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Resurrection Fest 2017 [6-8Jul] Texto + Fotogalerias

06 de Agosto, 2017 ReportagensPedro Sarmento

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Resurrection Fest

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Milhões de Festa 2017: As guitarras (e os drones) ainda ganham de goleada


 

A chegada a Viveiro no dia de aquecimento foi tardia e a noite ia já bem avançada. A povoação costeira galega, envolta àquela hora em bruma, revelava já uma enorme onda de festivaleiros prontos para o warm up, transmitindo a sensação de que também neste ano a festa seria grandiosa. Transpira-se um bocadinho do festival um pouco por toda a cidade, desde tabuletas e supermercados personalizados a lojas abertas fora de horas e parcerias inusitadas.

A pressa em assentar e encontrar local onde ficar valeu uma entrada no recinto principal mesmo a tempo dos cabeças de cartaz do dia: Sepultura do Brasil. A Resurrection Fest City, alcunha do recinto, cresce de ano para ano e, apesar do acesso aos dois palcos principais estar ainda interdito, saltam logo à vista as novidades, com destaque para o novo Desert Stage. Um pouco mais à frente, a audiência transbordava para fora da tenda que cobre o mais musicalmente extremo dos quatro palcos do festival, Ritual Stage, ansiosa pela entrada do quarteto brasileiro.

A espera foi curta e “I Am The Enemy” entrou sem pedir licença, galvanizando as hostes e aquecendo sangues. Duro e bruto. Fiéis à setlist com que se têm apresentado recentemente ao vivo, a banda originária de Belo Horizonte guardou os clássicos para o fim, com “Territory”, “Refuse/Resist”, finalizando com o ritmo louco da selva de “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots”, garantindo assim que o primeiro dia de preparação para o festival terminava em grande. O público manteve-se à altura e, tirando alguns gritos irreverentes clamando por um retorno improvável de Max Cavalera, era notório que a satisfação se generalizava.

 



 

6 de julho, dia 1

 

De volta ao recinto depois de uma manhã de exploração turística no centro da cidade, o destino era o Main Stage e o sol, fazendo finca-pé a previsões meteorológicas e ao histórico climático do festival, brilhava forte. O relvado amplo ainda se encontrava relativamente vazio mas a multidão começava a movimentar-se.

Mesmo sem Meryl Streep ou Anne Hathaway, os The Devil Wears Prada desempenharam o seu papel sem falhas. Este foi o último concerto que deram no velho continente antes de retornar para lados americanos, aproveitando para apresentar temas como “Daughter”, “Worldwide” e “To the Key of Evergreen” directamente do seu mais recente trabalho Transit Blues, de Outubro de 2016. “We are TDWP from the United States and we say fuck Donald Trump”, anunciado convictamente já na parte final do concerto, arrancou simpatias e aplausos da audiência e garantiu o término da festa em peso debaixo de um sol quente de final de tarde.

Ainda com tempo para deambular mais um pouco pelo recinto (e assistir ao soundcheck de Guerrera lamentando não poder ficar para o concerto) é de ressalvar o cuidado da organização do festival em polvilhar o espaço com esculturas emblemáticas e customizadas alusivas aos patrocínios, desde o veado imponente da Jägermeister à lata de cerveja gigante da Estrella Galicia, sem deixar de parte a referência a ícones da cena, como o grande mural em homenagem a Lemmy Killminster: “If you think you are too old to rock ‘n roll, then you are.”

De volta ao palco principal, o hino ao rock ‘n roll estava prestes a começar, vindo directamente de Warrnambool, Austrália. Os Airbourne foram (e são) majestosos ao vivo! A energia do frontman Joe O’Keeffe é contagiante, nunca parando quieto por mais de 5 segundos, e os incentivos constantes de interacção fizeram as delícias do público. Estava, sem sombra de dúvida, a ser o melhor concerto até então e as maiores surpresas ainda estavam para vir. Ainda na primeira metade do concerto, o palco foi invadido pelos ResuKids (filhos de festivaleiros inseridos em actividades temáticas) que, com os seus bonés amarelos, abafadores grandalhões e média de idades de dez anos, davam uns sólidos primeiros passos no mundo do headbang, parecendo tão contentes e à vontade como qualquer outro elemento do festival. Todos os temas foram terminados com grande pompa e circunstância, tudo em nome do épico e do rock ‘n roll, reduzindo o número de faixas do concerto mas aumentado sem dúvida a qualidade da festa. Destaque para o coro de acompanhamento entre banda e público no tema “Rivalry” (momento em que, no cenário do palco, a gigante capa de Black Dog Barking é substituída por Breakin’ Outta Hell, depois de uma pequena explosão), para a performance com a sirene de guerra a anunciar bombardeamento que precede “Live It Up”, para a loucura frenética de “Breakin’ Outta Hell”, em que se abriram de facto as portas do inferno, e para o final mais do que ansiado e desejado de “Running Wild”, tornando ainda mais difícil de engolir a partida do quarteto e o fim do espetáculo. Deixam saudades!

