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NOS Primavera Sound 2015 - Dia 3 [6Jun2015]

12 de Junho, 2015 ReportagensWav

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Gregory Porter @ Coliseu dos Recreios - Lisboa [9Jun2015] Texto + Fotos

NOS Primavera Sound 2015 - Dia 2 [05Jun2015]
FOXYGEN _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography Foxygen © Hugo Lima

Tal como no dia anterior, o palco ATP abriu outra vez em modo músicas do mundo. Desta vez, pelos acordes dos Xylouris White, um duo formado pelo guitarrista grego George Xylouris e por Jim White, baterista dos The Dirty Three, que andam a apresentar o álbum de estreia Goats, produzido por Guy Picciotto dos Fugazi. Ainda com a tarde muito quente e o sol alto, nada melhor do que ver um concerto destes, deitado na encosta do palco ATP, bebendo um bedida gelada e curando do torcicolo provocado pelos headbangs passados em Electric Wizard e Pallbearer, que tinham atuado no dia anterior. A fusão entre a música tradicional grega, que às vezes nos remetia para ambientes medievais, com um rock cru funcionava na perfeição, com as batidas de Jim White na bateria e todo aquele ambiente enigmático a nos fazer imaginar uns OM em formato acústico. Esses mesmos OM que, em 2013, deram um dos mais memoráveis concertos do palco ATP.

Minutos depois, damos por nós envoltos na primeira das várias enchentes que invadiram o palco ATP neste dia. Depois de Lee Ranaldo ter atuado ali na primeira edição do festival, era agora a vez de Thurston Moore subir ao mesmo palco, para a satisfação dos muitos fãs de Sonic Youth que desde cedo se passeavam pelo recinto, vestindo t-shirts da banda com uma bem visível preferência para a do clássico Goo.

A parte da frente da plateia estava repleta e praticamente toda a encosta ocupada com espectadores sentados, cenário praticamente inédito no ATP a esta hora da tarde. Moore sobe ao palco acompanhado por Debbie Googe, baixista dos My Bloody Valentine e ex-Primal Scream, Steve Shelley, ex-baterista dos Sonic Youth, e ainda pelo guitarrista James Sedwards, ouvindo-se de imediato os primeiros acordes do tema “Forevermore”, a mais longa faixa de The Best Day. Este é o mais recente álbum a solo de Thurston Moore, não só gravado por ele mas também pelos artistas que o acompanham agora em palco. O single “Speak to the Wild” é tocado logo de seguida, provocando uma imediata ovação no público. Depois de “Germs Burn”, Moore anuncia que já estão a gravar músicas novas para um futuro álbum e que este coletivo vai continuar, tocando de seguida “Cease Fire”, um desses novos temas.

O concerto chegaria ao fim com “Grace Lakee o seu apoteótico solo de distorção, deixando o público cada vez mais rendido à medida que a intensidade do tema aumentava. No fim, só nos resta continuar a sonhar que depois dos concertos de Lee Ranaldo e Thurston Moore, Kim Gordon se junte outra vez a eles e que, noutra edição do festival, lá mais abaixo no palco NOS, aconteça o tão desejado regresso dos Sonic Youth.

Descendo até ao palco Super Bock, esperava-nos um cenário enigmático. Ainda com Baxter Dury a atuar no palco NOS, já uma legião de fãs dos Foxygen aguardava em frente do palco vizinho, que se revelava pronto para o início do concerto. Os instrumentos estavam cobertos por adereços, como flores, luzes de natal ou balões de papel, que contrastavam com um logótipo satânico em pano de fundo, a cabeça de um boneco em cima de um amplificador e ainda velas em candelabros. Entre o fim de Baxter Dury e a entrada dos Foxygen, entoava no sistema sonoro uma música típica de uma carrinha de gelados, tornando tudo isto verdadeiramente desconcertante. Quem nunca tinha visto nenhum vídeo de um concerto dos Foxygen, certamente não imaginaria o que se iria suceder.

Oito dos nove membros do formato live da banda entraram em palco sob o forte histerismo das linhas da frente do público, iniciando de imediato uma abordagem muito mais Rock ‘N’ Roll do tema “We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic”, extraído do disco com o mesmo nome. Mas faltava o vocalista Sam France que, vindo não se sabe bem de onde, aparece pelo meio do público, saltando a grade e trepando para o palco. Em palco via-mos um verdadeiro festival, com France, completamente louco, a saltar e a espernear por todo o lado, três dançarinas num estilo híbrido entre cheerleaders e Pin Ups dos anos 60, sempre com poses muito características destas últimas, um Jonathan Rado com um casaco tipicamente americano e ainda outro guitarrista que, com as suas calças justas, cabelo comprido e olhos pintados de preto nos fazia imediatamente lembrar Jonas, não o Pistolas, mas o conhecido festivaleiro português, recentemente expatriado graças às políticas de Passos Coelho e companhia. Mitos urbanos, dizem por testes dias.

