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Rodrigo Amarante - Theatro Circo, Braga [2Jul2016]

07 de Julho, 2016 ReportagensSara Dias

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Theatro Circo

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RODRIGO-AMARANTE-2-crédito-Elliot-Lee-Hazel-1908x2500 - Cópia

“We are speaking of love. A leaf, a handful of seed - begin with these, learn a little what it is to love. First a leaf, a fall of rain, then someone to receive what a leaf has taught you, what a fall of rain has ripened. No easy process, understand; it could take a lifetime, it has mine, and still I've never mastered it - I only know how true it is; that love is a chain of love, as nature is a chain of life.”

Agridoce. Não há melhor palavra para descrever a música de Rodrigo Amarante que nos remete para um fim de tarde do último dia de Verão, onde ainda vestimos vestidos curtinhos e floridos, mas que um arrepio já toma conta de nós quando o sol se começa a pôr. Sentimos um arrepio a percorrer-nos a espinha, um friozinho nas perninhas desnudas e a rotina do quotidiano a encherem-nos o que antes era ocupado por despreocupação e gelados de framboesa. Poderíamos até ir mais longe: doce como Capote descreve Dolly, azeda como esse mesmo Capote descreve Verena. Amarante pinta-se de melodias e de tons infantilmente puros e imaculados como Collin Fenwick, mas ao mesmo tempo de letras que nos deixam m um trago amargo na boca – o mesmo Collin, que não é mais que uma criança e que vê a mãe falecer e o pai a enlouquecer.

É certo e sabido que Rodrigo Amarante é um dos nomes mais sonantes da música brasileira contemporânea, quiçá um dos nomes mais sonantes da história da música brasileira de sempre. Amarante não tem só uma carreira a solo apoiada em Cavalo, lançado em 2014, mas também tem uma mão cheia de projetos como Los Hermanos, Little Joy e a Orquestra Imperial. E não é também de admirar que o Theatro Circo estivesse praticamente cheio à espera de um Rodrigo Amarante animado – chegou até a esperar que toda a gente ocupasse os seus lugares, a mandar piadas e a tentar ver as caras daqueles que encheram o Theatro, - mas sempre embrenhado naquela nostalgia que lhe sai pela boca e a cada dedilhada na sua guitarra. Ouvimos Cavalo com especial destaque para a nostálgica “Irene” – “Saudade, eu te matei de fome / E tarde, eu te enterrei com a mágoa / Se hoje eu já não sei teu nome / Teu rosto nunca me deu trégua” - e para a melancólica “Tardei”. Já o ponto alto deu-se com “Evaporar”, música lançada pelos Little Joy, mas que Amarante inclui com alguma frequência nos seus sets – felizmente. Presenciamos a um concerto memorável e incrivelmente intimo dado ao tamanho do Theatro.

“Of all things this was the saddest, that life goes on: if one leaves one's lover, life should stop for him, and if one disappears from the world, the world should stop, too; and it never did. And that was the real reason for most people getting up in morning: not because it would matter but because it wouldn't.”

Citações retiradas de The Grass Harp, Including A Tree of Night and Other Stories de Truman Capote.
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