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Os Mutantes – Reverence Underground Sessions #4 @ Sabotage Club – Lisboa [7Jun2016] Texto + Fotos

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Passavam 55 minutos das 22h30 quando Os Mutantes (ou melhor dizendo: Sérgio Dias toca Os Mutantes) entram no pequeno palco do Sabotage Club, em pleno coração lisboeta. “Clube” esse que já nos vai habituando à mais diversa panóplia musical ao longo dos seus já três anos de existência com concertos quase diariamente.

Ainda com a sala relativamente vazia (felizmente, viria a compor-se melhor mais tarde), Esméria Bulgari sobe para espalhar os alinhamentos no palco, seguida, poucos minutos depois, por Sérgio Dias e restante comandita para logo se lançarem às suas interpretações em Inglês (uma nova e uma antiga). “Time And Space” e “Tecnicolor” foram as escolhidas para abrirem o alinhamento, antecedendo o combo efusivo de “Bat Macumba” e “A Minha Menina”, ambas acompanhadas por praticamente todos os presentes.

O concerto prossegue com Sérgio Dias a dizer que é sempre um orgulho poder falar português com a sua plateia, atirando-se de seguida à mestria rockeira e plena de groove de “Jardim Elétrico”, com direito a solo de bateria, e à sua ode a Sérgio Mendes. Este foi descrito como o principal divulgador da música brasileira pelo mundo, atravessando primeiro o Atlântico e depois o Pacífico, sediando-se em Malibu – onde alcançou sucesso com os seus Brasil 66 (comparando-o, em tom de brincadeira, a Pedro Alvares Cabral, este atravessando o Atlântico no ano de 1500 para chegar ao Brasil) – e autoproclamando-se, indiretamente, o rei do mambo, com direito a mais um solo épico, desta feita de guitarra.

A bola de espelhos do bar começa a rodar e “Balada Do Louco”, sempre com aquele seu toque à Beatles, irrompe pelo sistema de som do bar, transportando-nos automaticamente para outra época: anos 70 ou 80, a época gloriosa das baladas, faltando aqui apenas os isqueiros acesos bamboleando ao ritmo da música. “A Hora E A Vez Do Cabelo Nascer” encerra o alinhamento regular com mais uma descarga rock, ao passo que “Panis Et Circenses” (a primeira canção de Mutantes, lançado em 1968, o primeiro disco da banda), já no encore, termina de vez com um concerto que durou pouco mais de uma hora. A banda despede-se, agradece aos fãs portugueses e ruma aos camarins.

Tal como havia sucedido no final do ano passado, aquando da sua última vinda a terras lusitanas, o conjunto brasileiro chega com a mesma intenção de nos mostrar que nos anos 60 e 70 houve um movimento psicadélico do outro lado do atlântico chamado tropicália, do qual eles são figura de proa. É esta a postura atual da banda, demonstrando um olhar mais histórico/passado da música brasileira e pouco focado no futuro/menos contemporâneo, o que não é necessariamente mau, diga-se. Divertimo-nos a reviver e a dançar clássicos marcadores de uma geração, mas revela-se insuficiente para nos deixar de boca aberta e a gritar por mais. Afinal de contas, a idade já pesa, e Sérgio Dias que o diga.

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Por Diogo Alexandre / 15 Junho, 2016

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