 



 

Depois de uns minutos a checkar o death old school dos Deserted Fear, decidimos regressar à frente do palco principal onde se poderia já observar um background gigante dos Suicidal Tendencies, baluartes máximos do denominado crossover thrash. Os norte-americanos entraram a matar com “You Can’t Bring Me Down”, um dos maiores hits da sua carreira, e de imediato tomaram o público, abrindo-se quase instantaneamente um circle pit na frente de plateia. Os novos elementos, Ra Díaz e Jeff Pogan, adicionam uma energia revigorante à banda o que, em conjunto com a mística transmitida pelos membros mais antigos, os mantêm como a verdadeira máquina demolidora que contam as histórias. Os anos parecem também não passar pelo frontman Mike Muir, sempre em correrias desenfreadas pelo palco e interpelando ora os companheiros, ora o público de uma forma muito frenética. De resto, o vocalista não se inibiu em dizer que adora a Espanha e, observando o feedback do público ao longo do concerto, os sentimentos parecem mais do que recíprocos.

 



 

Era chegada a hora do cabeça de cartaz do dia e bastava olhar para a multidão à volta para nos assegurarmos disso. Os Anthrax, encabeçados por Scott Ian e Joey Belladona, tomaram o Main Stage de assalto e fizeram o público viajar de volta aos tempos áureos do trash metal, fazendo jus à equipa Big Four. Do seu novo trabalho, For All Kings, tocaram apenas o tema “Breathing Lightning” e deixaram o resto do tempo para os clássicos, proporcionando assim, segundo as palavras do vocalista, a oportunidade de assistir aos maiores êxitos do grupo a quem os via pela primeira vez.

Vindos directamente de Corroios, concerto em território nacional inserido no contexto Route Resurrection, a banda mostrou-se incansável no diálogo com o público e provou que a velha guarda continua a dar cartas (e boas!). Os cânticos em “Be All, End All”, a loucura de “Madhouse”, a hipnose de “Medusa” e o tick-tack de “Got the Time” encabeçaram a viagem nostálgica e permitiram ainda à audiência ser apanhada em mosh, ser antissocial e verter uma lágrima ou duas em memória dos idos Índios. Nada a apontar quanto ao som, com volume apropriado e bem equalizado, nem quanto à performance da banda e à sua experiência.

Palavras de amizade e respeito finais pela voz de Scott Ian, coroadas por vivas e aplausos. Mais um concerto de grande qualidade!

 



 

As restantes duas horas foram divididas entre Karma To Burn e Dropkick Murphys, Desert Stage e Main Stage respectivamente. O trio de West Virginia e a sua setlist numérica mostrou-se compenetrado em elevar o bom nome do stoner, do acid e do desert, justificando plenamente a criação e baptismo do novo palco. Parcos nas palavras, a banda preocupou-se em dar aos fãs uma repescagem completa de temas, agradando a quem já os segue há algum tempo e cativando quem os via ao vivo pela primeira vez.

Mudando rapidamente de palco, era chegado o momento do punk celta entrar em cena pela voz e instrumentos do grupo de Quincy, Massachssets. Os Dropkick Murphys causam impacto logo à primeira vista: são muitos e preenchem a totalidade do palco, tocam instrumentos que fogem à norma da maioria das bandas do festival e carregam com uma parede de som gigante. Apresentando o seu mais recente trabalho, 11 Short Stories of Pain & Glory, a banda deu um espetáculo memorável, não faltando a gaita-de-foles, o bandolim e o banjo, coros encorajadores, dança e festa.

