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Primavera Sound 2017: Crónicas de Barcelona

05 de Junho, 2017 ReportagensJoão Neves

Todo o festival esgotado, sem qualquer bilhete disponível, mas nas primeiras horas da tarde não existiam filas em lado nenhum, podia-se beber, comer à vontade, deitar-se na relva, trocar a pulseira, tudo na maior das calmas. Com um calor infernal de manhã e um vento desagradável à noite assim se começa o Primavera Sound de Barcelona.

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Dia 1


Kevin Morby é já é um velho conhecido, e foi quem teve honras de inaugurar o palco principal desta edição do festival. E não podia ter sido mais adequado. Um concerto breve, simples e agradável aproveitado ainda com o sol bem alto que passou por grandes momentos como “Dorothy” ou o recente single “City Music”, uma música que nos faz lembrar Lou Reed.

Miguel foi um dos primeiros destaques do dia. Para muitos dos visitantes do festival pode soar desconhecido, mas ainda assim o californiano, repleto de confiança e sorrisos, captou a atenção de muitos com a sua presença em palco. É impossível tirar os olhos dele enquanto ele se movimenta de um lado para o outro, tem um carisma e uma presença suficiente para proporcionar concertos extremamente mais elaborados e polidos.O artista cria uma ligação ao público a cada palavra, seja a cantar ou a interagir. Os arrojados arranjos que a banda faz às músicas torna cada concerto seja diferente mas, sempre com um toque polido e requintado. Com “Wildheart”, o artista que mais parece uma versão nova do Prince, explodiu e tem o R&B a seus pés, como foi possível ver no seu ponto alto quando cantou a “Coffee”.

Quem conhece Solange, sabe que a irmã Knowles não apresenta um espetáculo minimamente regular como qualquer outra banda ou artista, tem sempre a sua esfera iluminada de vermelho no centro do palco, a mesma cor que vestem os seus músicos. O espetáculo está projectado para ser diferente, um oasis num mar de concertos diferentes. O seu último trabalho “A Seat at the Table” foi o foco do concerto, e as suas elegantes coreografias chamam a atenção de qualquer um. A forma como a cantora se entrega ao concerto e à música é algo muito raro e único nos dias de hoje. Quando foi o tempo de ouvir “F.U.B.U.”, a cantora desceu do palco para se juntar aos seus fãs e cantar com eles num momento especialmente emotivo.



A proposta dos Death Grips é sempre interessante, o ruído, o caos, os berros, quem os entende, quem gosta disto. São sempre coisas que passam na cabeça de quem desconhece a banda e se encontrava no palco Primavera às 23:50. Falar sobre eles não é fácil, adivinha-se facilmente que para percebê-los é preciso vê-los. É muito mais que um set, que um concerto, é uma atitude, é uma homenagem se é que se pode chamar assim, ao movimento punk porque independentemente do estilo a que se associe os Death Grips não se consegue desassociar a filosofia dos mesmos daí.

De repente um aglomerado de gente abandona o palco Mango como se tivessem visto o diabo, e em boa verdade, não é mentira. São assim que se apresentam os Slayer, a oferecer metal desde 1981. O contraste entre eles e o tão calmo Bon Iver deve ser das coisas mais violentas que o Primavera Sound presenciou. Quem ficou pode desfrutar dum concerto concerto especialmente enérgico e sólido do quarteto veterano da California. Sem qualquer tipo de reclamação.

Havia uma expectativa enorme para o regresso de Aphex Twin, uma quantidade de público aglomerada desde que acabou Slayer. De cedo se pode reparar que Richard não ficou mais doce com os anos e isto foi-se verificando à medida que as pessoas foram desistindo de o “aturar”. O set que o britânico apresentou contou com muitas transições extremas entre agudos e graves que deixaram muita gente com dores de cabeça ou roupa a vibrar na pele. Foi um grande passeio entre house, funk, ritmos africanos e até pelo reggaeton que Richard nos ofereceu, nem sempre para dançar mas sempre para admirar.

 



 

Dia 2


O segundo dia ficou marcado pelo cancelamento inevitável de Frank Ocean, que nem o set improvisado de Jamie xx conseguiu salvar. Posto isto, os The xx ganham protagonismo na segunda jornada que fica marcada pela surpresa de Sampha ou as confirmações de sucesso de Flying Lotus ou Run the Jewels.

