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[Reportagem] Mazefest 2014

ACTO I – 31 de Outubro

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Uma semana depois deste evento podemos afirmar categoricamente que este micro-festival foi um dos melhores do ano. Com um público sólido, bandas que dispensam apresentações e muito boa disposição, deu-se o início do Mazefest, a primeira edição de um festival que vai dar que falar, composto única e exclusivamente por bandas nacionais. No primeiro dia (noite de Halloween) coube aos Moonspell cumprir a sua tradição de concertos nesta noite, seguindo as pisadas de bandas como os Type O Negative (entre outras).

Com um álbum novo quase a ser editado (prevê-se que saia em Março do próximo ano) era de esperar que estas Almas Lusitanas experimentassem algumas das novas músicas ao vivo, no entanto, isso não aconteceu. O alinhamento seguiu uma espécie de best of da banda com temas que iam desde o primeiro ao último álbum.

Entrámos na sala por volta das 21h15, o concerto começaria pouco depois das 22h e foi antecedido por uma banda sonora típica do dia em questão: músicas de diversos filmes de terror (Exorcista, Psycho, Saw, Halloween, etc) e temas de heavy metal que retratavam tão bem este dia. Ou seja, tanto podíamos ouvir guitarras altamente distorcidas como de repente, ouvíamos os violinos de Psycho, uma mistura algo dissonante que ajudou a tornar este dia ainda mais inesquecível.

O concerto inicia-se com “I’ll See You In My Dreams” (com Fernando Ribeiro e companhia vestidos a rigor) e à terceira música já ouvíamos “Finisterra” (retirada do álbum Memorial) que iniciou os primeiros mosh pits e crowdsurfs. “Night Eternal” e “Opium” (primeira grande ovação da noite) continuaram com ambiente quente (muito quente) vivido dentro da sala. O momento Irreligious continua, com mais 3 músicas a serem tocadas desse mesmo álbum, “Awake”, “Herr Spiegelmann” e “Mephisto”. “Scorpion Flower” fez as góticas suspirarem e “Luna” contou com bailarinas e com a magnífica voz de Carmen que fez os vocais femininos da música. “Em Nome Do Medo” (a única música que os Moonspell cantam totalmente em Português) torna-se cada vez mais a nova “Alma Mater”, desta feita, partilhada em palco com Rui Sidónio (dos Bizarra Locomotiva) e com todos na sala a cantarem os versos com toda a força que conseguiam. “Vampiria”, “Ataegina” e “Alma Mater” (trio de Wolfheart) acabam o concerto de forma apoteótica.

Os Moonspell regressam, para regozijo do público, e acabam o concerto com “Everything Invaded” e, a já habitual, “Full Moon Madness” (que contou com ótimas projeções na tela situada por detrás da banda). Fomos todos Lobisomens e Vampiros nesta noite, que apesar de não ser de lua cheia, foi como se fosse.

Seguimos então para o after no Cine-Incrível, na rua de cima, e deparamo-nos com a sala a meio-gás, o que significa que mais de metade das pessoas que se deslocaram à sala principal nem se deram ao trabalho de subir a rua para ver duas grandes bandas nacionais (de borla). Um bocado difícil de se compreender como é que se passa de um Incrível Almadense completamente esgotado para um Cine-Incrível com pouco mais de 100 pessoas.

No entanto, não foi isto que abrandou a banda de Ricardo Dias (ou Congas para os amigos) que durante 35minutos (e só não foi mais porque os senhores da sala não deixaram) animou as almas que lá se encontravam, muito mosh, muitos gritos, muito crowdsurf, muita amizade acima de tudo. Os For The Glory atuaram com os seus amigos de longa data, os Switchtense, partilhando o palco por duas vezes nessa noite, a primeira no set de For The Glory para interpretar “Life Is A Carrousel” e a segunda no set de Switchtense para interpretar “I Will Stand Stronger”. A banda de Loures continuou o seu concerto, não tão calmamente como desejaria, passando por todos os três álbuns da banda: Hardcore puro e duro! O concerto acaba com “Survival Of The Fittest”, ou então não, ainda houve tempo para mais uma, vinda diretamente de 2004, “Fall In Disgrace” encerrou o concerto e acabou por completo com a energia do público!