 



 

Um dos grandes momentos da noite estava para começar e era imperativo chegar às primeiras filas (missão cumprida, ainda que tenham sido sacrificados os instantes finais do concerto anterior). Red Fang, o titânico quarteto de Portland, revisitava o Resurrection Fest e fechava o primeiro dia do novíssimo Desert Stage. Chuva de aplausos com a entrada da banda, cumprimentos do costume, “à senhor”, entre os elementos, e estoura “Blood Like Cream”. A partir daí foi um misto de tentativa de audição imóvel e atenta (muito difícil) e simbiose com a multidão à volta (talvez a maior assistência do palco em questão). É uma sensação incrível captar tudo ao vivo tal qual como nos álbuns, sem pregos nem desafinanços, nem acelerações exageradas, e os Red Fang fazem-no na perfeição e ainda lhe acrescentam uma dose generosa de bom gosto (nos comentários ou nas acentuações vocais) e um groove próprio da cena live.

Foram tocados temas de toda a discografia da banda e os cânticos afinados da plateia em sintonia com as faixas mais recentes mostraram bem o quão dedicado e fiel é o conjunto de fãs do grupo: “Flies” e “Cut It Short” foram tão acompanhadas e acarinhadas como por exemplo “Wires” ou “Malverde”. Conhecidos por alguma flexibilidade no que toca à setlist, a banda apresentou “Hank is Dead” (memória ao falecido cão do baixista/vocalista, que descanse em paz!) e finalizou com o indispensável e poderoso “Prehistoric Dog”, num esforço derradeiro de encher os corações do público de boa música.

Terminado o dia, o caminho até ao acampamento é feito com o oceano do lado direito e com resquícios de Rage Against The Machine na cabeça devidamente inseminados pelos Bulls On Parade, prata da casa nacional. Naquele momento, qualidade é, definitivamente, o adjectivo que melhor caracteriza o primeiro dia oficial do festival e é também profunda (e crescente) a crença de que assim se manterá.

 



 

7 de julho, dia 2

 

O segundo dia começou com uma espécie de duelo entre Portugal e Espanha. No palco Ritual, de uma assentada, apresentaram-se os nacionais Holocausto Canibal e os Reality Slap. A primeira, veterana banda portuense, entrou em palco ainda bem cedo, sendo que o vocalista Ricardo Silva se apresentou caracterizado de butcherman, avental de plástico e corpo cheio de sangue, qual Dexter em pleno ritual, inferindo de imediato aos presentes que ali se assistiria a carnificina. Durante o concerto passaram um pouco por toda a discografia, notando-se no entanto estarem um pouco deslocados no espaço. De facto, a sua atuação estava previamente marcada para o Chaos Stage, palco com um alinhamento mais coerente com a sonoridade dos Holocausto Canibal, tendo sido “relegados” para o palco dedicado ao Hardcore/punk devido a ajustes necessários à construção dos complexos horários. De qualquer maneira, o historial desta banda justificava bem melhor slot.

Já os Reality Slap caíram no palco Ritual como peixes na água. A banda lisboeta não escondeu a felicidade de ter, finalmente, a oportunidade de atuar num dos festivais mais fortes do género, e agarrou a oportunidade com unhas e dentes. Assumiram-se como porta-estandartes do harcore nacional ao ainda pouco público presente no recinto, angariando ao longo do concerto cada vez mais gente para o reboliço que se fazia sentir na frente de plateia, com moshes, crowdkill e as “danças” típicas em concertos hardcore. Poucos, mas bons, e de certeza que convenceram os apreciantes do género que por ali estavam e ainda não os conheciam. Se os Holocausto Canibal mereciam melhor slot pelo já vasto historial, os Reality Slap conquistaram direito a isso em próximas edições com a sua explosiva atuação.

 



 

Do outro lado, no palco Desert, intercalando estes concertos lusos, pudemos assistir a um interessante tridente espanhol. Primeiro os locais Anima, com uma sonoridade indie rock um pouco “Linda martiana”, mas seriam os seguintes que captariam mais a nossa atenção. Vindos de Barcelona, os Böira aterraram com o seu post-rock bem ambiental e meticuloso, revelando-se banda sonora quase perfeita para quem se sentava na relva descontraidamente, recarregando forças para o que seria uma noite intensa. Seguiu-se One For Apocalypse, o trio das Astúrias com o seu instrumental atmosférico e progressivo, abrindo apetites de horizontes, sanando com o seu repertório as mentes mais inquietas. Concerto de 40 minutos, cheio de vigor e com claro carinho por parte da audiência.

