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Os Mutantes @ Hard Club [1Dez2015] Texto + Fotos

04 de Dezembro, 2015 ReportagensGoncalo Tavares

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Vodafone Mexefest 2015 • A diversidade que mexe com a cidade

Old Jerusalem @ O Meu Mercedes Bar - Porto [27Nov2015] Foto-reportagem
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Que é esta incapacidade dos brasileiros de não fazerem baile? Os Mutantes declararam-se reis do mambo e do cha cha cha, respetivamente, e encheram o Hard Club com a vitalidade que enaltece os nossos compatriotas de outrora. Paralelamente, tocaram baladas de karaoke épicas e intervenções psicadélicas com sabor a manga e a limas. Eles pertenceram à “Tropicália”, um importante movimento cultural a irromper no Brasil na década de 60, e fizeram arte quando esta era a todo o custo contida. Enquanto os Chinchilas, os Diamantes Negros e demais amaciavam o rock em Portugal, vinha esta enorme força das terras da Baía. Ontem, revivemos.

O concerto abriu com “Technicolor”, take carioca à beatlemania, e com pouco mais fica exposta a versatilidade do programa. É de louvar o empenho destes titãs no song-making, muito diferente da cena atual, estabelecida numa estética geral e não na beleza das músicas individualmente: das duas uma, ou a banda tem valor artístico e por consequência assenta, ou ruma para o esquecimento. As composições dos Mutantes são desenvolvidas, originando um vasto guarda-roupa de canções onde nenhuma delas desnecessária. “Balada do Louco” é um dos sinónimos de Ney Matogrosso, mas a original é do grupo, soando aqui como em casa, “Cabeludo Patriota” arremessa um riff enquanto que “Time and Space” (do seu último álbum, Fool Metal Jacket) lembra o progressivo acústico de uns Jethro Tull.

Foram quase 2 horas de Rock 'n' Roll, dessa postura heróica de pegar na guitarra e ir para a proa do palco em completa ebulição. Sérgio Dias, vocalista/guitarrista, mentor e único membro da formação original, aparece no segundo encore com uma camisola interior e agradece profundamente. Antevê-se o seu cansaço. Tem 65 anos e traz uma parte substancial do pop-rock brasileiro às costas. A música, desde esse longínquo 1968 onde lançaram “Os Mutantes”, permanece imutável.

Uma nota para o Gringo Sou Eu, rapper que fez a abertura. A meio do concerto, ele despe o flow e os beats matreiros, pega numa pandeireta e desce para a plateia, palpando a sua música no público. A sua cassete de estreia já está disponível, com o selo da Lovers & Lollypops e uma dose de humildade sonora.

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