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NOS Primavera Sound 2015 - Dia 1 [04Jun2015]

08 de Junho, 2015 ReportagensWav

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NOS Primavera Sound 2015 - Dia 2 [05Jun2015]

Serralves em Festa 2015
1ºdia_5 Junho_NOS PRIMAVERA SOUND 2015 _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography NOS Primavera Sound 2015 © Hugo Lima

Na passada quinta-feira, 4 de Junho, começou a quarta edição do NOS Primavera Sound, o primeiro festival de grande dimensão do ano em solo nacional e certamente o maior dos que se dão a norte do país. Ultrapassado o primeiro dia de concertos, terão certamente havido vencedores e derrotados, nomes mais consensuais e outros que dividiram opiniões, uns ainda que terão sido injustiçados e outros até sobrevalorizados.

Na primeira noite de festival, como é habitual, era possível assistir a praticamente todos os concertos, dado que só os dois palcos principais iam alternando entre si. Houve apenas tempo para uma sobreposição, com a subida de Patti Smith ao Palco Pitchfork, naquela que seria a sua primeira de duas atuações no festival, enquanto Mac DeMarco tocava no Palco NOS, o maior do recinto.

Tudo o que podemos dizer agora é que essa sobreposição não podia vir mais a calhar. Tal como aconteceu no ano passado em Paredes de Coura, o concerto de Mac DeMarco ficou marcado por uma onda de indolência e letargia permanentemente transpirada pelos membros da banda da nova coqueluche do Indie Pop, para além de que a equalização do som se revelou novamente deficiente. A somar às linhas de guitarra pouco percetíveis, intermináveis conversas sem sentido entre Mac e os seus companheiros de banda e reações histéricas e exageradas por parte de fangirls a um concerto francamente desinspirado, só nos deram vontade de ir assistir ao concerto mais intimista e em formato acústico de Patti Smith na tenda do Palco Pitchfork, ainda que no dia seguinte pudéssemos ouvir essa lenda do rock novamente. Não podíamos ter tomado melhor decisão.

PATTI SMITH ACOUSTIC _1ºdia_5 Junho_NOS PRIMAVERA SOUND 2015 _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography Patti Smith © Hugo Lima

Chegámos sensivelmente a meio da atuação de Patti, mas ainda a tempo de assistir à fabulosa rendição de "Beautiful Boy (Darling Boy)" de John Lennon e Yoko Ono. "Life is What Happens to You While You're Busy Making Other Plans" ainda ecoava na nossa cabeça quando nos deparávamos com uma sucessão de malhões do Patti Smith Group, como "Pissing In A River" e "Because The Night", que serviam para comprovar a magnífica voz, absolutamente inalterável, da singer-songwriter natural de Chicago. Em coro, todo o público se juntava a Patti a cantar a plenos pulmões "Because the night belongs to lovers, because the night belongs to us", antes desta lenda feminina da história do rock terminar com mais um hino: "People Have The Power" levou à apoteose o público que, a início se previa que fosse assistir ao concerto sentado nas cadeiras previamente colocadas no Palco Pitchfork, mas que rapidamente se levantou para saudar a atuação gloriosa de Patti Smith, o primeiro grande momento do festival.

Esta performance arrebatadora de Patti Smith abriu o apetite para outra das estrelas femininas do dia e do NOS Primavera Sound. FKA Twigs era a única estreia em Portugal entre as bandas que compunham o cartaz do dia 4 de Junho e rapidamente se percebeu que é alvo de um admirável cult following por cá e que muitos foram os seus admiradores a encher a plateia do Palco Super Bock, o segundo maior do recinto. Embora visualmente apelativo, quase futurista, o concerto de FKA Twigs ficou marcado, inicialmente, por uma certa estranheza causada pelas mudanças que são feitas na transposição das suas canções de estúdio para as atuações ao vivo.

