3
DOM
4
SEG
5
TER
13
QUA
14
QUI
17
DOM
18
SEG
20
QUA
21
QUI

Peter Murphy @ Casa da Música - Porto [17Mar2016] Texto + Fotos

21 de Maio, 2016 ReportagensJoão Rocha

Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

Puce Mary – Understage – Teatro Rivoli, Porto [21Mai2016]

Black Rainbows + Miss Lava - Sabotage Club, Lisboa [16Mai2016] Foto-reportagem
IMG_9675

O último álbum de originais remota a 2014, e os anos de glória ficaram estagnados nos anos iniciais da década de 90. Com uma mini-tour de quatro concertos é de louvar o estranho fenómeno de dois deles acontecerem em Portugal. Ainda é de maior louvor, o facto de Peter Murphy, estrela maior do post punk e do rock gótico da década de 80/90, conseguir-se apresentar na passada terça-feira numa Casa da Música absolutamente cheia.

Ao entrar em palco, a figura pitoresca que desfilava até ao seu microfone debaixo de uma chuva de aplausos, fazia mais lembrar uma personagem dos Malucos do Riso pronto a afirmar a qualquer momento “até a barraca abana”. De calças justas a imitar cabedal, e um casaco muito reduzido sem nada por debaixo, a contrastar com uma barriguinha bem redonda que o casaco não quis esconder, o impacto inicial em nada faria transparecer o estatuto de estrela obscura que o ex-vocalista dos Bauhaus é.

Rapidamente essa sensação desvanece-se, e à medida que a voz de Murphy começa a ser projectada pela Sala Suggia, todos, velhos e novos, relembraram a razão pela qual a mesma se encontrava esgotada. Para abertura a escolha incidiu na faixa título do álbum de 1995 “Cascade”. A postura teatral e a sua voz pujante e sacerdotal (mesmo com problemas nela) comungavam em perfeição com a escuridão implementada na sala. A luz que emanava dos holofotes servia meramente para projectar a sombra da estrela, que chegou mesmo a recorrer de uma pequena lanterna para dar mais ênfase aos contornos obscuros e tenebrosos da sua feição e silhueta. O público não teve de esperar muito para ver os maiores sucessos serem revistos, apesar da ausência de “Cuts You Up”, e logo no início leva com um combo de “Indigo Eyes”, “All Night Long” e “Marlene Dietrich’s Favourite Poem”. “Strange Kind of Love”, a maior ovação da noite, fez-se ouvir mais tarde, depois de um momento tributo a Bowie, grande influência de Peter Murphy. A escolha para cover recaiu em “The Bewlay Brother’s” do álbum de 1971 “Hunky Dory”, e apesar de ser uma escolha bastante coadunada e bem interpretada por Murphy, causou algum desconforto a entrada descarada da letra da música para que este a pudesse seguir, retirando assim alguma da emoção que o momento pedia. Mais para o fim ficaram os temas dos Bauhaus, com “She’s in Parties” a arrancar gritos iniciais de fãs mais acérrimos da banda, e a causar um momento mais ritmado no concerto. “Hollow Hills” ficou para o encore, o momento fatalista de uma relação artista-público.

É certo que a noite, e apesar de este usar uma amarrada no casaco, não foi um mar de rosas para Peter Murphy. A tosse que atacava a sua voz, os problemas técnicos que faziam falhar instrumentos e microfones, e a descoordenação entre ele e a banda de suporte não fizeram deste o concerto mais memorável de sempre. No entanto, o público encontrava-se em sacramento pleno com aquele que se afirmou como “the blackstar, not the goth star”, e merecia muito mais do que a saída abrupta do palco enquanto ainda a música se fazia tocar, para regressar e fazer um encore fraco e curto de duas músicas, onde repetia a proeza de sair sem nada dizer. O público, cego de paixão pela estrela, pediu um segundo encore, um pedido que demorou muito mais tempo, um pedido que foi bem mais entusiasmante e melódico do que o próprio encore em si. Murphy não acedeu, e foi necessário a organização da Casa da Música ter de aumentar a intensidade das luzes para que o público dispersasse.

Enquanto estava no concerto, e a imagem da comparação à personagem dos Malucos do Riso surgiu, afastei desde logo a possibilidade de a escrever, mas no fim do concerto, e perante a reacção de um público abismado com o que sucedera, percebi que era inevitável não mencionar o célebre programa do Guilherme Leite uma vez que todos os que lá se encontravam ficaram interiormente com aquela expressão facial típica que imortalizava os fins dos sketches. E foi assim, em pouco mais de uma hora, que Peter Murphy conseguiu conquistar e despedaçar corações, uma atitude bem típica de uma rock star.

por
em Reportagens

Peter Murphy @ Casa da Música - Porto [17Mar2016] Texto + Fotos
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2017
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?