 



 

Também das Astúrias, os Legacy of Brutality apresentaram-se no Chaos Stage com a força toda: death metal com uma fome capaz de engolir o público todo, headbang e cabelo turbinante, directos e a “jogar” claramente em casa, à vontade tanto com fãs e seguidores como com os mais iniciados no som da banda.

De volta ao Main Stage e com um ligeiro atraso, os Annihilator encabeçados pelo lendário Jeff Waters desculparam-se com o facto de os instrumentos terem sido extraviados no aeroporto. Temas clássicos com “King of the Kill”, “Set the World on Fire” e também “No Way Out” mostraram que esta é uma banda a quem as mudanças de line-up não parecem afectar e que, mesmo com uma Gibson emprestada, Jeff Waters continua a dominar as seis cordas. No final, foi perguntado à audiência qual o tema que gostariam de ouvir para terminar e a escolha (que parecia já mais do que escolhida previamente) recaiu sobre “Phantasmagoria”, a música preferida do grupo, nas palavras do frontman.

Directamente de Madrid para o Chaos Stage, Vita Imana em grande forma, rodeados de uma crew recheadíssima fantasiada de Star Wars e acompanhados por, mais uma vez, os ResuKids, deram um concerto memorável demonstrando novamente a besta de palco que são. Agressivos, cheios de groove bom e com toques tribais e da selva, a banda recebeu e retribuiu todo o apreço do público.

 



 

Já no Desert Stage, os Truckfighters faziam a festa com destaque para a energia do guitarrista Dango, capaz de destronar qualquer atleta de ginásio no que toca à stamina e capacidade de impulsão. Com o seu stoner potente, o trio sueco revelou-se um sério candidato a melhor espetáculo do dia (até então), interagindo entusiasticamente com a audiência. Muito coesos enquanto banda, sem erros nem percalços e com um som de grande qualidade (mais um).

Sem arredar pé do palco, a espera trouxe os franceses Alcest à festa, apresentando o seu blackgaze tão próprio e liderados por Neige, com temas (entre outros) do seu mais recente trabalho, Kodama. A voz limpa e cândida do vocalista dá rapidamente forma ao growl mais brutal do dia (talvez por uma questão de volumes e equalizações, talvez por talento natural) e funciona como um acordar brutal do transe em que toda a audiência se encontrava mergulhada.

 



 

Rapidamente de volta ao Main Stage, soavam ainda os últimos temas de Enter Shikari (que viram a sua atuação pautada por problemas técnicos) com “Anesthetist” e os seus elementos electro e rap. A multidão era já imensa e ânsia pelo portento germânico crescia. Preparações de palco feitas “à porta fechada” por detrás de uma tela negra gigante, espera, espera e espera, e finalmente, do alto surgem os dois guitarristas em cima da plataforma elevatória e “Ramm4” ouve-se a bom som. A entrada de Till Lindemann, todo envolto em branco, coordenada entre samples e sapateados, leva a audiência ao êxtase: chapéu atirado ao ar e explosão em voo, a festa começou. JA! NEIN! RAMMSTEIN!

É pouco dizer que é um gigantesco espetáculo a todos os níveis; é pouco dizer que, mesmo para quem não é fã do grupo ou da sua sonoridade, não há como não estarrecer no meio de toda a pirotecnia (de qualidade e bom gosto) e parede de som. De um sincronismo perfeito, como um teatro ensaiado ao segundo, a banda apresenta magia em cada tema, com a sua panóplia de lança-chamas guitarrísticos, o colete explosivo do vocalista, o derramar de “lava” sobre o teclista e o toque final, “Engel” e o anjo Till, lá no alto, a cantar de asas a arder. Não se pense que se trata apenas de um bom show de passagem de ano ou circense; Rammstein são o arquétipo do profissionalismo musical! Impecáveis a interpretar todo o repertório do seu habitual set, com “Links 2, 3, 4”, “Ich Will”, “Du Hast”, “Sonne” e “Seemann” a abrir pela melodia do baixista.

Conhecedora esmerada da setlist da banda, o final “Engel” trouxe a desmobilização da gigante massa humana, ainda siderada com o concerto que acabara de acontecer. Poucos instantes depois é ouvido um inesperado “Quiero más?” pela voz de Till Lindemann e a tão desejada (ainda que improvável) surpresa parece que ia mesmo acontecer. “Te Quiero Puta”, tema da banda em castelhano, entra em cena com direito a trompete do teclista e à loucura final da audiência. Absolutamente memorável!

