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NOS Primavera Sound 2019 - Dia 3 [8Jun] Texto + Fotos

02 de Julho, 2019 ReportagensJorge Alves

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NOS Primavera Sound

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No terceiro dia do Primavera o cansaço já se vinha a acumular, mas ainda houve muito para ver e ouvir, incluindo uma inesperada e soberba atuação surpresa dos Shellac, logo à entrada do recinto, junto à zona de alimentação. A banda de Steve Albini figura no cartaz todos os anos e tinha marcado presença na noite anterior, mas ninguém esperava vê-los a tocar uma segunda vez, muito menos num local como este, e o “brinde”, chamemos-lhe assim, tornou o concerto ainda mais memorável do que seria em circunstâncias normais. Por outro lado, é de Shellac que se fala, e a música do coletivo - pujante mistura de post-hardcore, math rock e noise - nunca falha na tarefa de arrancar sorrisos em todos aqueles que apreciam uma valente dose de intensas e ensurdecedoras guitarradas. Brutal, não há outra palavra para descrever este momento… Ou se há, não será tão genuína, portanto fica-se pela informalidade bem descritiva desta.

Outra bela surpresa foram os Hop Along, banda norte-americana que começou como um projeto a solo de Frances Quinlan e que eventualmente evoluiu para um formato mais colaborativo. Não se fala aqui de surpresa no sentido de descoberta, pelo menos para os mais atentos que já tinham tomado contacto com o potente disco que é Bark Your Head Off, Dog, mas no sentido de o concerto ter resultado surpreendentemente bem, tendo em conta o quão amplo, e mesmo imponente, é o Palco NOS, onde atuaram. Sente-se que a sua música nasceu para ser interpretada em locais mais intimistas - clubes, sobretudo - mas foi ótimo saborear aqui este indie rock delicioso, de leve brisa punk, feito à base de guitarras tão melódicas quanto distorcidas e, acima de tudo, a voz ora doce, ora rouca da adorável Frances. Tudo isto, claro, carregado de uma paixão irresistível, própria de um grupo jovem, dinâmico e cheio de vitalidade. Podem não inovar, mas são incrivelmente eficientes; às vezes não é preciso mais.

Lucy Dacus provou que o ambiente de festival não é para ela. Não que a autora do impressionante Historian tenha estado mal, mas sentiu-se que a sua folk sensível e introspetiva precisa do conforto, e até da escuridão, de uma sala para atingir todo o seu potencial. Claro que escutar temas como “Night Shift” ou “Addictions” é sempre agradável, mas espera-se mais de Lucy Dacus, pois sabe-se que ela é capaz disso. Uma prestação competente mas não completamente satisfatória. Aguarda-se agora o regresso em condições (para ela) mais favoráveis. Aí será majestoso, de certeza.

Melhor acabou por estar Lindsay Jordan, mais conhecida por Snail Mail, que no ano passado surpreendeu o mundo da música alternativa com o lançamento do magnífico Lush. Nota-se ainda que a jovem artista tem muito que crescer - falta-lhe mais tempo de estrada, aquele ingrediente que separa uma boa atuação de uma verdadeiramente inesquecível - mas é gratificante poder observar o quão promissora esta menina (nasceu em 1999, não é propriamente estranho chamar-lhe isso) é, sabendo que, muito provavelmente, o futuro trará grandes coisas da parte dela; futura lenda do indie rock, autora de marcantes canções introspetivas? Tudo isso e muito mais, quer-se acreditar.

Com a exceção de Shellac, tudo o que se falou até agora, sobre este último dia, foi sobre artistas femininas, prova irrefutável de que alguma da arte musical mais entusiasmante ou mesmo desafiante dos dias de hoje - veja-se o caso de Kate Tempest, dotada rapper/poetisa/artista spoken word, que também aqui esteve - é produzida por mulheres. Claro que também se pode ver esta decisão como um desejo de criar um cartaz que reflita os tempos atuais, onde questões de igualdade são cada vez mais valorizadas, mas mesmo aí, a escolha revela-se louvável. Foram só mulheres, contudo, a destacarem-se neste dia? Não, nada disso, pois Jorge Ben Jor, lenda da música brasileira, conduziu uma belíssima orquestra de ritmos quentes e dançáveis e proporcionou uma enorme festa, mas a despedida do Primavera teve, efetivamente, um forte sentimento feminino (Rosalía foi, com o seu flamenco de sensibilidade pop, a grande atração do dia) e, de certa forma, feminista. Nada de errado com isso, todavia.

Contudo se a estrela em ascensão espanhola representa essa nova vaga, a veterana Erykah Badu veio mostrar que o movimento não é novo. Com uma subida ao palco que se marcou por um atraso gigantesco – luxo permitido apenas aos grandes -, a americana trouxe todo o seu soul a jogo, e todo o seu astral ao Parque da Cidade. Excêntrica, aluada, mas acima de tudo mágica, nunca desafinou uma nota, e chocava o público com essa dualidade entre a voz madura e o espírito de uma jovem rebelde em ácidos. Despediu-se ao som de uma ovação massiva, retribuição de toda aquela alma maravilhosa que não hesitou em partilhar, com o público português certamente no coração.

Dia 3 - Parte 1


Dia 3 - Parte 2


Dia 3 - Parte 3
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em Reportagens
fotografia Hugo Adelino

NOS Primavera Sound 2019 - Dia 3 [8Jun] Texto + Fotos
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