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NOS Primavera Sound 2015 - Dia 2 [05Jun2015]

08 de Junho, 2015 ReportagensWav

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NOS Primavera Sound 2015 - Dia 3 [6Jun2015]

NOS Primavera Sound 2015 - Dia 1 [04Jun2015]
2ºdia_6 Junho_NOS PRIMAVERA SOUND 2015 _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography NOS Primavera Sound © Hugo Lima

Chegados ao segundo dia de NOS Primavera Sound, dia marcado por um recorde de assistência num dia do festival, era muita a esperança num dia que nos enchesse verdadeiramente as medidas. De nomes consagrados pelo tempo a bandas de culto, passando por novos valores da música electrónica ou mestres do do-it-yourself, promessas do hip-hop, colossos do metal ou músicos com lugar reservado no panteão da folk, o dia 5 de junho era um dia para todos os gostos no Parque da Cidade do Porto.

Depois do triunfante concerto em formato acústico do dia anterior, Patti Smith voltaria a ter hora marcada com o público do NOS Primavera Sound, desta feita no palco principal. O objetivo era interpretar Horses, o seu disco de estreia lançado em 1975, que nestes 40 anos que passaram veio a ser paulatinamente colocado entre os maiores discos da história. "Jesus died for somebody's sins but not mine", início emblemático de "Gloria", deu o mote para um concerto irrepreensível por parte de Patti e seus companheiros de banda, com especial destaque para Lenny Kaye, guitarrista do Patti Smith Group que faz parte da banda desde o início da carreira da singer-songwriter de Chicago. Horses foi reinterpretado no Parque da Cidade com tamanha energia que, não sabendo nós da idade de Patti Smith, nunca imaginaríamos estar perto dos 70 anos. A sua voz permanece imaculada e poderosa, dando azo a que "Birdland" se tornasse num autêntico one-woman show, demonstrando toda a enormidade de Patti enquanto cantora, compositoria e sobretudo poetisa.

Até final, e já após "Elegie", faixa final de Horses, prestar homenagem a inúmeros ilustres como Jim Morrison, Lou Reed ou Jimi Hendrix, houve ainda tempo para duas surpresas: dois dos singles mais conhecidos da carreira de Patti Smith foram interpretados no encore. "Because The Night" colocou todo o mar de gente que se juntava perto do Palco NOS a cantar a plenos pulmões e "People Have The Power" finalizou com a sua mensagem poderosa um concerto que mostrou que o punk ainda está bem vivo.

Patti Smith © Hugo Lima Patti Smith © Hugo Lima

Outro dos grandes destaques do dia aconteceu já para lá da meia-noite, quando Antony Hegarty e a sua orquestra de mais de quarenta elementos subiu a um Palco NOS completamente lotado (dado que, talvez por exigência do próprio, nada mais tocaria à mesma hora noutros palcos) e deu um dos concertos mais únicos e visualmente estonteantes do festival mas, ao mesmo tempo, um dos que menos público cativou.

De vestes totalmente brancas, e à frente de uma orquestra gigantesca e seu maestro, Antony Hegarty foi protagonista de um concerto singular e que fez uso das imagens perturbadoramente arrebatadoras do filme de 1973 Mr. O's Book Of The Dead de Chiaki Nagano para criar um ambiente visualmente único, quase sagrado. Apesar dos bonitos arranjos orquestrais das suas canções, rapidamente o público como que dispersou, não aderindo em massa a um concerto que teve alguns belos momentos como "Cripple And The Starfish", "Cut The World", "Epilepsy Is Dancing" ou o fantástico fecho com "Hope There's Someone".

A monotonia que marcou em geral este concerto, que era, na verdade, um dos principais destaques de todo o festival, levou a que todas as energias carregadas durante a performance de Antony & The Johnsons fosse dispendida nos concertos que se lhe seguiam. No Palco ATP, subiam ao palco os Run The Jewels, duo de hip-hop composto por Killer Mike e El-P que levou à loucura os muitos fãs que se juntavam perto deste já mítico palco do Primavera Sound. Rapidamente as batidas agressivas e samples de electrónica do duo puseram em apoteose um público que teria nos Run The Jewels a única hipótese de testemunhar um pouco de hip-hop na edição de 2015 do NOS Primavera Sound, depois da vinda no ano anterior de Kendrick Lamar à cidade do Porto.

Pode-se dizer que conquistaram o público logo desde o início: "We Are The Champions" serviu de entrada triunfal para uns Run The Jewels que com autênticos hinos de conscious hip-hop como "Close Your Eyes (And Count To Fuck)" ou "Lie, Cheat, Steal" colocaram todo o público com as mãos no ar a gritarem palavras de ordem anti-capitalismo em uníssono. Assim, acabou por ser um dos mais memoráveis concertos do NOS Primavera Sound 2015.

