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Scorpions – MEO Arena, Lisboa [28Jun2016] Texto + Fotos

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Entramos na MEO Arena e damos logo de caras com uma tela gigante a tapar o palco (ou a embelezá-lo) com a capa de Return To Forever – uma coroa e um escorpião no centro da mesma – o mais recente trabalho de estúdio dos Scorpions, lançado em fevereiro do ano passado, enchendo a vista às mais de 15000 pessoas que aguardavam pacientemente pela entrada em cena do quinteto alemão. Enquanto se espera, ouve-se AC/DC, Rolling Stones, Def Leppard, entre outros clássicos do rock (em que os malfadados Nickelback se viram incluídos) a ecoar na sala lisboeta. Canções acompanhadas, muitas vezes, por um público que rondava, maioritariamente, os 40 anos e demonstrava ter vivido os tempos áureos do Air Rock na pele ou não fossem, fora as t-shirts dos Scorpions, as dos Whitesnake, Bon Jovi e Europe as mais representadas na plateia. Rock às antigas e com atrasos às antigas, porém comedidos porque estes Scorpions já não caminham para novos.

Foi às 21h30 em ponto que o prato principal começou a ser servido sem direito a entradas. Diante de uma bandeira portuguesa esvoaçante nos três ecrãs gigantes que compunham o cenário do concerto, é com um “Boa noite Lisboa! Tudo bem?”, dito num português bastante aceitável para quem é alemão, que Klaus Meine cumprimenta as milhares de pessoas que se deslocaram a esta sala da capital portuguesa para os receber antes de dar início ao mais puro rock elaborado na ex-Alemanha Ocidental. O alinhamento foi em claro modo best-of, apesar da digressão comemorativa dos seus 50 anos de carreira. Ou seja, tudo o que foi lançado antes de Animal Magnetism foi, invariavelmente, ignorado, com exceção à obrigatória “Coast To Coast” (faixa instrumental gingona de Lovedrive) seguida por um medley que incluiu “Top Of The Bill”, “Steamrock Fever”, “Speedy’s Coming” e “Catch Your Train” em versões encurtadas que juntas não passaram dos 7 minutos de duração e que logo serviram para ajudar os presentes a abanar a cabeça e a fazer símbolo do “evil eye” com as mãos.

Outro medley se seguiu, desta feita um totalmente em acústico com Mikkey Dee (mais conhecido por ter sido baterista dos Motörhead), em substituição de James Kottak, descendo do palanque em que se encontrava a sua enorme bateria e a assumir o papel da percussão, munido pelo seu cajón, na plataforma que atravessava a plateia e colocava o conjunto bem no meio dos seus fãs, durante as baladas “Always Somewhere”, “Eye Of The Storm” e “Send Me An Angel”, todas cantadas em uníssono pelos presentes.
No decorrer de “Send Me An Angel”, Klaus, sorridente, pede uma bandeira portuguesa a um fã, evergando-a, e beijando-a em gesto de agradecimento antes de a devolver. Um gesto bonito de se ver.
Ficou provado também que nem nos momentos acústicos Rudolf Schenker se priva de uma guitarra Flying V, apresentando assim uma de cor amarelo-torrado com caixa acústica, algo nunca antes visto por este que vos escreve.

E que melhor música poria fim ao ciclo baladeiro que não “Wind Of Change”? Muro de Berlim projetado na parte inferior do palco e reação apoteótica do público quando Klaus inicia os assobios que marcaram uma geração. O entusiasmo dos presentes fez com que a presença de Klaus em palco quase não fosse necessária. O próprio, apercebendo-se disso mesmo, deixa o público cantar durante boa parte do tema, estendendo o seu microfone sobre a plateia.

Chega o momento de Mikkey Dee brilhar: um solo de bateria com mais de 6 minutos elaborado enquanto a bateria se elevava perante a imensidão da MEO Arena. A banda  regressa ainda com a bateria de Mikkey a aterrar em solo estático para uma “Blackout” em que Rudolf aproveita para desfilar mais uma guitarra da sua larga colecção de Flying V’s, desta feita uma flamejante, digna de uma pintura do Chip Foose, e com um botija, numa das “asas”, a deitar fumo enquanto este passeia de óculos de sol (nunca removidos ao longo do concerto) pelo palco.

Guardados os maiores hits para o fim, é com as faixas de Love At First Thing, “Big City Nights”, a última do alinhamento regular, e “Still Loving You” e “Rock You Like A Hurricane”, no encore, com Rudolf a finalizar de joelhos no chão, que os Scorpions encerram com chave de ouro um concerto em que deram tudo o que tinham para dar: baquetas, palhetas, luvas, setlists… tudo em quantidades exorbitantes, e muita boa disposição, provando aquilo que Klaus trazia estampado no seu colete que mostrou ao público português quando se virou de costas e saiu pela porta grande após uma longa sessão de aplausos: o Rock & Roll é para sempre.

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Por Diogo Alexandre / 30 Junho, 2016

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