Pouco depois sobem ao palco os ”Heavyweights” da Moita e abrem com “Face Off”, sempre a rasgar, “Umbreakable” e “State Of Resignation” continuaram com o peso e a rapidez das faixas iniciais. O público já um pouco desgastado e em menor número do que no concerto de For The Glory, tentava atender às chamadas do vocalista para fazerem circle pits, apesar de terem sido poucos que alinharam em fazer movimentos mais audazes, foram muitos os que cantaram e saltaram durante estas músicas dos Switchtense. “Into The Words Of Chaos” e “Infected Blood” foram exemplos disso, com quase todo o público a cantar as suas letras. Em “Will Always Be The Same”, Hugo (vocalista) confessa que a banda já tem um novo álbum preparado para sair em 2015, mais rápido mas sem fugir àquilo que os Switchtense são: ”Diferentes mas iguais”. “This Is Only The Beggining” (a pedido do público) fecha o concerto e este primeiro dia de Mazefest, um dia muito bem passado, com 3 grandes bandas merecedoras de respeito por parte de todos os amantes de música pesada em Portugal.


 

ACTO II – 1 de Novembro

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Este segundo dia começou às 22h em ponto e contou com uns Mão Morta mais fortes que nunca. Com a casa composta por, sensivelmente, metade das pessoas que compareceram naquele mesmo local na noite anterior e com uma plateia com média de idades acima dos 30 anos de idade, voltam 16 anos depois à sala Incrível para apresentarem o seu mais recente disco Pelo Meu Relógio São Horas De Matar.

O concerto inicia com o comunicado de Adolfo Luxúria Canibal ao público relativamente à lesão e substituição do baterista da banda, o que condicionou (pensamos nós) o alinhamento apresentado pela banda, pois não tiveram tempo de ensaiar mais músicas. “E Se Depois?”, “Cão da Morte” e a muito pedida pelo público, “1º de Novembro” (hoje era dia 1/11) não se ouviram no dia de hoje.

“Quero Morder-te As Mãos” incendiou a plateia, os moshs começaram aqui até findarem apenas no final do concerto. O público estava com eles e eles com o público. Era comum ver-se Adolfo a pedir as camisolas ao público, a limpar o suor e atirá-las para o público outra vez. “Budapeste” e “Barcelona” surgiram de seguida, para surpresa do público. Seguiram-se “Vamos Fugir” e “Hipótese de Sucídio” (que mostrou o quão o público gostou e assimilou este novo disco). “Lisboa” causou outra onda de mosh e crowdsurfs para tudo acalmar nas duas músicas seguintes e acabar tudo abraçado (em modo cantar Alentejano) a cantar “Horas de Matar” (Lala-lalalalala-lalalalala-lala-la). Um concerto sem encore, com um alinhamento curto e conciso, não desiludiu ninguém, muito pelo contrário.

Quase imediatamente após o término da atuação dos Mão Morta inicia-se no Cine-Incrível o concerto dos Miss Lava, para surpresa de todos. Os Miss Lava foram vítimas do horário em que tocaram, pois começaram a tocar para 5 pessoas e apenas nas últimas 3 músicas é que o Cine começou a ”encher”. A banda Lisboeta aproveitou o concerto do dia de hoje para apresentar músicas do seu novo disco, exemplos disso são “Psychedelic Dojo”, “Black Unicorn” e “Fortune & Vice”. Ainda com uma plateia a compor-se, os Miss Lava libertaram grandes riffs, pondo todos os presentes a fazer headbanging. “Ride”, “Catch The Fire” e “Sleep With The Angels” terminaram o concerto da melhor forma, já com uma sala bem composta. Quem viu, viu um grande concerto, quem não viu que não os perca para a próxima.

Em substituição d’O Bisonte, que cancelaram a sua atuação, chegam os Matilha, meio desamparados, tocando o seu rock alternativo, muito à Ornatos. Uma banda sem guitarras e com uma presença de teclados gigante, entreteu o público presente, mas não por muito tempo, pois foi notório o esvaziamento do espaço ao longo da sua atuação. Um concerto que não teve nada a apontar, entrega de corpo e alma por parte do vocalista, um baixista bastante enérgico e uma música algo ambiental, mas nem isso foi capaz de manter o público na sala. Fica para a próxima, Matilha.

Por volta da 1h acabou definitivamente esta história, mais uma, desta feita em Almada, a cidade onde nasceu o Novo Rock Português nos finais dos anos 70. Em 2014 o Rock é outro mas o sítio é o mesmo. Mazefest, que voltes para o ano que nós vamos estar cá para te receber.

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Por Diogo Alexandre / 8 Novembro, 2014

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