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Nothing - Cave 45, Porto [8Out2016] Texto + Fotos

15 de Outubro, 2016 ReportagensJoão "Mislow" Almeida

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Cave 45

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Sábado à noite, cidade invicta! Turistas por todo o lado e juventude portuense a sangrar a cidade com cerveja e comida. Muito movimento por todos os cantos e depressões das calçadas e fachadas do Norte. Uma cidade que se tem enriquecido ao longo destes últimos anos com concertos de grande gabarito e dimensão, enquanto num desenvolvimento contínuo de cultura musical e artística. Amplificasom é, admitidamente, uma das responsáveis por este ressurgimento da cidade no mercado da música. Com um ano ocupadíssimo, a dar boas vindas a Full of Hell, The Body, Deafheaven, Myrkur, Sun Kil Moon, Sumac, Mammifer e ainda para não falar do abundante Amplifest, que mais um ano contou com uma edição de luxo e louvor.

Com um calendário futuro igualmente ocupado, a contar com a presença de grupos como 65daysofstatic, Oathbreaker, WIFE e Wrekmeister Harmonies, a agenciar, na maioria, datas duplas (Porto e Lisboa), este foi o primeiro a ser riscado da lista de schedules. Lisboa, segundo muitos, foi devaneador. Mas cabe a nós entregar-vos um digno mergulho em mais uma noite de grande expectativa na cidade do Porto. A Cave 45 tem por natureza uma história de luxo no envolvimento local da cidade, seria um autêntico understatement chamá-lo de digno para receber esta nova geração de música que se tem feito ao longo da primeira metade da década.

A dar as honras, o nosso Ricardo Remédio. Membro dos indomáveis Löbo, Ricardo apresenta-se num formato muito menos familiar, mas sem dúvida mais tangível. A transportar-nos num cosmos de sonoridades e abismos intermináveis a uma viagem até à Natureza Morta. A dar a um público relutante, uma sonoridade riquíssima em textura, synths e geometrias interplanetárias, a alongar-se num set de aproximadamente 45 minutos, Ricardo entrega-nos uma tela de ilustrações intensas e medievais. Vibrações sinistras e pulsantes, latejam gritantemente uma visita alienígena e emocionalmente sanguinária. Como um epicentro, à semelhança da fusão entre Akira e Tetsuo em AKIRA, Ricardo catalisa a atmosfera da cidade com o fósforo e as luzes embriagantes no fundo da figura, eleva-nos a uma atmosfera dizimada.

Nothing, um pouco (obviamente) bêbados, entram em palco e encaram a próxima hora de música com guerras que muitas bandas jovens devem encontrar no mais distante vértice do continente. Batalhas emocionais, clínicas, ébrias e até mesmo técnicas. Apesar disto tudo, os americanos trabalharam e lutaram para nos dar incríveis expressões de cansaço e frustração. Sobrava fazer justiça com todas estas emoções a acumular na consciência do público, a devolver uma performance à altura do Porto. Um som que à partida prometia um concerto memorável, os americanos apresentaram-se com a “Fever Queen”. Desde então o público submeteu-se a uma depressão de movimentos, divagantes, contagiosos, inconscientes, mas percetíveis aos sensores. Muitas caras familiares, e uma melodia dissolvente no meio do pouco espaço disponível. “The Dead are Dumb” segue-se e passamos a reconhecer palavras cantadas, alguns sorrisos mal afogados em álcool e uma tristeza comum, a ligação íntima entre público e banda.

“All our words are wasted”

Praticamente a simular um greatest hits, as mais sonantes faixas de Guilty of Everything surgem e a atmosfera mergulha-se com a “Bent Nail”, a “Endlessly” e “Get Well” que intervalam o frequente e constrangedor discurso de Palermo e diálogo entre o Brandon e os técnicos de som, que segundo o Dominick quase “parece que o Brandon faz de propósito”. Nada disto sombreia a incrível afluência de distorção e presença de peso nas mais memoráveis faixas do álbum de estreia. Quase de propósito, ou não, as faixas “Vertigo Flowers”, “A.C.D”, “Eaten by Worms” e “Curse of the Sun” foram indiscutíveis momentos altos da noite. Entre momentos de calma e respiração, estas conseguiram elevar o público a um patamar digno de ser relembrado e fotografado. E na nossa opinião, foram exatamente estas faixas que fizeram deste último lançamento, um registo memorável e físico. É essa mesma palavra-chave que temos utilizado ao longo destes anos para caraterizar a escolha de nomes por parte da Amplificasom para estas sessões de massacre emocional e clínico. Físico. Será assim mesmo que esta noite ficará na memória. Pelas marcas, pelas pessoas, pelas caras e pelos olhos do Dominick quase a cederem lágrimas em pleno palco a milhares de quilómetros de casa.

É isso que os distingue do resto. Apesar das imperfeições, eles esforçam-se e lutam, e agradecemo-los por isso mesmo. Por terem conseguido o que queriam, impressionar-nos.

 



 
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em Reportagens
fotografia Bruno Pereira

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