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Radio Moscow + Kaleidobolt – Hard Club, Porto [30Set2017] Texto + Fotos

 

Ainda no arranque da “The Drifting Tour”, que teve a partida iniciada em Paris no dia 26, os Radio Moscow regressaram a Portugal no passado fim de semana para apresentarem New Beginnings, no norte e no sul do país. Antes de revisitarem a capital, na noite de sábado tomaram direção ao Porto, voltando quatro anos depois ao Hard Club, para uma audiência absolutamente repleta.

Coube aos finlandeses KALEIDOBOLT, companheiros desta digressão, a aplanagem do terreno. Ante uma plateia que a cada passo se compunha, e uma dianteira que a cada riff se descompunha em desvaire, rápido os pingos de suor se uniram aos fios de cabelo longos e esvoaçantes. Desde “Big Sky Land”, o tema inaugural, ao cover arriscado de “21st Century Schizoid Man”, dos King Crimson, o trio escandinavo, natural de Helsínquia, acompanhou o seu alinhamento “setentista” com uma abordagem pesada invulgar, encontrando exponencial saturação em momentos como “City of the Sun”. A amplitude e o desembaraço das cordas, e a vitalidade e confiança com que a bateria ganhou particular destaque, deram sentido oportuno às capitais com que assinam.

 

 

Dispensando a inscrição gráfica mas detentores de uma posição maiúscula no heavy blues rock actual, Anthony Meier, Paul Marrone e Parker Griggs, ocuparam, pela mesma ordem, os respectivos espaços de domínio para conduzirem um auditório sobejo de gente adepta dos mais arrojados deslizes.

Com o intuito fundamental de promover o seu mais recente trabalho, lançado na íntegra no dia anterior ao espetáculo, mas sensíveis a uma prestação variada e abrangente, a atuação desdobrou-se ainda e, sobretudo, pelos seus dois álbuns mais emblemáticos. Aos mais afetuosamente ligados ao segundo disco da banda, o groove de “Broke Down” foi a primeira escolha do repertório antigo. Depois de sinuosas inversões de marcha em “Death of a Queen” e “These Days”, faixas de Magical Dirt, igualmente acarinhado pelos fãs e pela crítica, às “250 Miles” abrandámos num momento de singular contemplamento para depois nos voltarmos ao espírito de fuga com “Brain Cycles”. Antes, porém, de outros regressos como “Escape” ou “Deep Blue Sea”, a única faixa do primeiro álbum a ser interpretada já depois no encore, foram desveladas as mais recentes composições, e sobre elas importa uma distinta e embevecida referência.

Foi com o single “New Beginning”, lançado em agosto pela Century Media Records, que os Radio Moscow inauguram uma hora e um quarto de abundante fibra e pedalada. Conservando uma familiar necessidade de evasão e desprendimento, o power-trio norte-americano depositou toda a sua cavalagem, manobra e perícia em temas como “Pacing”, “Driftin’” ou “Last to Know”. Com “Woodrose Morning” permitiram ao público momentos de distante vagueio, e em “Dreams”, aproximaram-se da ferocidade de “Before it Burns”, ao fazer rebentar de êxtase a Stratocaster de Griggs.

À saída, choveram os mais diversos elogios ao desempenho do conjunto, havendo quem precipitasse comparações à performance de Colour Haze na última edição do Sonic Blast Moledo. Embora tentados, não arriscamos equiparar. Não só seria injusto estabelecer paralelos, como os separam as preferências, as circunstâncias e a maturidade. Não conseguimos, contudo, evitar dizer que este foi um CONCERTO escrito em letras versais.

 

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Por Ana L. Marinho / 10 Outubro, 2017

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