JUNGLER _2ºdia_6 Junho_NOS PRIMAVERA SOUND 2015 _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography Jungle/Run The Jewels © Hugo Lima

Ao mesmo tempo, no palco Super Bock, atuavam os Jungle, que acabaram também por ter sido uma das bandas sensação do festival. Depois de no festival irmão em Barcelona terem sido muitíssimo aclamados após uma atuação de grande nível, o colectivo desta pop electrónica carregada de soul e irresistivelmente dançável terminou em beleza os concertos agendados para os palcos principais.

"Julia" e "The Heat" marcaram inicialmente o ritmo para um concerto que se deu sempre a um ritmo alucinante, mas os dois grandes momentos foram deixados para o fim. Assim que se começou a ouvir o riff de "Busy Earnin'", a loucura instalou-se e toda a multidão cantou em uníssono com Josh Lloyd-Watson e Tom McFarland um dos refrões mais catchy do ano que passou. "Time", mais um single de excelência, deu por terminado mais um dos grandes concertos de um final de noite extremamente enérgico e apoteótico. Resta-nos apostar que se estes Jungle lançarem um segundo disco ao nível deste homónimo de estreia, arriscam-se a tornar num caso sério de popularidade mundial. Se no dia anterior grande parte do público foi para casa a murmurar "I can't do without you... I can't do without you", ao fim desta noite muitos seriam os que levavam na cabeça "Time and, time and, time and, time and time again".

Se é verdade que Run The Jewels e Jungle são dois nomes que só muito recentemente chegaram à ribalta do indie, o mesmo não se pode dizer de The Replacements e Spiritualized, duas das bandas de culto presentes no cartaz do Primavera Sound 2015 e que tiveram o seu auge de popularidade nos anos 80 e 90, respectivamente.

Se é verdade que os Replacements já não têm a mesma energia do punk relativamente ao tempo em que lançaram discos icónicos como Let It Be, não será menos verdade que continuam a ser uns animais de palco. Com o fim anunciado, e tendo sido este, provavelmente o último concerto da sua carreira, não fizeram a coisa por menos: uma hora e meia repleta com vinte e quatro das melhores malhas de guitarra que se fizeram nas últimas décadas. Apesar de não terem levado, nem de perto nem de longe, tanto público ao Palco NOS como Patti Smith, os fãs que estavam permaneceram fiéis durante todo o concerto, tal era a energia transparecida por Paul Westerberg e Tommy Stinson, os dois membros da formação original da banda do Minnesota. "Kiss Me On The Bus" levou pela primeira vez o público a cantar juntamente com a banda, sendo que "Androgynous" e "I Will Dare" deram um ar da graça de Let It Be, disco de 1984 que facilmente podemos afirmar que terá mudado o rock alternativo.

Até final, um cover de Chuck Berry, "Maybellene", e outro grande momento com o hino "Bastards Of Young". "We are the sons of no one" ainda ecoava na cabeça do público quando a banda voltava para um encore que começava de forma magistral com um cover de "20th Century Boy" dos T.Rex, rendição essa que deixaria Marc Bolan mais do que orgulhoso. "Alex Chilton", carta de amor ao líder dos Big Star, terminou na perfeição um concerto que, por si só, foi uma homenagem ao bom velho rock que esperamos nunca se perder. Glórias sejam dadas aos Replacements.

THE REPLACEMENTS _2ºdia_6 Junho_NOS PRIMAVERA SOUND 2015 _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography The Replacements © Hugo Lima

Logo a seguir, outra banda a caminho de se tornar lendária subiria ao Palco ATP. Liderados por Jason Pierce e formados a partir das cinzas dos seus mui amados Spacemen 3, os Spiritualized fizeram assim o seu regresso ao festival portuense depois de em 2012 terem estado presentes na primeira edição do Primavera Sound. A fusão entre space rock e gospel que torna estes britânicos únicos foi, novamente, aplicada na perfeição. Começando de forma mais introspectiva com "Here It Comes (The Road, Let's Go) ou "Lord Let It Rain On Me", foi exactamente a alternância de autênticos malhões e hinos do indie rock dos anos 90 como "Electricity" ou "She Kissed Me (It Felt Like A Hit)" com canções de espiritual negro de coração aberto como "Shine A Light" ou "Oh Baby" que transformou a actuação dos Spiritualized numa autêntica viagem. Para ouvir de olhos fechados.

"Take Your Time", canção com 23 anos saída de Lazer Guided Melodies, fechou de forma perfeita um concerto que personificou a simbiose perfeita entre a melhor jam e a melhor melodia. Jason Pierce está à vontade para voltar quando quiser. Este era mais um dos concertos a fazer desta sexta-feira de festival como um dos grandes dias da história do Primavera Sound.

