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Russian Circles + Helms Alee @ RCA Club - Lisboa [16Abr2015] Texto + Fotos

18 de Abril, 2015 ReportagensDiogo Alexandre

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Às 21h em ponto, a lotação do RCA já estava bem composta, porém, a fila para a entrada no recinto ainda ia até ao final da rua. Fila essa que só se dissolveu pouco antes da banda de abertura terminar a sua atuação.

Com a sala sensivelmente a dois terços da lotação total, subiram ao palco os Helms Alee, power-trio raçado de Stoner/Sludge que prometia muito e cumpriu pouco. O som estava péssimo: o poder do baixo perdeu-se completamente e som da guitarra transformou-se numa enorme bola de buzz. O que saltava mais à vista era o sorriso da simpática baterista e cantora, não muito técnica, que lá ia fazendo a locomotiva andar. A interação também não foi muita, às tantas o espírito perdeu-se e algum público preferiu sair da sala para ir meter a conversa em dia. Os Helms Alee são dotados de uma sonoridade bastante interessante mas que, claramente, não resultou nesta quinta-feira. O que poderia ter sido um memorável concerto não passou de um mediano, com muita pena nossa.



Estamos em Portugal: o público pagante só se interessa pela banda grande e nada mais. Se ainda se desconfiava, ficou nítido neste dia. Aquando do enobrecimento da sala, com uma sonoridade Drone no background e com as máquinas de fumo a fazerem a sua magia, a audiência entra no local, enchendo-o por completo, de forma incomparável. Não temos memória de ver o RCA tão cheio.

Quinze minutos depois de viajarmos por entre a neblina, Mike Sullivan, Dave Turncrantz e Brian Cook, entram quase em simultâneo, interpretando de imediato “Deficit”, ainda com os apupos do público audíveis. Foi uma hora e um quarto sem pausas, parando a viagem apenas para o clássico encore. Ouviram-se temas como “Harper Lewis”, “Geneva”, “Mládek” ou “Death Rides A Horse”, sempre com o público fazendo headbang e “cantando” todos os seus instrumentais. Uma banda que, definitivamente, merece o público que tem e todo o hype gerado em torno desta.

Para o encore ficou reservada “Youngblood”, música de quase 8 minutos que fez os presentes delirar e agitarem-se mais que nunca. O público ainda pediu mais uma mas o DJ do RCA não deu tréguas e entrou em ação quase imediatamente.

Os músicos subiram ao palco novamente, não sendo para tocar (pena!) mas sim para dar mais atenção aos seus fãs e admiradores, assinando discos, bilhetes, falando sobre pedais, recebendo conselhos, tudo e mais alguma coisa. Uma banda bastante humilde, fazendo-nos pensar que se todas as bandas tivessem esta atitude, a música era muito mais gratificante.

Saímos do RCA felizes, vimos um excelente concerto, mais uma excelente noite com selo da promotora Amplificasom, fizémos amigos novos e falámos com conhecidos com os quais já não falávamos há meses. Uma quinta-feira feliz, pois não é todos os dias que se vê os Russian Circles e se pode falar com Brian Cook (também membro dos Botch e dos These Arms Are Snakes) sobre música e outros encantos.

Se gostam de pós-rock/pós-metal e não sabem se hão-de pagar para ver estes “russos”, podem fazê-lo. Acreditem que vale o dinheiro.

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