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Soen @ RCA Club – Lisboa [15Out2015] Texto + Fotos

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Na passada quinta-feira deu-se o regresso dos Soen ao nosso país. Depois de uma primeira passagem muito bem conseguida 3 anos antes, curiosamente também em outubro, abrindo para os míticos Paradise Lost, os suecos voltam agora como cabeças-de-cartaz num RCA Club muito perto de esgotar.

Antes do prato principal ser servido, coube-nos apreciar uns bons aperitivos. O primeiro seriam os Shiverburn, banda novinha holandesa, com um EP recém-editado. Apresentaram-no integralmente neste concerto, despoletando alguns sorrisos e apupos da plateia. O seu som está mais para o pop/rock do que para o rock progressivo das duas bandas que se seguiriam, no entanto, isso não gerou um desinteresse por parte do público, que permaneceu bastante atento ao que a banda tinha para oferecer.

Os holandeses, visivelmente satisfeitos por andarem em tour, liderados pela também bastante comunicativa Sanne Heuyerjans, interpretaram da melhor forma possível One Step Closer, conquistando alguns fãs após o concerto. Arriscaram um, algo surpreendente, cover de “Go Your Own Way” dos Fleetwood Mac, terminando, de seguida, a sua meia hora de atuação com “Burned Alive” sempre com um sorriso na cara.

Pouco tempo depois (as “mudanças” de palco estão cada vez mais rápidas), entram os LizZard em cena: trio rock com influências progressivas que encantou completamente a plateia do RCA. Com uma sonoridade ora rasgada com distorção ora suave e hipnótica, o trio percorreu ambos os seus discos, com óbvia ênfase em Majestic, último lançado, enfeitiçando, por completo, grande parte dos presentes que muito aplaudiram a sua atuação. Tal como a banda anterior, estes LizZard também se revelaram bastante animados e comunicativos, sendo frequente vermos Mathieu Ricou guitarrista da banda, dirigir-se para a frente do palco gesticulando com as mãos de modo a exaltar o público. “Vigilent”, single máximo da banda, conseguiu arrancar uns coros da plateia.

Houve ainda tempo para elogiar toda a equipa do RCA e para agradedecer a presença de todos os que por ali se encontravam aguardando os Soen e vibrando ao som das bandas de abertura. Esperávamos também por um cover, desta feita de “Angel” dos Massive Attack mas o pouco tempo disponível não permitiu que os franceses elaborassem tal versão.

No final do concerto soubémos que os LizZard regressarão às tournés europeias como banda de suporte de Adrian Belew (guitarrista de grande importância nos King Crimson e colaborador de bandas como Nine Inch Nails ou Frank Zappa.). Esperemos então que alguém os traga cá de novo para podermos repetir a dose.

O momento alto da noite chegava e a sala enchia-se de gente para apreciarem a super-banda sueca. Após uma grande propagação de incenso pela sala e uma prolongada introdução, ouve-se “Delenda” cantada em uníssono pelos presentes, tal como a maioria das músicas, inclusive as do novo Tellurian, lançado em novembro do ano passado. Em pouco menos de um ano, os fãs já haviam decorado eximiamente grande parte das suas canções, o que é um feito majestoso.

“Tabula Rasa” segue-se e é aí que temos perfeita noção do quão bem recebido foi este último disco. Todos sabiam, todos cantavam mas sem exageros que esse é trabalho de Joel Ekelöf, vocalista que em “Canvas” pega numa bandeira preta agitando-a sobre o público, fazendo-nos lembrar algumas atuações dos Iron Maiden. Comparação escusada, sabemos, mas sentimos necessidade de a fazer de qualquer forma.

Martin Lopez, ex-baterista de Opeth, Amon Amarth e assumido líder da banda, mostra o porquê de ser um baterista tão conceituado dentro do universo do metal progressivo, não falhando uma única vez. Nem ele nem qualquer um dos outros virtuosos músicos. Nota máxima para Stefan Stenberg que com toda a classe do mundo fez ecoar as fantásticas notas do baixo pelo sistema de som da sala. Não existe nada de mau por onde pegar para se poder falar mal deste concerto. Sem manias, os músicos dirigiam-se ao público com a seriedade alegre típica do norte da europa e o público respondia à letra com os já habituais pedidos de músicas revelando uma cumplicidade algo atípica perante a banda.

Quando Ekelöf anuncia que “Fraccions” seria a última música do alinhamento, um enorme “oohhh” de desalento instala-se na sala. Tão forte e tão instintivo que levou o próprio vocalista a soltar um sorriso antes de se atirar à música. Felizmente, para nós, ainda havia um encore à nossa espera com “The Words” e “Pluton” a finalizar de forma brilhante este igualmente brilhante concerto.

Os músicos despedem-se, Martin Lopez permanece e solta um “Obrigado” ao microfone antes de entregar as suas baquetas a uma rapariga do público.

Um concerto memorável de uma das melhores bandas de rock progressivo da atualidade. Pegando nas frequentes e sempre excessivas comparações que observamos tanto na internet como em diálogos pessoais, concluímos que os Soen não são os Tool suecos. Os Tool é que são os Soen americanos.

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Por Diogo Alexandre / 20 Outubro, 2015

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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