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Slayer - Palacio Vistalegre, Madrid [17Nov2018] Texto + Fotos

23 de Novembro, 2018 ReportagensBruno Pereira

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No início do ano, os Slayer surpreenderam tudo e todos com o inesperado anúncio de que iriam dar por terminada a sua carreira ao fim de 35 anos de atividade. Desde então, embarcaram numa extensa digressão mundial, que chegou estes dias à Europa. Decidimos então viajar até Madrid, a data mais próxima do nosso país, para assistir à despedida em concertos de sala desta que é uma das bandas mais influentes da história do heavy metal. O local escolhido foi o Palacio Vistalegre, a segunda maior sala da cidade, que praticamente esgotou com uma moldura humana impressionante de mais de 10 mil pessoas. À chegada, ainda a três horas do início, já se viam as habituais filas de quem ansiava ficar com o melhor lugar. Rápido se percebeu a transversalidade desta banda. Pelas imediações do recinto, podiam-se vislumbrar pessoas de todas as gerações, dos mais jovens aos mais vividos.

Para além do seu próprio espetáculo, cuidadosamente preparado para a ocasião, os Slayer fazem-se acompanhar nesta última digressão com convidados de luxo. Destaque ainda para o facto de todas as bandas terem tido a oportunidade de ter o seu cenário de palco completo, ao contrário do habitual com bandas de abertura. Para iniciar as hostes, estiveram os Obituary, histórica banda de death metal, também eles uns dos mais influentes dentro do género. A banda arrancou os primeiros headbangs de uma sala já muito bem composta. Tecnicamente exímios e com um sonoro que investe na reação do público, tiveram somente trinta minutos de atuação, tendo terminado quando a sala começou realmente a aquecer.

Pouco depois, foi ao som de “The Number of the Beast” a ecoar no sistema de som que entraram em palco os Anthrax, tal como os Slayer também eles pertencentes aos denominados Big 4 do thrash metal. No entanto, esta banda não se limitou ao mais do mesmo do género, dando uma toada mais crossover no seu som e na sua atuação. E estas intenções desde cedo ficaram firmadas com um cover de “Got the Time”, um clássico punk original de Joe Jackson. A banda soube tirar partido do relativo curto tempo que tinha para atuar e mantiveram uma intensidade estonteante de início ao fim, sendo o set escolhido assente totalmente em clássicos. Um ritmo que muito dificilmente se conseguiria manter por mais tempo. Inauguraram os circle pits na plateia, embora que a pedido e ainda que tímidos, e acabaram por incendiar totalmente o entusiasmo do público para o que ainda viria.

Já os Lamb of God acabaram por não gerar tanto entusiasmo quanto o concerto de Anthrax, apesar de em palco terem apresentado uma atuação avassaladora. Uma autêntica malhadeira de riffs e intensidade. Ainda sem o seu baterista Chris Adler, a recuperar de problemas físicos, o foco está quase sempre no vocalista Randy Blythe e a sua presença animalesca. Com um público meio apático, por ventura já a guardar energias para o grande concerto da noite, foi só com a chegada das fan favourites “Laid to Rest” e “Redneck” que finalmente se viu verdadeiro movimento na plateia, terminando assim o concerto da melhor forma. Apesar disso, acabou por saber a pouco.

Anthrax e Obituary

Lamb of God


Quem teve a oportunidade de ver os Slayer ao vivo nos últimos anos sabe que a banda se encontrava numa curva descendente. Agora, talvez por saberem que é a reta final, reaparecem com uma energia totalmente revigorada e contagiante. Técnica e fisicamente irrepreensíveis, percebe-se que o motivo desta reforma será pelo cansaço na voz de Tom Araya, que ainda assim, e sem grandes discursos, consegue apresentar-se a um nível bem decente. E talvez seja melhor assim, já sem os membros fundadores Dave Lombardo e Jeff Hanneman, a banda despede-se em alta, de uma maneira bem condigna da sua importância na história. Desta forma, conseguem também trazer para a estrada uma produção de palco e um tempo de atuação que dificilmente têm conseguido em festivais nos últimos anos. A entrada em palco fez-se de forma apoteótica sobre um enorme manto de fogo e, entre temas, as luzes cessavam e os cenários de fundo apresentavam padrões e desenhos fluorescentes que com luz não eram visíveis.

Por entre temas fortíssimos como “Jihad”, “Black Magic”, “Payback” (“Payback is a bitch, motherfuckers!” - anunciava Tom Araya antes de iniciar o tema) ou “Hell Awaits”, executada de forma poderosíssima, a sensação era de constante crescendo ao longo do concerto, tanto de intensidade como de expectativa, que culminaria, está claro, no momento mais aguardado de qualquer concerto de Slayer. Quando a banda se posiciona de costas para a plateia e os trovões começam a ecoar, já se sabe que vai chover sangue. “Raining Blood”, com o Palacio Vistalegre em total erupção explosiva. Olhava-se para as bancadas e não se via uma alma que estivesse sentada a esta altura. Sem qualquer paragem, o êxtase passou imediatamente para “Chemical Warfare” e, sem se dar por ela, a veloz “Angel of Death”, com o solo estonteante de Kerry King, dava por terminada a celebração, já com um pano de fundo em homenagem a Jeff Hanneman.

Por largos minutos, Tom Araya e Kerry King ficaram em palco, apenas a contemplar o ensurdecedor aplauso que teimava não terminar. “Gracias por todo. I will miss you”, foram as últimas palavras de Araya antes de recolher. Todos nós teremos também saudades de uns Slayer deste nível. A despedida mesmo final, essa, será no verão, com a digressão por festivais.

Slayer
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em Reportagens
fotografia Bruno Pereira

Slayer - Palacio Vistalegre, Madrid [17Nov2018] Texto + Fotos
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