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Sarah Neufeld - Casa da Música, Porto [13Nov2016] Texto + Fotos

20 de Novembro, 2016 ReportagensJoão Rocha

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Casa da Música

Mos Generator c/ Ana Paris - Cave 45, Porto [16Nov2016] Foto-reportagem

Andrew Bird - Casa da Música, Porto [8Nov2016] Foto-reportagem
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Novembro continua a afastar da cidade o espírito sombrio e tenebroso de um inverno, e apesar de o frio se fazer notar, os dias e as noites continuam convidativas para a marcação de bons planos entre ou fora paredes, só ou acompanhados. No passado domingo, dia 13, a Casa da Música era uma das agentes que proponha um desses planos. Evento aparentemente despercebido, após destacado o seu historial conseguiu chamar a si imensos curiosos, entusiastas do género e até alguns fãs.

Sarah Neufeld, e o seu passado nos Arcade Fire, trouxeram ao edifício icónico da Invicta algumas dezenas de pessoas causando alguma desilusão e tristeza ao entrar na Sala 2, visivelmente com menos filas de cadeiras que o habitual, e reparar que haviam vários lugares vazios por preencher. Também Sarah teve dificuldades em encher o espaço com a sua música, não porque a acústica estivesse má (seria algo insólito na Casa da Música) ou os problemas técnicos a reinar, mas sim porque a personalidade e aura da artista demorou a florescer.

Com um álbum novo na bagagem, subiu ao palco muito despercebida, sem arrancar do público uma palma, um ruído ou qualquer tipo de outra reacção. O início do concerto foi uma mera demonstração de técnica, onde provou ao público ser uma exímia violinista mas uma aborrecida e pouco criativa compositora. Melodias em loop com variantes pouco significantes, caracterizam as composições clássicas de Neufeld. Apesar de a influência arcadiana de criar hinos estar bem patente na sua sonoridade, estes dão a entender funcionar melhor como linha de a sustentar a música, e não como atração principal. “We’ve Got a Lot” foi um excelente exemplo desta situação, e apesar de este novo álbum, The Ridge, enveredar por silhuetas mais experimentais, de faixa para faixa fica-se sempre com esta sensação, que provoca cansaço e não causa empatia entre que produz e quem escuta. Em boa verdade, esta ausência de sinergia foi absolutamente palpável durante boa parte do concerto, com um constrangedor e sofrido tempo entre o término de uma canção e a reação do público.

Felizmente não demorou a que a situação desse uma tremenda reviravolta, em muito provocada pela entrada em palco de Stefan Schneider que assegurou a bateria e os sintetizadores. A reviravolta não só se sentiu no ambiente como nas canções, que para quem conhece o álbum e esteve no concerto percebeu que estas funcionaram muitíssimo melhor ao vivo. Em momento algum falhou a sincronização entre a batida de Stefan e o fluxo desconcertante de Sarah, e num relance de olhar, trocavam entre si uma sintonia criativa e sensorial que se concretizava em paixão rítmica. Aliado a isso, jogos de luzes comungavam com as músicas criando uma sensação de suave epilepsia que resultaram em situações de extrema perfeição em palco como foi o caso de “The Glow” ou “A Long Awaited Scar”.

De um concerto vagaroso e desligado entre ator e recetor onde o desejo de fim começava a instalar-se, passamos para entusiastas palmas e aclamações, que iam gerando empatia e mais confiança em Sarah Neufeld cada vez mais comunicativa para deleite do público. O fim já não se desejava e o pedido de encore foi fervoroso para o parco número de pessoas que assistiram a tão delicioso concerto. Com o encore vieram os momentos mais pessoais e de maior entrega da artista canadense que, sem Stefan em palco, interpretou um dos primeiros temas que compusera, para um tio que a morte levou antes de o poder presentear, e conhecer. Concerto prova viva de que a relação entre artista e o público tem de ser cultivada durante a atuação para proveito de ambas as partes. Sem essa convergência provavelmente não teria contado a história por detrás da canção e o público não teria pedido um encore, nem Sarah teria conseguido brilhar e encantar novamente só em Palco.

Uma hora e pouco depois a Casa da Música esvaziava-se e nela ficavam apenas sentados ainda as memórias que adormeceram nas primeiras músicas, enquanto nós, pessoas reais, caminhávamos a passos largos, afastando-nos delas e deixando o preenchimento de conforto e realização, que apenas almas vivas podem sentir após um bom concerto, tomar conta.

 






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em Reportagens
fotografia Inês Leal

Sarah Neufeld - Casa da Música, Porto [13Nov2016] Texto + Fotos
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