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NOS Primavera Sound 2016 - Dia 1 [9Jun]

15 de Junho, 2016 ReportagensDiogo Alexandre

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Foi na passada quinta-feira que a quinta edição do NOS Primavera Sound se iniciou, inaugurando assim a época festivaleira (dos grandes festivais generalistas) e terminando, precisamente, dois dias depois. Um festival que viu desde lendas do Rock mundial até a novas promessas da eletrónica tocarem em algum dos seus quatro palcos, primando assim pela variedade/qualidade da oferta.

Coube aos Sensible Soccers serem os primeiros a pisar esta edição do NOS Primavera Sound, cada vez mais habituados a tocar em grandes festivais. Depois de uma atuação mais pacífica no Palco Vodafone do recém-acabado Rock in Rio, chegam ao Primavera com uma plateia mais bem composta e mais vibrante. O calor e sol abrasador da Bela Vista deram lugar a um céu nublado (a “chuvinha” chegaria depois) e clima ameno típicos do Porto, ajudando assim à festa do público.

O trio esforçou-se em guiar a plateia pelos caminhos mais dançáveis do minimalismo, proporcionando fortes momentos de união e um concerto em claro crescendo de emoções, sendo o seu ponto alto a interpretação de “Sofrendo Por Você”, fazendo com que o público largasse definitivamente as amarras que o mantinha preso ao chão e soltasse aquele charmoso pé de dança. O seu novo álbum Villa Soledade foi claro destaque. Se de início achámos estranho o facto de os vila-condenses atuarem tão cedo, no final concluímos que talvez tenha sido mesmo a melhor escolha. Melhor começo era impossível.

27616534796_565864cf5f_o Sensible Soccers

Saídos do Palco Super Bock apercebemo-nos da inexistência de copos de plástico descartáveis no chão, característica de muitos festivais, para percebermos o porquê: o Primavera abandonou o tal copo em prol de um reciclável (e claramente mais bonito) para o bem do ambiente e para contribuir para a sustentabilidade do evento. Kudos.

Chegamos e saímos de U.S. Girls sem entender o que raio aconteceu em palco. Duas raparigas, dois microfones, e um “cowboy” que ia entrando, casualmente, para umas guitarradas. Foi tudo o que se viu neste concerto, para além de Meg Remy a soltar o backtrack (qual karaoke) e benzer o público com rosas vermelhas durante a última canção. O público, entediado pela atuação pouco enérgica destas U.S. Girls, fez com que perto do fim se pudessem mesmo ver as grades fronteiriças do palco desde a mesa de som. Quando o público está mais interessado em observar a luta entre duas gaivotas com o drone que gravava o concerto, sabes que algo de errado se passa. Um concerto falhado a todos os níveis.

27373644750_e936da8e99_o Wild Nothing

De volta ao Palco Super Bock, vimos de imediato Jack Tatum a sair da penumbra do backstage e a deslocar-se para a frente de palco, juntamente com mais quatro músicos que o vão acompanhando nos seus devaneios ao vivo. Mentor e compositor principal de todos os três discos de Wild Nothing, foi ele o único a comunicar com os fãs que preencheram bem a plateia por volta das 19 horas. Repetentes do festival (curiosamente passaram por cá no mesmo ano e no mesmo dia de Deerhunter, em 2013), a banda apresentou ao vivo quase integralmente o seu mais recente registo de estúdio Life Of Pause, mostrando uma vertente mais popular e primaveril (fazendo jus ao nome do festival em que se inserem) mas sempre com os seus traços sonhadores característicos.

Com mais adeptos da sua música que da última vez que por cá passaram, os Wild Nothing engendraram um bom espetáculo em que os seus pontos altos foram a interpretação de “Nocturne” e “Shadow”, acompanhadas por algumas almas presentes na plateia. A única incursão por Gemini, o seu primeiro longa-duração, surgiu aquando de “Summer Holiday”, escolhendo deixar, inexplicavelmente, “Live In Dreams”, o seu primeiro single, e uma das suas canções mais famosas, de fora do alinhamento. Um concerto que cumpriu com a expectativa, ganhando em energia comparativamente com o de há três anos atrás.

27617271146_dc820008c2_o Deerhunter

Foram três anos de interregno sem uma única visita dos americanos ao nosso país. Três anos de saudade para muitos e para outros nem tanto, colmatados agora após lançamento de Fading Frontier, valendo-lhes uma promoção ao palco principal. Os Deerhunter vão diretos ao assunto, porém, pecam pela falta de interação com o público. E quando a havia, a resposta não chegava. Começar com “Rainwatter Cassette Exchange”, quase desconhecida por todos, e terminá-la com um “gracias amigos” não os deixou muito bem vistos e mereceu alguns comentários por parte dos mais patriotas da plateia.

Redimiram-se nas faixas de Halcyon Digest - “Desire Lines” continua a movimentar plateias com o passar dos anos - e de Monomania, mas sempre sem grandes manifestações. Apesar de tudo, Bradford Cox (líder do projeto) mostrou-se bem mais à vontade em palco do que na sua última passagem pelo Porto, muito devido ao facto de prescindir da guitarra durante grande parte do concerto, o que deu certa coesão à performance. No entanto, nem isso ajudou a criar uma ligação com o público, que se manifestou moderadamente nas músicas que sabia, falou com os amigos, fez “check” ao concerto e partiu para outra. “Snakeskin” encerra um concerto que mostra a nova direção da banda: mais funky/alegre e com um frontman assumido. Haja mais rodagem e talvez a fórmula resulte.