Embora "Video Girl" tenha conquistado o público logo à segunda canção, foi preciso esperar que "Numbers" e "Two Weeks" e, mais para o final do concerto, "Papi Pacify" voltassem a arrancar do público uivos e aplausos mais intensos. Os baixos e batidas alienígenas e toda a atuação completamente teatral de FKA não serviram, ainda assim, para disfarçar alguma da monotonia que, apesar dos ritmos dançáveis, marcou a estreia em Portugal desta nova rainha da pop alternativa. Apesar de tudo, foi um concerto competente de Twigs, que não caiu na tentação fácil de se cingir aos temas do seu LP1, altamente aclamado e que a levou ao estrelato, conseguindo mesmo assim arrancar com os seus hits alguns dos melhores momentos do primeiro dia de NOS Primavera Sound.

FKA TWIGS _1ºdia_5 Junho_NOS PRIMAVERA SOUND 2015 _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography FKA Twigs © Hugo Lima

Mas voltando ao início, algumas horas antes, os adjetivos "futurista" e "alienígena" também serviriam para descrever o que se passava no Parque da Cidade, com o concerto de abertura dos NOS Primavera Sound. Como tem sido hábito ao longo das últimas edições, foi um nome português a abrir o alinhamento do dia, por isso coube a Bruno Pernadas a responsabilidade de ser o primeiro a subir ao Palco Super Bock. O seu rock psicadélico e tropical foi apresentado no festival com o formato banda, o que aconteceu em muito poucas ocasiões desde o lançamento do triunfante LP de estreia do músico, How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?. Fez-se acompanhar por Francisca Cortesão dos Minta & The Brook Trout, Afonso Cabral dos You Can't Win Charlie Brown e uma generosa quantidade de outros músicos. Pernadas proporcionou ao público ainda pouco numeroso que se encontrava no recinto um belo concerto, de fazer jus a um dos grandes discos nacionais dos últimos anos, com especial destaque para "Galaxy", autêntica odisseia entre o jazz e a psychedelia, e que poderá fazer parte de um eventual novo trabalho do músico membro do Real Combo Lisbonense.

O seu concerto acabou por ser bem mais convincente do que o dos Cinerama, que diretamente lhe seguiram. David Gedge, líder dos The Wedding Present, trouxe à cidade do Porto o seu outro projeto, mas apesar da longa carreira desta banda de Indie Pop britânica, pouco foi feito para contrariar a música algo datada e genérica do grupo. No fim da tarde, Mikal Cronin levou o seu Garage Rock tingido de Power Pop para o Palco Super Bock e acabou por ser uma espécie de descaracterização desse som mais cheio e noisy de estúdio para um outro mais genérico e guitar-driven ao vivo que fez com que tenha sido um concerto bastante competente. Com MCIII acabado de lançar, a sua setlist contemplou alguns dos novos temas mas também revisitou o seu primeiro (e, na nossa opinião, melhor) disco com excelentes malhas de Garage Rock puro e duro como "Apathy" e "Get Along".

INTERPOL _1ºdia_5 Junho_NOS PRIMAVERA SOUND 2015 _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography Interpol © Hugo Lima

Ainda assim, os grandes embaixadores do rock no primeiro dia do NOS Primavera Sound 2015 e, certamente, um dos nomes mais aguardados de todo o festival, fizeram o seu regresso a Portugal depois de terem marcado presença no NOS Alive 2014. Falamos dos Interpol que, desta vez, num cenário bem diferente e com um público certamente mais fiel e realmente interessado em ver bons velhos hits como "Evil" ou "Slow Hands", Paul Banks e companhia ofereceram-nos o segundo grande concerto da noite.

