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Sam Alone + Fast Eddie Nelson @ RCA Club – Lisboa [19Mar2016] Texto + Fotos

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Em noite de comemoração da reedição de Tougher Than Leather (pela People Like You Records) e de pré-digressão europeia, Sam Alone e os seus Gravediggers invadiram o RCA Club para nos proporcionarem um serão de comunhão e amizade, e nos mostrarem a sua evolução ao longo do tempo, não antes do rei do blues barreirense subir para cima do palco e descarregar sobre o público presente a ira do blues rock à antiga.

Em formato de banda (havia baixo e bateria para ajudar à festa), Nelson Oliveira mostra-se descontraído e confiante: Boné “No Class” envergado e preparadíssimo para despedaçar a plateia, ainda algo despida e apática, com as canções do seu mais recente Roots Run Deep. “Coming To Town” e “Blues Walking Like A Men” abrem o concerto com a pujança que Fast Eddie Nelson já nos habitua há algum tempo. “That Moonhine” (mais uma do seu recente trabalho), que fala sobre filatelia, confessa o próprio em tom brincalhão, conta com a presença de Poli Correia (na segunda guitarra) e com um duelo entre ambos os guitarristas. Um “fiz para ti” (dito a Poli Correira) em tom jocoso após Nelson findar o seu solo de guitarra, fez com que a plateia soltasse algumas gargalhadas e provou a excelente cumplicidade vivida pelos dois. Uma versão alargada de “This Mountain” fechou em beleza um concerto que durou cerca de quarenta minutos e que resultou em pleno no seu ato primordial de aquecer o público para o que se seguiria, e que seria bem mais calmo (ou menos rock), diga-se de passagem.

Em tempo record efetuam-se as mudanças em palco, subindo Sam Alone ao mesmo logo de seguida, cumprimentando o público presente e iniciando as hostes com “Gardens Of Death” e “Shine”, perguntando ao público se alguém já tinha comprado o “novo” álbum e, para quem não comprou, “sacar” da internet e fazer uma cópia para um amigo, que a música é para ser partilhada.

O concerto prossegue sempre assente na boa-disposição e percorrendo toda a discografia do músico (desde Dead Sailor até ao mais recente Tougher Than Leather) já decorada pela maior parte do público presente. Canções como “Gallow”, “Little World” e “Believers And Renegades”, sendo esta o single do seu mais recente trabalho, e antecedendo “uma grande malha de heavy metal” (brincando com a polémica gerada por Fernando Ribeiro e não escapando a um “racismo musical” gritado por alguém da plateia, também este dito em tom de brincadeira, como é evidente) que seria um cover de “It’s A Man’s World”, original de James Brown e imaculadamente bem interpretada tanto, vocalmente, por Poli Correia como, instrumentalmente, pelos seus Gravediggers, aqui com a presença do saxofonista André Murraças, servindo assim para suavizar um pouco o ambiente até então vivido. É verdade que James Brown só há um e quer-nos parecer que Poli não tem pretensões em ser como ele, mas que foi um cover bem jogado, disso não há dúvidas.

“Youth In The Dark” e “Restless” (já um clássico, com quase 10 anos) foram entoadas na perfeição
pelos fãs que tão bem compuseram o RCA Club neste serão de Sábado à noite, seguindo-se “Shadow Of The Hero”, música onde Sara Badalo mostrou todo o seu potencial vocal mesmo com todos os problemas técnicos. Findada a canção, e não sem antes Sam Alone mencionar o projeto de Sara com Pedro Matos (também membro dos Gravediggers) chamado Storm & The Sun, Fast Eddie Nelson é chamado ao palco aquando da interpretação de “Waymore’s Blues”, original de Waylon Jennings, e acabaria por lá ficar até ao final da atuação. “My Heart Beats So Warm” é o que se ouve durante a sentimental “Warm” e, acompanhada por palmas e pelos “nananana” do refrão, “Tougher Than Leather” (faixa título do disco com o mesmo nome) termina o concerto de forma épica.

O público pediu mais e Poli responde aos pedidos com uma inesperada versão acústica de “Drunfos”, do rapper Allen Halloween, confessando, em seguida, ser grande fã do seu trabalho. “No Class”, retirada de Youth In The Dark, termina da melhor forma um concerto que quase chegou à hora e meia de duração.

É de destacar a excelente qualidade dos músicos presentes na banda de Sam Alone, interpretando todas as canções de forma exímia, tal e qual nos é fornecida nos discos e sem perder a “humanidade” durante a sua execução, não falhando os tempos nem as notas de nenhuma canção ao longo do concerto e ainda dispostos a improvisar em alguns temas. A melhoria no poder vocal e presença em palco do próprio Poli também foi notória, parecendo-nos estar hoje melhor que nunca. Se os concertos da Europa correrem tão bem como este, então não deixarão ninguém indiferente e serão um sucesso garantido!

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Por Diogo Alexandre / 28 Março, 2016

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