Seguiu-se “Blue Mountain”, com uma energia e teatralidade incríveis, e Sam France em modo Rock ‘N’ Roll, com um estilo a fazer lembrar um Mick Jagger ou um Iggy Pop completamente cocainados. Antes de se atirar a “Coulda Been My Love", o vocalista californiano anuncia que acabou o relacionamento com a sua namorada no dia anterior e que estava muito triste com o facto, repelindo que merece beber e, pegando numa garrafa de whiskey quase cheia, bebe-a de enfiada. Resta é saber se o que estava lá dentro era mesmo whiskey ou se isto não fez parte da teatralidade que marcou todo o concerto.“Coulda Been My Love”, de seguida, começou com gritos aterradores e desconcertantes por parte das dançarinas e do próprio vocalista, condizentes com o pano de fundo e com os candelabros que agora estas seguravam. Mas rapidamente o tema explodiu para a toada Rock ‘N’ Roll, por vezes a roçar Disco, que marcou todo o concerto. Quem estava à espera que as músicas fossem reproduzidas exatamente como em estúdio saiu desiludido, mas para isso ouvia-se em casa, não é? Na nossa opinião, estes Foxygen transformaram o aborrecimento que são em disco num dos melhores concertos do festival.

Em mais um episódio teatral, depois de uma luta de espadas em palco, um dos elementos diz que está farto e que vai embora para se alistar nos Death Cab for Cutie, saindo também toda a banda do palco, atrás dele. No sistema sonoro ficaria a passar a gravação do hit “San Francisco”, que não foi abordado ao vivo, com o refrão cantado em uníssono pelo público. A banda volta a aparecer, sobre apoteose, e começa por abordar uma versão de “Let It Be”, dos Beatles, ideia rapidamente abandonada. Avançam de imediato para um demolidora reta final de concerto, com os hits “Shuggie” e “No Destruction”, ainda com “Teenage Alien Blues”, do disco de estreia, pelo meio. O concerto acabava de seguida com “Everyone Needs Love” e um forte pedido de encore pelo público. Mas já não havia tempo para mais.

FOXYGEN _ © Hugo Lima | www.hugolima.com | www.fb.me/hugolimaphotography Foxygen © Hugo Lima

De volta ao palco ATP encontramos as Babes in Toyland em palco e uma Kat Bjelland com a sua voz badass a cantar, rápido nos provocando um sorriso com o contrastar da voz fininha com que fala. No Primavera Sound já estamos mais que habituados a reuniões e “desenterranços” e este é mais um desses casos. Percursoras do Grunge, pertencentes a uma época de ouro do Rock Alternativo e completamente esquecidas pelo tempo, apresentaram-se em grande forma neste Primavera Sound, depois de 15 anos paradas. De fazer inveja a muita banda atual. E prova que esta não é uma banda qualquer é a quantidade de figuras incontornáveis que se encontravam a assistir ao concerto nas linhas da frente: Thurston Moore, Adolfo Luxúria Canibal ou Nuno Calado da Antena 3 abanavam a cabeça como um qualquer adolescente nos anos 90 a ver uma banda destas na época alta do grunge.

E esse mesmo Adolfo Luxúria Canibal decerto ficou para o concerto que se seguia no palco ATP para assistir à atuação de uma das bandas que mais inspirou os seus Mão Morta: os pais da música industrial, Einstürzende Neubauten. Até mesmo física e visualmente a banda bracarense se terá largamente inspirado neste esquizofrénico coletivo germânico, assim como muito terão “bebido” também dos Swans. Naquela que foi a segunda grande enchente do dia no Palco ATP, o cenário estava montado à boa moda de Blixa Bargeld e companhia: bidões, uma espécie de turbina, moldes, molas, caixas de metal nos instrumentos de teclas e cordas. “Engenharia alemã”, brincava Jochen Arbeit.

A nota negativa do concerto acaba mesmo por ser alheia aos músicos germânicos: a parte mais calma e ambiental de “Sonnenbarke” acabou por ser perturbada pelos gritos que se ouviam, vindos do palco NOS, onde ainda atuava Damien Rice. Peças metálicas derrubadas de um contentor colocado bem alto no palco punham fim a “Von Wegen” de uma forma apoteótica e barulhenta, comprovando o porquê de se chamar a este rock de industrial. Não temos dúvidas que Álvaro de Campos iria gostar.