É precisamente pelo duo norte-americano que começamos. El-P e Killer Mike trazem muito mais do que música, impõem uma mensagem social e política nas suas canções que alerta para todos aqueles problemas que já nem deviam existir nos tempos que correm, coisas como racismo ou desigualdade de género. O nome de Trump ouviu-se mais vezes do que era esperado sempre com uma reacção bem audível do público. Os Run the Jewels estão cá para isso, para nos lembrar que com eles não há conformismo, que há que lutar e fazer com que as coisas mudem. Músicas como “Lie, Cheat, Steal”, “Legend Has It” ou “Talk to Me” foram das que mais sentimento e força carregaram em palco. É que nem o apagão nos primeiros dez minutos fez com que o público arredasse pé ou ficasse nervosos porque Killer Mike e El-P fizeram questão de entreter a plateia com um concurso de dança.

Entender e apreciar Sampha não é fácil mas mesmo assim o britânico abarrotava o palco Ray-Ban com o seu soul contemporâneo que fica muito perto do R&B dos anos 90. O “Process” é um álbum que ganha uma grande notoriedade ao vivo e que se desdobra na complexa e fantástica produção do artista. “Blood on Me” ou “Under” são pontos altos num concerto onde é mais do que notória a energia e a presença de Sampha em cima do palco. Não são muitos os artistas que podem concluir os seus concertos com uma balada ao piano que não seja das dramáticas e que não peça um encore. “No One Knows Me (Like the Piano)” encerra uma performance de arrepiar corações.



Umas horas antes estreavam o palco Mango os Whitney, encaixando que nem uma luva no horário e no cenário. Sol a baixar, um calor aceitável e seu indie pop com toques de soul e os falsetos típicos. Um concerto suave, fácil de entrar, que segundo Julien Ehrlich foi feito nos limites, já que teve um percalço com uma mota como chegou a contar ao público. “Acho que parti o dedo”, enquanto mostrava o largo penso que cobria o polegar.

Ver Mac DeMarco é sempre algo caricato. É sempre algo inesperado porque nunca se sabe muito bem o que é que vem daquela caixinha de surpresas e desta vez não foi diferente. Tivemos direito a um striptease quase completo, depilação dos sovacos com isqueiro durante a apresentação do seu novo disco “This Old Dog”. Acho que é extremamente interessante e curioso ver a forma como Mac se expõe e se ridiculariza em frente a milhares e milhares de pessoas.

Jamie xx foi o nome escolhido para a árdua e injusta missão de substituir Frank Ocean. Os seus sets são sempre variados, e passam por imensos estilos e ritmos diferentes mas não se pode dizer que Jamie conseguiu fazer o que quer que seja durante o seu set para com que o público se abstraísse do facto de um dos maiores nomes do festival não lá estivesse. Um set extremamente genérico, sem chama, sem paixão, que não chama especialmente à atenção.

O dia fechou com Flying Lotus e não podia fechar de melhor forma. A esta altura o cérebro e o corpo entravam numa sintonia perfeita a pedir mais baile e quem mais se não o fantástico músico, DJ, produtor, realizador, rapper, etc… (ufa, já acabamos?) Steven, é um verdadeiro “faz tudo” e o melhor é que faz cada coisa com uma dedicação e qualidade excepcional e isso nota-se na forma como apresenta os seus sets. A sua produção é capaz de nos levar a um mundo astral, e se por um lado Jamie xx prefere transicções mais suaves e calmas, o americano prefere passar o espectro musical de um lado para ou outro, passando desde o tema de “Twin Peaks” ao instrumental de “Wesley’s Theory” e acabando na magnífica “Never Catch Me”.

 

Dia 3


Último dia de Primavera Sound, num ano em que o festival atinge os mais de 200.000 visitantes. Um festival que tem vários micro-festivais dentro dele, uma espécie de “cria o teu próprio festival” dentro do festival. Três dias de corridas e música que não podiam acabar da melhor forma. Começamos por fazer um pedido em tom de elogio à organização: não o façam crescer mais. Já fazemos piscinas suficientes, e já tem demasiados bons nomes.

A noite foi inevitavelmente de Skepta. O britânico escolhido para encerrar o palco Heineken deu um dos melhores concertos do ano. Toda a gente corria para ver o rapper, parecia um exército, não temos dúvidas que muitos países já enviaram tropas com menos gente do que aquela que se movimentava para o palco principal. Uma amostra de vigor, poder, domínio e dicção perfeita para levar a cabo o final do Primavera. Abriu o concerto tal como começa o seu álbum, cujo tema inicial carrega o nome do mesmo “Konnichiwa”, logo aí se pode ver a legião de fãs que Skepta tinha à espera. Sempre com uns movimentos de dança incríveis espalhou grime por todos aqueles que o viam e ouviam. Nunca fugiu ao seu álbum, deu nos um bónus cantando o interlúdio que está presente em “More Life” e ainda se despediu oferecendo uma nova canção, antecipando um possível novo álbum que aí vem.