Nesse mesmo palco, umas horas antes, actuou Yasmine Hamdan, a abrir as hostilidades nos palcos secundários, depois de um primeiro dia em que todos os concertos se deram no Palco NOS e Super Bock, os dois maiores do recinto. E a verdade é que o concerto desta libanesa acabou por ser uma das grandes surpresas do festival. A indie pop exótica, oriental de Yasmine Hamdan acabou por ser uma lufada de ar fresco, tal foi a capacidade que demonstrou de oferecer ao público portuense um tipo de música alternativa "fora da caixa", completamente diferente do Indie Rock por vezes genérico ou pouco inovador que muitas vezes ouvimos no ocidente. Durante cerca de 45 minutos, o Palco ATP transformou-se na filial portuense do Músicas do Mundo, naquele que foi mais um muito cativante concerto nas tardes do palco ATP, como já tem sido hábito durante a história deste festival. Yasmine acabou mesmo por ser convidada para subir ao palco de Sun Kil Moon, horas mais tarde, para ovação geral.

Apesar das escolhas difíceis que nos proporcionaram as sobreposições de horários, ainda houve tempo para ficar no Palco ATP para ver um pouco de Viet Cong, já bem perto da hora do pôr-do-sol na cidade do Porto. Bastou ver o início do concerto da banda canadiana para comprovar que a intensidade dos Viet Cong em estúdio é transposta de maneira bastante sólida para as suas actuações ao vivo.

As guitarras intensas e angulares de Matt Flegel e companhia iam-se acumulando a uma grande cadência, naquele que foi um concerto pragmático, directo ao assunto, e extremamente eficaz.  Apesar de "Silhouettes" logo quase ao início, foi uma reta final de concerto arrebatadora com "March Of Progress", "Continental Shelf" e principalmente os mais de 10 minutos de "Death" que formaram os pontos mais altos de um concerto que transpôs de forma muito competente o pós-punk acelerado dos Viet Cong para uma sonoridade ao vivo igualmente agressiva mas ao mesmo tempo cerebral.

YASMINE HAMDAN _2ºdia_6 Junho_NOS PRIMAVERA SOUND 2015 _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography YASMINE HAMDAN/VIET CONG © Hugo Lima

Também no palco ATP, o início de noite na cidade do Porto não poderia criar ambiente mais propício à entrada em palco do gigantesco nome do metal presente no cartaz do NOS Primavera Sound, os Electric Wizard. Depois de terem assinado um dos mais demolidores concertos do ano passado no Reverence Valada, esperava-se que os britânicos liderados por Jus Oborn dessem o mais violento concerto do festival.

A verdade é que o Stoner Doom dos Electric Wizard viu o seu volume ser ligeiramente diminuído para que não interferisse com os outros concertos. A potência, essa, manteve-se intacta. Mas o ambiente que circundou o concerto acabou por não ser o ideal para os verdadeiros fãs do estilo: muitos eram os que, na fila da frente, esperavam por Run The Jewels. Bolinhas de sabão durante uma banda assumidamente satânica, mosh "barato" ou selfies desvirtuaram o ambiente de um concerto em quem muitos, na verdade, não estariam interessados. A posteriori pode-se mesmo dizer que a decisão de ter Run The Jewels no palco ATP não foi a mais acertada, mas, também não se compreende como público destas gerações mais jovens não aproveitam a verdadeira dádiva que o Primavera Sound proporciona com muitas pérolas espalhadas pelos quatro palcos do festival. Especialmente neste festival em que, entre os festivais de grande dimensão em Portugal, deve ser o mais fácil de chegar perto de uma linha da frente de qualquer palco a qualquer altura.

Ainda assim, muitos foram os que entraram na sua "doom bubble" e, ignorando o que se passava à sua volta, entraram em transe e absorviam o som arrebatador da banda britânica, abanando a cabeça ao ritmo dos riffs cheios de distorção. Do novo álbum, Time to Die, não se ouviu um único tema, apostando a banda nas suas clássicas malhas que, sem esquecer "Black Mass", foram extraídas dos discos Witchcult Today e claro, Dopethrone, do qual saíram os temas que mais headbangs arrancaram, com "Funeralopolis" a fechar o concerto com chave de ouro.

Continuando na senda do metal, era momento de espreitar um dos novos grandes valores dentro do estilo, os Pallbearer. No festival irmão de Barcelona, é recorrente que as bandas de metal façam parte do cartaz, mas tal não costumava suceder no Porto, até esta edição. Se os Electric Wizard levaram uma enchente ao concorrido Palco ATP, também na tenda do Palco Pitchfork uns Pallbearer muito mais bem oleados e intensos que os que vimos no Amplifest reuniram um generoso grupo em torno de si.

Sendo um dos mais interessantes projetos da atualidade do doom metal, o disco Foundations of Burden elevou o estatuto desta banda do Arkansas para um outro nível. Ainda assim, não só desse disco saiu a setlist do concerto. Também Sorrow And Extinction, de 2012, viu algumas das suas músicas serem interpretadas, e felizmente foi possível assistir a um concerto em que o volume pôde estar mais condizente com o estilo da banda, dadas as potencialidades acústicas da tenda Pitchfork.
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