Com o avançar do concerto foram usadas novas peças nos instrumentos construídos à mão pelo multi-instrumentalista e percussionista N. U. Unruh: desde bidões de plástico e metal, até uma estrutura com tubos para percussão, passando pela tal turbina, que rodando e fazendo raspar as baquetas no movimento, produzia um som semelhante ao de um xilofone. Era o experimentalismo em cru trazido para o palco. Não é todos os dias que podemos assistir a uma performance de tamanha imensidão: crus, cerebrais, sombrios, enigmáticos, catárticos. Assim são uns Einstürzende Neubauten, que usam o som e o silêncio em toda a sua amplitude, em que todo o espaço sonoro é milimetricamente calculado e nada no meio do seu marasmo noise é lá colocado por acaso. Silence is sexy, indeed.

Por esta altura, no palco Pitchfork, atuavam já as simpáticas Ex Hex com uma tenda muito bem composta. O quanto, a vocalista Mary Timony não conseguiu ver ao certo, uma vez que não tinha os seus óculos, brincando com esse facto. Sempre muito sorridentes e comunicativas, tocavam o seu Indie Rock “apunkizado” que, em relação a estúdio, muito foi potenciado pelo sistema de som da tenda que permitia que estivesse bem alto e impecável. Um concerto muito competente em que ninguém que lá esteve, de certeza, deu o tempo como perdido. Em palco umas Mary Timony e Betsy Wright sempre muito sexys, sem que para isso precisassem de trajes menores ou grande showoff em palco, levavam o público ao delírio cada vez que se aproximavam e tocavam de frente uma para a outra, quase entrelaçadas. Estas Ex Hex fazem musicalmente lembrar muito as Sleater-Kinney, que lançaram um disco este ano que até é mais interessante que este homónimo das Ex Hex. Infelizmente ficaram-se só pelo Primavera Sound de Barcelona e não vieram também ao Porto. Quando ao homónimo das Ex Hex, foi tocado na íntegra, acabando o concerto exatamente ao mesmo tempo que lá em baixo, no palco NOS, os Ride entravam em ação.

Depois de My Bloody Valentine em 2013 e Slowdive em 2014, chegava a vez de outros históricos do Shoegaze virem ao NOS Primavera Sound na edição de 2015. O facto de não serem tão conhecidos como as duas bandas previamente referidas foi visível com o pouco público que se juntou ao Palco NOS, mesmo tratando-se de uma banda que, para além de ser vendidada como shoegaze, em muito contribuiu para o aparecimento da Britpop. Depois de “Leave Them All Behind” e “Like A Daydream”, retiradas de Going Blank Again, e “Play”, só a primeira malha do icónico Nowhere a fazer parte da setlist arrancou a primeira ovação. “Seagull” e “Polar Bear” foram os primeiros momentos de destaque do primeiro concerto na cidade do Porto desta banda que se apresentou em modo “best of” mas que longe esteve da sua melhor forma.

Apesar de algumas canções enormes como “OX4” ou “Dreams Burn Down”, o ambiente algo morno e monótono do concerto só acabou por ser quebrado bem perto do final, com a faixa de encerramento de Nowhere, “Vapour Trail”, e o momento mais agressivamente shoegaze do concerto (ou o mesmo o único), “Drive Blind”. De facto de shoegaze este concerto teve muito pouco ou mesmo nada, não passando de mais de um britpop cheio de distorção. Das três, uma: ou se sentiram os efeitos de uma separação longa que fez com que estes britânicos há muito não tocassem juntos, ou simplesmente não era a noite dos Ride. Ou, então, talvez seja essa a hipótese mais adequada, depois do espetáculo visual, musical e sensorial que foi oferecido pelos Einstürzende Neubauten, tudo o resto só poderia saber a pouco.

RIDE_nps2015_copyright_hugo_lima-231 Ride © Hugo Lima

De regresso ao Palco ATP, ainda chegámos a tempo de assistir ao início dos New Pornographers, relegando novamente os Shellac do mestre Steve Albini para a próxima edição do festival. Para o ano é de vez, prometemos. Em relação à banda de Power Pop canadiana, a principal nota negativa recai precisamente na própria composição do grupo: sem Dan Bejar, mítico líder e compositor dos Destroyer, nem Neko Case, uma das mais proeminentes compositoras do alt-country, grande era o desfalque a ter que ser compensado por A. C. Newman e companhia. Mais uma enchente no palco ATP, naquele que foi um concerto bastante energético e que atravessou todos os clássicos desta banda de culto. O primeiro grande momento chegou com "Sing Me Spanish Techno" do grande Twin Cinema, quase a completar 10 anos desde o seu lançamento. No final, as clássicas "Mass Romantic" e "The Bleeding Heart Show" elevaram ainda mais o nível da atuação de uns New Pornographers reféns de dois dos seus mais influentes membros mas que conseguiram, no Parque da Cidade, relevar o porquê de serem consideradas uma das bandas que melhor escreveu canções nas últimas décadas.