Os Sigur Rós entram em cena diante da maior plateia do dia. Munidos de um aparato cénico invejável e escondidos por detrás de uma grade na parte traseira do palco, abrem o espetáculo com a batida quase trip-hop de “Óveður”, tema novo ainda não editado, seguido pelos sete minutos sonhadores de “Starálfur”. “Sæglópur”, de Takk, traz os islandeses para mais próximo do público durante a sua primeira “explosão”, tudo isto acompanhado por imagens subtilmente projetadas, ajudando ao embelezamento do concerto. Convém realçar que Jónsi, Georg e Orri vieram ao Porto sem trazerem qualquer músico de apoio (o seu Okkur Ensemble ficou em casa desta vez), interpretando apenas os três todas as canções de um reportório que percorreu quase toda a sua discografia, à excepção de Valtari.

Sem grandes cerimónias, o trio avança de canção para canção (e nenhuma tem menos que 6 minutos), presenteando-nos com os seus crescendos épicos, uma voz angelical e um baixo certíssimo, encantando as 25 mil pessoas que assistiam serenamente ao belíssimo espetáculo proporcionado. É fechar os olhos e sentir a música com o coração, que os olhos não fazem cá falta. E para aqueles que insistem em mantê-los abertos, há estrelinhas no painel de fundo de palco. “Ný Batterí” quase nos leva às lágrimas na plenitude dos seus oito minutos, lágrimas essas que se desprenderam na inesperada “Hafsól”, sétima faixa de Von, primeiro disco da banda (lançado em 1997) com Georg de baqueta empunhada, fazendo a percussão no seu baixo, e com Jónsi aliando o som tão característico da sua guitarra quando tocada por um arco de violino aos seus fiéis pedais, criando autênticas planícies sonoras (ou planaltos, visto a Islândia não ser um país muito plano) capazes de hipnotizar plateias.

A banda sai de mansinho, voltando pouco tempo depois para o encore - ainda sem termos absorvido a magnificiência do momento anterior - para a interpretação de “Popplagið“, mais uma de ( ), que arrumou de vez com aquilo que restava dos nossos sentimentos. À 11ª passagem pelo nosso país, os Sigur Rós mostram-se em grande forma, estreando novas canções e revisitando grandes clássicos sempre com a classe e misticidade que nos habituaram ao longo dos seus mais de 20 anos de carreira. Sem dúvida um dos melhores concertos da edição atual do NOS Primavera Sound e quiçá da história do festival. A hora e meia mais rápida das nossas vidas.

27578060931_45e99db930_o Sigur Rós

Que os Parquet Courts eram a banda mais rockeira deste primeiro dia já sabíamos, mas que detivessem um espírito tão à punk old-school não fazíamos ideia. A banda nova-iorquina fez-nos vestir o casaco de cabedal e aventurar-nos no moshpit que se abrira enquanto os primeiros acordes de “Black & White” irrompiam pelas colunas do palco contíguo àquele em que os Sigur Rós tinham acabado de atuar. Nem a chuva que caiu, desta feita mais forte, impediu a festa dos irmãos Savage, verdadeiramente selvagens em palco, diga-se. Lembramo-nos de Joe Strummer enquanto observamos atentamente Andrew, de camisa apertada, gritando para o microfone a letra de “Sunbathing Animal”, faixa que dá título ao álbum com o mesmo nome e que encerrou assim uma hora intensa de concerto. Dezoito canções numa hora, sem parecer forçado e sem perder o fôlego: isto é rock!

É verdade que os Animal Collective já provaram tudo o que tinham a provar. É verdade também que já estão mais que estabelecidos dentro do circuito alternativo, tanto em banda como nas deambulações musicais a solo dos seus membros (Noah Lennox como Panda Bear, David Portner como Avey Tare e agora também de Josh Dibb como Deakin), arrastando público onde quer que toquem e encantando a crítica especializada a cada novo lançamento. E já que estamos numa de descrição do real, a verdade é que aqui, no Porto, os norte-americanos mostraram-se apáticos, não conseguindo sequer agarrar a plateia de entusiastas que encheram o palco NOS por volta da 1h da manhã para os ver. Foram muitos (mesmo muitos) os que abandonaram o recinto antes do concerto terminar.

Situados à frente de um banner mais expressionista que dadaísta e com a bateria (o único instrumento acústico para além das vozes) ao centro, por detrás dos sintetizadores de Josh Dibb, o quarteto inicia o concerto quase em modo after-party com “Hocus Pocus”, parando apenas por mais um par de vezes para se dirigir ao público. Durante um desses interregnos, Avey Tare pergunta se está tudo bem com o público português e lamenta o facto de não saber dizer mais nada na nossa língua. Noah, que já cá vive há alguns anos, permanece calado durante toda a atuação, deixando todo o trabalho comunicativo para David. A verdade é que a comunicação falhou tanto dentro como fora de palco, fazendo com que ninguém os acompanhasse durante praticamente toda a atuação, salvo aquando de “Bees” (que nos pareceu deslocadíssima mas sempre bela) e “FloriDada”, esta acompanhada pelos restos mortais de uma plateia que, finalmente, se sentiu viva e que encerrou um alinhamento excessivamente focado em Playing With. Não houve encore nem sequer um aceno de despedida ao público português. Os Animal Collective prometiam tudo mas não deram nada.

27617454616_73da80dcfb_o Animal Collective

aqui as galerias de fotos completas deste primeiro dia de NOS Primavera Sound


 
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