Uma das chaves do sucesso foi, sem dúvida, a setlist. Pelo menos para nós, fãs de Turn On The Bright Lights, disco do início da década de 2000 que tem potencial para se tornar num clássico moderno e que facilmente poderá ser considerado como um dos melhores álbuns dos últimos 20 anos. Desse disco saiu boa parte do grosso do concerto, ficando a faltar apenas quatro canções para que tivesse sido interpretado na íntegra. Começando com "Say Hello To The Angels" e tendo nas primeiras cinco músicas clássicos como "Hands Away", "Evil" ou "Leif Erikson", não foi difícil captar a atenção de um público desejoso de ouvir o exímio revivalismo pós-punk dos Interpol do início da década passada.

Por entre um ou outro momento de maior monotonia, principalmente quando interpretadas canções do bem recente El Pintor ou do pouco convicente Our Love To Admire, a banda nova-iorquina foi alcançando ovações quando interpretava de maneira extremamente fiel e competente algumas das melhores canções dos seus dois primeiros discos. Para o encore sobraram "Untitled" e "Stella Was A Diver And She Was Always Down, esta última uma das fan-favourites, e ainda o principal single saído de El Pintor, "All The Rage Back Home".

Embora sem exuberâncias ou grandes adornos e longe de darem um concerto brilhante, os Interpol fizeram o que lhes competia: apresentaram ao vivo uma grande parte daquilo que, como banda, já compuseram. Ficaram a faltar "NYC" e "Obstacle 1" para que a setlist fosse praticamente perfeita, mas houve riffs de baixo e guitarra de sobra para que houvessem momentos de verdadeira catarse no Palco NOS.

JUAN MACLEAN _1ºdia_5 Junho_NOS PRIMAVERA SOUND 2015 _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography The Juan MacLean © Hugo Lima

Para terminar a noite, veio a eletrónica. The Juan MacLean e Caribou dariam por terminada uma noite em que as guitarras predominavam, primeiro com o dance-punk e nu disco do coletivo com selo DFA Records liderado por John MacLean e, por fim, com a pop elegante, dançável e cerebral de Caribou, projeto liderado por Dan Snaith. The Juan MacLean apresentaram as suas canções vibrantes e extrovertidas num concerto em que a voz de Nancy Whang predominou, energética e sempre como se de uma verdadeira festa se tratasse. Durante uma hora a plateia do Palco Super Bock transformou-se numa pista de dança, em jeito de aquecimento para outro dos grandes nomes da noite, Caribou, que subiria ao palco logo a seguir.

Já passava da uma da manhã quando subiram ao palco quatro músicos, todos vestidos de branco, alinhados em frente à imagem caleidoscópica de Our Love, capa do disco lançado no ano passado por Caribou. À cabeça estava Dan Snaith, génio da eletrónica que se transformou de promessa da folktronica a estrela da música de dança alternativa. O já clássico deste século Swim, lançado em 2010, levou definitivamente Dan Snaith e a sua banda para ribalta e Our Love veio reconfirmar a este projeto canadiano o estatuto de estrela da Pop Electrónica da atualidade.

E foi exatamente destes dois discos que saiu a totalidade do concerto de Caribou no Parque da Cidade do Porto, que abriu em grande logo com a faixa homónima do novo álbum. "All I Ever Need", "Silver" e "Kaili" foram animando um concerto que, depois de "Odessa" e  "Your Love Will Set You Free", teve um dos momentos mais aguardados com "Can't Do Without You" deixada para o fim da atuação. A banda saiu de palco debaixo de uma enorme ovação mas também quem saiu de imediato foi parte de um público já cansado e que apenas esperava pela música com maior airplay do canadiano nas rádios alternativas.

Mas havia encore e quem ficou foi premiado, e de que maneira! A noite ficou fechada de forma perfeita ao som da melhore malha de um dos grandes discos deste século. "Sun", do aclamado Swim, tornou memorável o concerto de Caribou e coroou-o como o melhor do dia, levando até Mac DeMarco a fazer crowdsurf, arrancando sorrisos do próprio Dan Snaith em palco. O melhor ficou mesmo para o fim.

 
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