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Ringo Deathstarr – Reverence Underground Sessions #1 @ Sabotage Club – Lisboa [21Mar2016]

22 - Ringo Deathstarr

© Daniel Jesus – Música em DX

Granizo torrencial, frio, chuva, chuva e chuva. Felizmente às horas a que os concertos tinham início, a chuva cessou mas o frio permaneceu. Noite em jeito de aquecimento para o festival Reverence Valada que caminha para a sua terceira edição, festival esse onde por lá já passaram as duas bandas da noite, apesar de em anos distintos. Foi bom recordar o fim de tarde em que vimos os Ringo Deathstarr nas margens do Tejo e a madrugada em que Acid Acid enfeitiçou o público, maioritariamente sentado, do palco Praia, outrora chamado Sabotage, espaço onde aconteceu o evento e onde acontecerão mais uns quantos, promovidos pela mesma entidade, até setembro.

O primeiro a subir ao palco foi Acid Acid, projeto a solo de Tiago Castro, aqui acompanhado por João Paulo Daniel (dos Beautify Junkyards) encarregue de dar a cara ao manifesto enquanto manipula os diversos botões do seu sintetizadore modular, já que Tiago passou a maior parte do tempo escondido atrás (quase por debaixo) do seu teclado, de cóqueras, “brincando” com a sua guitarra e respectivos pedais de efeitos, elaborando planícies sonoras hipnotizantes, causando uma espécie de transe colectivo a todos aqueles que se encontravam na sala. Não eram muitos, é certo, mas foram os suficientes para nos aquecer e nos transportar para outra realidade, pelo menos uma onde o frio não se sente. Quarenta minutos instrumentais, de luz escassa, ideal para a melhor viagem interna de início de semana das nossas vidas. Afinal de contas era segunda-feira e não costumam haver muitas segundas-feiras assim. Aproveitámos bem e supomos que os músicos também o tenham feito. Luzes acesas, regresso à realidade e tempo para rever amigos e meter a conversa em dia.

Já sem o aparato eletrónico em cima do palco e com uma casa bem mais composta (nunca percebi o facto de os portugueses só chegarem para ver a banda principal se não pagam mais para ver a de abertura, mas adiante), os Ringo Deathstarr rápido se manifestam, interpretando “Starrsha” e “Chloe”, espetando as suas influências na cara dos seus ouvintes. Passar este concerto sem se mencionar os The Jesus & Mary Chain e os My Bloody Valentine era tentarmos esconder a realidade, pois é mais que óbvio que é por aqui que os Ringo Deathstarr se sentem confortáveis. Por entre o fuzz e as batidas secas na tarola por parte do simpático baterista Daniel Coborn, conseguimos escutar a voz de Alex Gehring, baixista e imagem standard da banda, que hermanamente divide as tarefas de vocalista com Elliott Frazier, sempre ocultada pelos restantes instrumentos, como se quer e como deve ser.

Com Pure Mood em óbvio destaque, temas como “Boys In Heat”, “Heavy Metal Sucide” ou “Stare At The Sun” não passaram despercebidos mas foi com os clássicos antigos que mexeram com a plateia, levando mesmo alguns a praticar a arte do air drumming e da air guitar. “Tambourine Girl” encerrou, sem encore, a hora de concerto de uns Ringo Deathstarr cada vez mais intensos e libertos ao vivo, capazes de pegar em temas seus e torná-los completamente irreconheciveis.

Os texanos chegaram tão depressa como partiram, explicando que os aguardavam dezasseis horas de viagem (até França) e iniciando-se na tarefa de arrumar os instrumentos quase imediatamente após o término do concerto. Para trás fica o sentimento nostálgico de ver esta banda em crescimento, desde 2011, e este que foi talvez o seu melhor concerto até à data em terras lusas, onde a energia e o bom ambiente imperou num espaço que já nos é bem familiar. Venham mais noites destas que nós não nos importamos de começar todas as semanas assim.

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Por Diogo Alexandre / 30 Março, 2016

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