Confirmou-se que Skepta está entre os grandes nomes do hip-hop da atualidade e que podia estar muito bem a encabeçar qualquer festival europeu ou norte-americano. Atingiu um estatuto merecido, que faz toda a gente esquecer-se que teve uma actuação agendada para um festival que se ia realizar em Chelas.

Angel Olsen é quase como uma peça de roupa básica num armário, está sempre lá para nós, e nunca passa de moda e o concerto dela foi mais uma prova disso. Vestida de branco num estilo nipónico, chega ao palco Ray Ban para apresentar o seu mais recente álbum “My Woman” que consolida o seu estatuto depois de “Burn Your Fire For No Witness” a ter colocado no mapa do folk alternativo. Ainda que comece com “High & Wild” exatamente desse álbum, a cantora centra-se em visitar o seu mais recente trabalho sempre de forma sensual e provocador com o seu público. Ange estica ao máximo as suas canções, convertendo-as em “queen size” como com o tema “Those Were The Days” um folk soul que demonstra que nem tudo está para fazer neste estilo.

 



 

Os Arcade Fire têm uma multidão de fãs, e um punhado de seguidores defensores da essência da música. São uma das bandas mais importantes desta geração e continuarão a ser uma referência para gerações futuras. Já não são a banda de minorias que eram, agora são uma banda que dá espetáculo, apaixona multidões, serve canções cantáveis em bandeja de prata, que dá tudo em cima do palco. São o amigo popular e divertido que todos gostam e não conseguem não gostar ou odiar.

Quem mais se não eles mesmos para abrir um concerto com provavelmente a música mais conhecida? “Wake Up” foi a primeira canção que se ouviu no palco Mango e para além de ser das mias conhecidas, soa a canção de despedida, ou não? Eles podem, já podem tudo, e entregam tudo com uma qualidade… Estonteante mesmo. Apresentaram o single novo “Everything is Now” e logo a seguir “No Cars Go” e “Here Comes The Night Time” pressão alta para arrebatar toda a gente no Parc del Fórum. O difícil no caso de Win e Régine é que êxito deixaram de fora... E desta vez ainda nos ofereceram músicas do “Neon Bible”. São oficialmente uma banda de grandes hits e nunca soaram tão bem como agora, tal como dissemos no início são uma das bandas mais populares e essenciais deste século, e a julgar pelo novo single estão prontos a rebentar de novo e a andar pelas bocas de todo o mundo.

Na noite de Skepta, também King Krule proporcionou um dos melhores concertos do festival, dizer que ele é raro é curto. A sua forma de cantar e a tipologia da sua escrita que se curva entre o soul, o jazz, o rock ou mesmo o hip hop, tudo de forma muito áspera. Se explicar King Krule a quem não conhece já é complicado, explicar o concerto é ainda mais. Uma banda composta por bateria e saxofone barítono ou os efeitos eletrónicos onde tudo combinado soa perfeito, numa combinação única na música, nada ali falha ou destoa. Baseou o seu concerto praticamente todo no álbum lançado como King Krule e quem contava com temas do “A New Place 2 Drown” ou doutros pseudónimos, engana-se porque não aconteceu. Se há alguma falha a apontar a Archy, se é que é falha é como que inexplicavelmente ainda com tempo para tocar, e com “Baby Blue” no alinhamento, o britânico decidiu acabar o concerto mais cedo com “Out Getting Ribs”.

As Haim foram as escolhidas pela organização para representar o Unexpected Primavera na última noite. Iniciativa que adicionou nomes como Mogwai ao cartaz. As três irmãs aproveitaram a visita a Barcelona para num curtinho espaço de 40 minutos que se encontrava livre, apresentar o seu último disco “Something To Tell You”. E mesmo com a notícia a ser difundida em cima da hora encontraram uma plateia ansiosa para as ver. Arrancaram com o seu novo single “Want You Back” e por aí prosseguiram mas nunca se esqueceram de hits como “Falling”. A proximidade do palco com o público jogou a favor delas, e das suas brincadeiras que conseguiram fazer dançar toda a gente que se encontrava ali com o seu pop meio manhoso, até os mais reticentes.

A noite não podia acabar sem a festa habitual de DJ Coco, a festa habitual do catalão que leva todo o mundo ao palco, naquele que é um djset mais inesperado para todos aqueles que visitam o festival pela primeira vez. Passando de Drake, a Journey com Don’t Stop Believin’, DJ Coco traz-nos a verdadeira festa.

Assim se acabou mais uma edição de Primavera Sound. A festa segue para o Porto, vemo-nos lá?
por
em Reportagens

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