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NOS Alive’15 – Dia 2 [10Jul2015] Texto + Fotos

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A desilusão dos Prodigy, o triunfo dos Bleachers, a festa dos Ting Tings e a confirmação dos Kodaline.

Logo à entrada deparamo-nos com um palco principal bem mais despido do que aquele que encontrámos no dia anterior, havendo inclusive espaço na primeira fila. Os Blasted Mechanism, quadri-repetentes do festival, foram a banda escolhida para abrir as hostes. Com álbum novo na calha e já 6 editados, a banda portuguesa percorreu praticamente toda a discografia e todos os singles mais relevantes, falhando apenas “Battle Of Tribes”.

Este concerto foi também a estreia dos novos fatos em grandes palcos. Os Blasted deram um concerto como só eles o sabem fazer, com bastante interação com o público, trazendo ao de cima todo o poder místico daqueles os observavam. “The Atom Bride Theme”, instrumental vindo directo de 1997, acabou da melhor forma esta atuação, perdoamos a letra olvidada de “Puxa Para Cima”. Alive é quase sinónimo de Blasted Mechanism, venham mais destes que nunca é demais.

Chegamos ao Palco Heineken para sermos brutalmente surpreendidos pelo concerto dos Bleachers que, diga-se, trouxeram o espírito Eurovisivo ao Passeio Marítimo de Algés. Até o Epic Sax Guy marcou presença. Os Nova-iorquinos atuaram para uma plateia incrivelmente bem composta contando já com uma bela legião de fãs, maioritariamente do sexo feminino, que sabia todas as letras na ponta da língua.

Com apenas um longa-duração lançado (Strage Desires saiu em julho do ano passado) os Bleachers estreiam-se em grande no nosso país com uma excelente presença em palco: dois bateristas, um baixista que faz solos em cima das colunas e um vocalista (Jack Antonoff, também guitarrista dos Fun.) super enérgico, sempre a correr de um lado para o outro do palco, atirando-se para chão, gesticulando freneticamente e falando com o público como se as pessoas fossem os seus velhos amigos de infância. Em termos de música, os Bleachers pouco têm a acrescentar àquilo que já foi feito, porém, em termos de espetáculo valem bem a pena. Uma das maiores surpresas do festival.

Enchente do dia no palco secundário para a estreia dos envergonhados Kodaline em terras lusas. Já esperávamos por bastantes pessoas mas nunca o sucedido. Pouco antes de Mumford & Sons, os irlandeses vieram a Portugal fazer-nos acreditar no amor e provar que o Folk ainda continua na moda.

“Love Like This” põe até os menos fãs a cantar o refrão e ao teclado, Steve Garrigan atira-se à balada “High Hopes”, cantando numa simbiose perfeita com os seus fãs. Houve espaço para tudo, todos os clichés de banda romântica foram praticados: repetição do refrão entoado única e exclusivamente pelos fãs, diversos elogios a Portugal e tentativa de sacar mais do que um “obrigado” na nossa língua materna, saída de mansinho com telemóveis/isqueiros no ar. Tudo o que se esperava foi cumprido eximiamente por uns Kodaline que provam que o sucesso que detêm não se deve à massiva divulgação da sua música mas sim a um trabalho contínuo de aprimoração de concertos ao vivo.

O vocalista Steve Garrigan gritou mais vezes “Portugal!” numa hora de concerto do que nós após o golo de Maniche contra a seleção holandesa no Euro 2004. Uma relação de amor recíproca entre estes novos reis do folk comercial e os fãs portugueses. O concerto terminou com “All I Want” e com Steve a sair sob um enorme aplauso agarrado a uma bandeira portuguesa. “Love like this won’t last forever” cantam os Kodaline. Até pode ser verdade mas não nos importamos, depois disto voltámos a acreditar no amor e saímos com uma alma nova e lavada.