 



 

No Desert Stage desenrolava-se a magia cordofone de Animals As Leaders, com o líder e mágico guitarrista Tosin Abasi a comentar, em tom de brincadeira, que a audiência devia gostar mesmo de metal para estar a vê-los tão tarde e que este tinha sido um dos shows mais tardios da sua carreira. Virtuosismo, groove, compassos difíceis (mas não impossíveis) para o headbang, solos e slaps, tudo era místico e inacreditável. Nada nas composições do grupo é excessivo ou de mau gosto e são verdadeiramente impecáveis ao vivo. Com temas do seu mais recente trabalho, The Madness of Many, rodeados por clássicos do progressivo, a banda terminou em grande com “The Woven Web” e “CAFO”, deixando os mais cépticos com olhos em bico.

 

8 de julho, dia 3

 

O último dia começou em grande com Revolution Within a mostrarem o que de bom se faz em Portugal (e no Mundo!) no ramo do trash metal moderno, com claro à vontade com o público e desenvoltura ao vivo própria dos melhores. Com o seu mais recente trabalho, Annihilation, de Maio de 2016, a banda originária de Santa Maria da Feira ofereceu à audiência uma meia hora de puro aço!

Seguiu-se Degraey, da Catalunha, com um post-metal em ascensão e muita energia ao vivo, enchendo de alma o Ritual Stage, com uns surpreendentes compassos fora-da-caixa e melodias em tapping deliciosas. De Bilbao, os Quaoar rechearam o Desert Stage de rock sem limites nem expectativas, muito groove e presença.

No Chaos Stage, os Mutant deram um concerto inspirador, consciencializando o público da importância da assistência em todos os espectáculos e não apenas nos grandes festivais. Cheios de groove e pujança, com à vontade para recomeçar um tema quando as coisas não estavam a sair bem, o grupo galego deu mais uma vez provas de que é um elemento do cartaz do Resurrection Fest mais do que justificado.

Era chegada a hora de Besta e é preciso destacar sobretudo a atitude. Muita atenção, fãs do grindcore punk, o quarteto Lisboa deixa tudo, tudo em palco. Peso e brutalidade é a palavra de ordem e “que se foda a exploração de Fátima”! Mensagem forte, sonoridade ainda mais forte, e muito bom gosto e profissionalismo com um concerto brilhante naquela tarde de Desert Stage.

 



 



 

Cancelado o concerto de Krisiun sem qualquer tipo de aviso prévio, era tempo para Conan e o seu doom destruidor. O trio deixou a audiência a ferver com as suas acelerações e desacelerações, movimentando a ritmo de batalha a considerável massa que se perfilava em frente ao Desert Stage. No entanto, os britânicos não se apresentaram na melhor das formas, tendo tido, se calhar, influência o facto de não contarem neste concerto com o seu baixista habitual, não sabendo nós se terá sido um episódio esporádico ou se Chris Fielding não fará mais parte da banda.  A verdade é que não conseguiram encher o PA com a sua mais bruta demolição, como já os vimos fazer antes.

Brutal foi o concerto de Mantar, com os alemães a espalharem sludge e dedicação, e a fazerem com que um tal Jesus Cristo da audiência bebesse a cerveja do vocalista Hanno. Desert Stage mais uma vez ao rubro e casa bem composta, os senhores do “black metal doom punk” soam como se fossem uma centena, com um som penetrante, cheio e pesado.

 



 

De volta ao Main Stage, entrava em cena o enorme mastodonte americano. Umas semanas depois do fulgurante concerto no MEO Arena, os Mastodon apresentaram fidedignamente o seu mais recente trabalho, Emperor of Sand, do qual tocaram nada menos do que sete temas! Receando algum desleixo na componente vocal (eterno calcanhar de Aquiles da banda), “Sultan’s Curse” entrou para colocar de lado todos os medos. Que qualidade de interpretação ao vivo! Nem mesmo nos agudos mais audazes das novas faixas do grupo o baterista/vocalista Brann Dailor se estropiou, mantendo-se tão afinado como ritmicamente no ponto.

Obviamente que os clássicos não faltaram, com a velha guarda de fãs ao rubro em temas como “Colony of Birchmen” e “Mother Puncher”. Sem espaço para a costumeira “Oblivion”, para desalento dos seguidores hardcore de Crack the Skye, a banda termina o seu set de 14 temas com a majestosa “Blood and Thunder”, deixando recordações mais do que boas!

