantinham uma liturgia bem delineada: queimavam incenso, pintavam-se com sangue (?), entoavam de pés descalços, imundos, entregavam-se. Não importava o que recitavam. 

O palco serviu para uma mudança de roupa ou para uma reencarnação mais espiritual? Depende da opinião. Quer se tenha gostado ou não, eles não quebraram a 4ª parede. Foi uma atuação sincera dentro da intrepretação e, assim, estranhamente poderosa. A banda seguinte (a terceira de Sábado (21) era provavelmente a mais sonante do festival: Gnaw Their Tongues, do belga Maurice de Jong.

A voz e baixo de Maurice eram os únicos intrumentos tocados ao vivo, com o restante instrumental a vir de um computador. O projecto lançou o último álbum em Dezembro do ano passado, Hymns for the Broken, Swollen And Silent, mas pouco foi tocado das suas partes experimentais, como a que abre Frail As The Stalking Lions ou que fecha Hold High The Banners Of Truth Among The Swollen Dead. A particularidade desta música reside em texturas electrónica, muitas vezes na forma de detalhes. No gig, elas perdem para o ruído e passagens “black metal”. E tanto a ferocidade de Maurice (na voz e no baixo) como as variações industriais não foram suficientes para dar vida a todo o concerto. Não nos testou. Com pena, não ouvimos a música aterrorizadora que produz em estúdio.

Seguiram-se os Gaerea, um quinteto que desenvolve composições trabalhadas. Com Influências doom e riffs orelhudos, deram um concerto violento. Os LVTHN, banda posterior e a última de sábado, voltaram a acender as velas dos candelabros. Não só literalmente, mas também porque a música deste quinteto belga é especialmente luminosa. Por outro lado, nunca comprometem a sua postura ocultista (enquanto afinavam prepararam, na lateral do palco, uma mesa com velas e caveiras que os acompanhou no concerto). Desta mistura resulta algo interessante dentro das tipificações do black metal. No meio da distorção e blast beats, surgem guitarras brilhantes, grooves de pouca dinâmica e riffs de outras heranças metaleiras (como em Uncreations Dance ou em Eradication of Nescience, faixa homónima do último álbum e fantástica ao vivo). Por terem trazido algum entusiasmo ao line up, fecharam a noite em beleza.

Eles prometeram e cumpriram. O NDV deu um salto quantitativo do ano passado - passou de 1 a 2 dias de festival e de 5 para 10 bandas convocadas. Qualitativamente, confirmou ser uma efeméride para este apetite. Que o salto do próximo ano seja tão longo como este.

 

lvthnLVTHN ©Daniel Sampaio

 

Um agradecimento especial a Daniel Sampio e à Portuguese Distortion pela cedência das fotografias.
por
em Reportagens

North Dissonant Voices II: Debaixo de um Imenso Ruído
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2019
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?