Permanecemos no local do crime para o regresso dos The Ting Tings, 6 anos depois de se terem estreado neste mesmo palco. Este Alive foi feito de regressos. Os The Ting Tings chegam-nos numa fase em que vivem praticamente de êxitos passados e a tenda demonstrou isso mesmo com a maioria dos presentes a cantarem apenas as faixas de We Started Nothing, no entanto, o duo revelou-se bem mais vivo do que a sua música o possa parecer.

Apresentando-se agora na companhia de um DJ, abrem logo com “Great DJ” após um discurso de Jim Morrison e uma sessão de scratch. Delírio absoluto. Em “Shut Up And Let Me Go”, Katie decide mostrar os seus melhores passos de dança e após o término da canção, junta-se a Jules e vão para trás da mesa do DJ passar Talking Heads na versão mais trance possível. Soltam o baixo e transformam um concerto rock na melhor das discotecas da zona, momento para contar aos amigos. Regressam aos instrumentos para interpretarem “Wrong Club”, mostrando que o espírito do disco está bem presente neste novo trabalho. Aquela guitarra à Nile Rodgers diz tudo. “Fruit Machine” e “That’s Not My Name”, esta última com uma versão estendida e com um mixing de scratch com cowbell absolutamente delicioso. Após Katie partir uma corda, levantaram o público metendo o palco Heineken, que já se havia rendido aos encantos do duo (agora trio), completamente em êxtase. Todos sabiam “That’s Not My Name” de cor e salteado.
Segue-se mais um remix, desta feita dos PNAU: “Solid Ground” foi a música escolhida para, mais uma vez, transformarem o palco secundário numa autêntica discoteca. “Hands”, o seu mais recente single, foi escolhido para fechar o concerto mais animado do dia, provando que, apesar de esquecidos pelas massas, os ingleses continuam aí para as curvas. Uma verdadeira festa!

Saímos do festim numa correria desenfreada para o palco G-Star Raw, totalmente dedicado a bandas portuguesas, para apanharmos os Tape Junk a apresentarem em primeira mão o seu mais recente trabalho. Todos vestidos de branco, sem se perceber se retratavam doutores ou fugitivos de um hospício, os portugueses espalharam o seu rock frenético para uma plateia numerosa.

Benjamim, quando não tocava teclado, agarrava-se a uma pandeireta agitando-a de forma desvairada enquanto chocava com os restantes membros da banda. “Thumb Sucking Generation” acabou em grande este curto set, com Joca de cigarro na boca e com o solão de Frankie, faltando apenas o outro em italiano. Esperemos que haja isso em outubro no CCB.

Subimos o recinto para escutarmos o concerto da banda do momento: os Future Islands. Os norte-americanos têm a lição bem estudada: enquanto Samuel T. Herring faz o seu teatro e as suas danças esquizofrénicas, ou seja, entretém o público, o resto da banda limita-se a tocar a música como se fossem robôs, fazendo apenas o estritamente necessário para que o som saia como desejado. Samuel Herring lança os foguetes e apanha as canas, não é preciso mais nada, é o que basta. Com conversas curtas e incisivas diante de uma plateia que tenta reviver os anos 80 em 2015, os Future Islands jogam muito bem com a sua discografia doseando os momentos altos e baixos de modo a tornarem o espetáculo coeso e para não serem lembrados como “a banda daquela música” mas sim pelo seu conjunto de canções, contrastando com outras bandas mais jovens. A experiência conta muito e em festivais ainda mais.

“A Dream Of You And Me” abre o alinhamento que destilou Singles quase integralmente. “Sun In The Morning”, “Doves”, “Light House”… como o próprio nome indica, qualquer música extraída desde álbum poderia ser um single, porém existe uma que sobressai perante as outras, e essa é “Seasons (Waiting On You)”. Às primeiras notas do sintetizador ouve-se logo uma ovação monumental, o público aqui não ficou atrás de Samuel, cantou e dançou como e com ele. Se tivéssemos que escolher a música de 2014 esta seria a escolha óbvia.

Uma hora de concerto que passou a voar e acabou com “Vireo’s Eye”, de In Evening Air (lá está o doseamento das músicas a dar resultado), com um baixo a fazer maravilhas e uma música que nos deixou com um certo sentimento saudosista. Sentimento, esse, que é constante na música dos Future Islands e é por isso que funciona tão bem.