Para Margaret Chardiet, esta não é a estreia na Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto. Confirmada no Amplifest 2013, Margaret enfrentou uma doença grave, o que a levou a cancelar. Esta doença tornou-se no principal catalisador daquilo que é exprimido no mais recente longa-duração de Pharmakon, Bestial Burden. Em 2014, finalmente recebemos Margaret para um set curto mas competente, que ainda assim deixou a desejar. Na passagem pelo Palco Pitchfork, Pharmakon suplantou o set anterior - submergimos então, noutra dimensão. A tenda que caracteriza o Palco Pitchfork mergulhou num vermelho que apenas se distinguia nas sombras pretas, ambiente que condiz com as sonoridades claustrofóbicas de Pharmakon. Esta inicia o seu set com a já característica placa de metal, onde nos submete a uma precursão de traços industrial combinados com loops densos. Estes vão ganhando figura, constroem-se lentamente até culminarem num dos temas do mais recente Bestial Burden: "Body Betrays Itself", "Intent or Instict", "Autoimmune" e "Bestial Burden". Margaret não se limitou a dominar o palco: saltou para o meio do público, encarou-o nos olhos, subjugou-o, intimidou-o. A claustrofobia foi palpável e o som do Palco Pitchfork contribuiu para tal, já que foi o único palco em que o som atingiu o seu expoente máximo, sem qualquer tipo de problemas técnicos.

A fechar o Palco ATP estiveram os canadianos Ought. Inserindo-se na mesma cena do revivalismo pós-punk da qual fazem também parte os Viet Cong, que ali tinham atuado no dia anterior, conseguiram transportar ainda mais pujança e energia demonstrada no seu aclamado disco de estreia, num palco ATP rodeado por um público que teimava em não arredar pé, apesar da hora avançada. Toda a atuação destes canadianos deu-se a um ritmo verdadeiramente fervoroso. À terceira canção, "Today More Than Any Other Day" usavam todo o seu poder antémico para intensificar os headbangs e colocar o público a cantar em uníssono as várias repetições destas palavras de ordem. O auge sónico do concerto aconteceria, ainda assim, na sucessão fantástica de canções que revelou ser "Habit" e "Clarity!", duas das grandes canções do disco de 2014 lançado pela editora Constellation, que nomes tão grandes como Godspeed You! Black Emperor alberga. Até final, destaque para dois temas novos e para o encerramento perfeito do Palco ATP com "Gemini!", mais uma canção retirada de More Than Any Other Day, e com a qual os Ought selaram mais um dos concertos vencedores do último dia de NOS Primavera Sound.

Terminava assim um último dia de Primavera Sound, depois de mais de cinquenta concertos ao longo de três dias, de estilos que foram da folk ao noise, passando pelo metal, rock industrial, pós-punk, shoegaze, chamber pop, electronica, punk rock ou hip-hop. O maior festival da cidade do Porto continua a firmar os seus créditos como um dos maiores e melhores do país e aquele que, certamente, mais diversidade continua a apresentar, há quatro anos consecutivos.

Nota final de destaque para o palco curado pela All Tomorrow's Parties, o Palco ATP, que tem sido continuamente aquele que de forma mais consistente tem oferecido enormes concertos ao público que se desloca até ao Parque da Cidade do Porto. Para além do seu ambiente acolhedor, envolvente, natural e intimista, sendo rodeado de árvores em toda a sua extensão, já foi o palco onde aconteceu verdadeira história da música em Portugal: Wolves in the Throne Room, Shellac, Dirty Three, Godspeed You! Black Emperor, Slint, Television, OM ou Follakzoid, e agora Spiritualized, Thurston Moore, Electric Wizard e Einstürzende Neubauten. Demasiados nomes históricos para que este não seja já um dos mais míticos palcos em Portugal, apenas com quatro anos de existência. Estará já na altura de estender a sua atividade a todos os dias do festival? O ATP merece.

Com data marcada para dias 9, 10 e 11 de Junho, o NOS Primavera Sound 2016 já está nas nossas agendas.
por
em Reportagens

NOS Primavera Sound 2015 - Dia 3 [6Jun2015]
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