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Scott Matthew @ Cinema S. Jorge - Lisboa [20Abr2015] Texto + Fotos

22 de Abril, 2015 ReportagensDiogo Alexandre

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scott mathew (8)_DONE - Cópia

Estamos no cinema S. Jorge, a sala Manoel de Oliveira encontra-se enovoada e o ruído das máquinas de fumo cala, quase por completo, a audiência que vai entrando a conta-gotas e aquela que já se encontra nos seus respetivos lugares.

Scott Matthew entra em palco, desta vez cercado pela sua banda (teclista, guitarrista e violoncelista), atirando-se a “Effigy”, mas não antes de ser forçado a um “Hello!” sorridente, devido aos problemas técnicos que o seu teclista sentia.

“Ode” (dedicada ao seu falecido avô) e “Here We Go Again”, ambas do seu novo trabalho (tal como a antecedente), mantêm o público na linha, porém, o barulho dos obturadores das máquinas fotográficas dos fotógrafos presentes acabou por perturbar a audição a quem se encontrava na 1ª plateia da sala. As músicas, calmas e atmosféricas como são, sendo, maioritariamente, acompanhadas por teclas e cordas, exigem um quase silêncio absoluto. Silêncio, esse, que não foi cumprido, sendo então preenchido por vários “tracks” irregulares ao longo das músicas, deixando o público algo exasperado, ansiando pelo momento em que os fotógrafos abandonassem a sala.

This Here Defeat, gravado em Lisboa, é o quinto disco deste australiano e onde o músico se apresenta no topo da sua forma. Exemplos disso são, precisamente, os temas anteriores: carregados de emoção tanto na componente voz/melodia como também na lírica, onde o artista se exprime contando os seus desaires e amores como ninguém. Quase que entramos na sua vida e vivemo-la como o próprio.

É apenas à quinta canção que Scott abandona o seu último disco e se inicia nos seus temas já “clássicos”. “The Wonder Of Falling In Love”, tema audivelmente mais alegre que os anteriores, é antecedido por um bonito discurso em que o músico confessa que adora Lisboa e o nosso país, elogiando o local do concerto e agradecendo à Uguru pelo convite, sempre com um grande sorriso. (“I'm literally bursting of happiness for being here! And what a beatiful place.. Jesus!”)

Chegou o momento dos covers: cabe a “I Wanna Dance With Somebody” (de Whitney Houston) abrir as hostilidades e iniciar as cantorias em massa, para alegria do artista. Segue-se “Anarchy In The UK” (original dos Sex Pistols), em que o músico conta que adora esta música, gravando-a e querendo incluí-la no seu anterior disco Unlearned (o seu “cover album”) só que a editora não lhe deu os direitos e proibiu-o de a lançar “But fuck It! They can't stop me from singing it live!”. Scott Matthew a ser mais punk que os “punks”.

Os covers não ficariam por aqui, e por covers entenda-se “versões” (e não cópias) porque estes covers eram bem diferentes das originais: representando a alma do intérprete atual e não a do original, como se quer. Intercalados com composições originais e após “Ruined Heart”, tema recebido com bastante entusiasmo, seguiram-se temas como “Everything Happens To Me”, onde o artista assume a sua admiração por Chet Baker, e Darklands, dos The Jesus And Mary Chain, a fechar o alinhamento regular.

“Annie's Song” de John Denver, a abrir o primeiro encore, proporciona-nos um dos grandes momentos deste concerto. A música do cantor country já era detentora de uma fantástica letra e orquestração, contudo Scott Matthew eleva-a a outro nível! É incrível o talento deste rapaz para se apropriar dignamente de algumas das mais famosas canções do reportório mundial. É sempre difícil o cover exceder a original, se neste caso isso não acontece, então está muito perto.

“Abandoned” e “Into My Harms”, de Nick Cave, conterrâneo do artista, mais uma vez interpretadas de forma comovente e com ajuda do público, concluíram este primeiro encore, enganando os mais desprevenidos que, já com as luzes da sala acesas, se ausentaram da mesma pensando que o espetáculo teria terminado de vez.

Já com os espectadores todos de pé dentro da sala, e outros tantos fora dela, os quatro músicos regressam novamente para uma última canção: a muito pedida “In The End”, que termina de forma esplendorosa este concerto que caminhava a passos largos para as duas horas de duração.

É certo que o S. Jorge estava longe de esgotar mas mais certo é que este Scott Matthew (não confundir com o Scott Matthews) é dono de uma das vozes mais arrepiantes (no bom sentido) da atualidade e tem muito para oferecer ao mundo musical. Se todos os trabalhos seguirem o nível de qualidade destes cinco, este “pequeno” residente de Nova-Iorque poderá vir a esgotar Coliseus em todo o mundo.

Até lá saboriemos este This Here Defeat ideal para um romance primaveril.

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