Também aqui o palco foi novamente invadido pelos ResuKids, alvo de atenção e carinho especial por parte dos elementos da banda. Tecnicamente muito coesos, as vozes no ponto, presença em palco comandada pelo demoníaco Troy Sanders, os progressivos de Atlanta mostraram mais uma vez o porquê de serem um dos portadores da tocha principal do metal atual.

 



 

De volta ao Desert Stage fomos reencontrar os Ufomammut, repescados de última hora para o lugar dos Pentagram. E arriscamos a dizer que a vaga foi ocupada da melhor forma. O power-trio italiano conseguiu o que faltou aos Conan e preencheu toda a potência do PA com o seu característico sludge com pinceladas psicadélicas. Jogaram cartadas seguras com as melhores malhas da carreira mas o destaque cai mesmo em “Warsheep”, single editado já este ano que antevê mais um grande disco na calha para o outono.

O nosso último périplo pelo novíssimo Desert Stage aconteceria umas horas mais tarde para turbilhão de riffs dos Orange Goblin. A banda britânica liderada pelo carismático Ben Ward conseguiu reunir uma das maiores plateias naquele espaço, a par de Red Fang, e não desiludiu ninguém. Seguindo o mote de “Sabbath Ex”, o público entende aquele espírito Rock n’ Roll na perfeição e não se inibe de levantar o braço como forma de entusiasmo.

Foi um final com chave de ouro para o novo palco do Resurrection Fest. É de elogiar a aposta de nomes fortes para este espaço, que à partida teriam condições e estatuto para tocar no palco principal, como é o caso destes Orange Goblin, de Red Fang ou até mesmo Animals as Leaders. As bandas, e bem, não levaram isso como despromoção e, ao atuarem num espaço com muita maior proximidade com o público, criaram uma atmosfera especial que em festival é muito raro de encontrar. Augura-se um grande futuro para este palco.

 



 

Já no Chaos Stage, a noite foi dedicada ao black metal. Os Mayhem eram a proposta mais esperada e a frente de palco bem cedo se encheu de fiéis seguidores à espera da histórica banda. Em digressão de celebração, os noruegueses andam a interpretar na íntegra De Mysteriis Dom Sathanas com Attila Csihar aos comandos da voz e, aos primeiros acordes já se sentia o fanatismo na plateia, totalmente possuída. No entanto, o som não parecia estar nas melhores condições, sendo que o volume aparentemente baixo não deixou que se criasse uma parede de som capaz de esbofetear o público sedento de sangue. Ou isso ou então já estávamos surdos. Um pouco antes, os Taake abriram o caminho negro mas o facto de atuarem ainda com bastante claridade solar fez com que se esfumasse o feel e a “magia cénica” tão característica do black metal. De resto, essa é uma crítica que temos também feito no Hellfest, que black metal à luz do dia perde um pouco o encanto.   

 



 

Entrando já na reta final do festival, era hora de festa. Nesta edição, os Rancid eram o cabeça de cartaz que mais fazia jus à história do festival e o entusiasmo rápido se fez notar. Mal a banda entra em palco ao som de "Radio" houve uma explosão de alegria no público como ainda não tínhamos visto. O background era a capa de …and Out Come the Wolves, mítico disco editado em 1995, que seria obviamente o maior foco do espetáculo, a par de Let's Go de 1994. Mais de uma hora de pura intensidade, tanto em palco como na plateia, uma homenagem merecida a umas das mais importantes, e ao mesmo tempo underrated, bandas punk dos anos 90.

O público não arredou pé e foi uma plateia ainda muito bem composta que marchou às ordens do general Joakim Brodén e seus soldados. Os Sabaton trouxeram para palco um tanque de guerra gigante, no topo do qual estava instalado o baterista e seu material de guerra. Temas como "The Art of War", "The Last Stand" ou a apoteótica "To Hell and Back" acompanhadas de alguma pirotecnia foram a salva de morteiros final com que terminaram as hostilidades no palco principal.

Tudo somado, esta edição do Resurrection Fest pautou-se por standards de qualidade elevadíssimos, com concertos no ponto e alinhamento delicioso. É notória a evolução do festival e a vontade de crescer ainda mais. Esperam-se mais edições, e sonha-se com (ainda) melhor. Venha o próximo!

 

por
em Reportagens
fotografia Bruno Pereira

Resurrection Fest 2017 [6-8Jul] Texto + Fotogalerias
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