Menos de 5 minutos após os Future Islands terminarem começariam os The Prodigy, headliners do dia, no dia com menos concorrência dos três. Não há muito a dizer sobre este concerto se não que foi um tiro no pé enorme. Um alinhamento curto e demasiado focado no último disco e dois vocalistas que falavam/gritavam em pontos cruciais das músicas.

Digam o que disserem, uma hora e quinze minutos é pouco para um headliner de um festival da dimensão do Alive, especialmente se o alinhamento incidir praticamente num disco recém editado e de qualidade dúbia. Tal como sucedeu com os Muse no dia anterior, os The Prodigy não trouxeram surpresas nenhumas, limitando-se a tocar os seus top5 hits misturados com praticamente todo o The Day Is My Enemy. Dos Prodigy clássicos, aqueles do breakbeat que ficaram famosos e que as pessoas pagam para ver, só mesmo essas 5 músicas antes referidas.

Tudo isto alinhado com os moshs muitas vezes excessivos (alimentados pela grande quantidade de substâncias químicas consumidas pelo público) e com ambos os vocalistas a tirarem o clímax de músicas como “Voodoo People” ou “Firestarter.

Ainda não tinha passado um hora desde o início do concerto e já Keith Flint e companhia se tinham ausentado do palco após “Smack My Bitch Up”. Voltariam pouco depois para “Rise Of The Eagles” (mais uma do novo disco), “Their Law” e “Take Me To The Hospital”. Ainda ficámos à espera de um possível segundo encore, nós e o resto do público, mas não. Era de vez. Onde ficaram “Poison”, “Jericho”, “Spitfire” ou as mais recentes “Warrior’s Dance” ou “World’s On Fire” (que inclusive dá título ao único álbum ao vivo da banda)? Devem ter ficado em Braintree, porque a Portugal não chegou nada.

Coube a Roisin Murphy, líder dos Moloko, encerrar o segundo dia do NOS Alive com um concerto agradável mas que pecou, lá está, pelos clássicos de Moloko e temas como “Overpowered” e “You Know Me Better” terem faltado. É verdade que os Moloko já acabaram há mais de 10 anos, é verdade também que a inglesa já lançou três álbuns a solo, incluindo um já este ano, no entanto como a esperança é a última a morrer, esperávamos ouvir “Sing It Back” e “The Time Is Now”, temas que encheram as pistas de dança no início do milénio.
Fora a ausência das músicas emblemáticas, nada podemos apontar à sua atuação. Roisin Murphy atuou no after de Prodigy e contou com um público “a leste do paraíso”, no entanto esforçou-se por dar o melhor de si e o melhor que conseguia extrair do seu mais recente trabalho Hairless Toys, que, de resto, até está bem conseguido. O comboio arrancava às 02:45 sem atrasos, uns ficaram em terra e outros chegaram a tempo de entrar na viagem. Os que entraram, divertiram-se. Pelo meio do seu synthpop surgiam temas fora desse registo como é o caso do tema mais jazzístico “Gone Fishing” ou o combo disco/funk “Jealousy” e “Exploitation” que não deixaram ninguém quieto.

Após experimentar uma série de indumentárias e máscaras, Roisin Murphy decide-se ficar pela mascarilha redonda e terminar o set com uma versão bastante diferente de “Pure Pleasure Seeker” (esta sim, dos Moloko) e com o reprise de “Evil Eyes”. Roisin Murphy satisfez todos aqueles que se encontravam dentro do comboio, os que já não entraram paciência, chegassem mais cedo ao planeta Terra.

 

Destaques do dia:

  • Bleachers
  • Kodaline
  • The Ting Tings

 

Imagens de outros concertos:

 

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Comentarios

comentarios

Por Diogo Alexandre / 16 Julho, 2015
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1 comentário

  1. anonimo

    Prodigy não é para quem quer, é para quem pode. Um reporter que prefere folk fazer uma reportagem de Prodigy faz muito sentido….

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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