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Super Bock Super Rock 2015 – Dia 2 [17Jul2015] Texto + Fotos

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De regresso ao Parque das Nações para mais um dia do (grande) festival mais Lisboeta de Portugal.
Dirigimo-nos imediatamente para o Palco EDP, era lá que acontecia a ação.

Sinkane, vindo diretamente de Broolyn, New York, chegou a Lisboa para encantar os portugueses e os muitos estrangeiros do recinto com o seu Funk à Stevie Wonder, com pitadas de Jazz, ou Fake Jazz como ele o chama, pelo meio. Imaginemos músicas na onda de “Superstition” ou “Master Blaster” a serem interpretadas às 17:30 sob um sol abrasador, um céu azul, com o rio à frente e um conjunto de corpos baloiçantes ao ritmo dos jingles de guitarra e teclado que do palco se soltavam. Foi, mais ou menos, isto que aconteceu.

Conhecedores da sua música eram muito poucos, se não mesmo nenhuns, porém, a plateia revelou-se recetiva e satisfeita com a música de Sinkane e a sua banda. Público esse que chegou inclusive a pedir um encore ao músico norte-americano que, infelizmente, não aconteceu devido à organização ter quase expulsado o artista do palco. Momento caricato. Esperemos que volte, novamente, desta feita para tocar um set inteiro.

Saltamos dos  EUA para Montmartre, Paris. Apesar de Benjamim Clementine ter nascido em Londres, foi só em Paris que iniciou a sua carreira como músico após ter sido descoberto a cantar em bares e nas ruas de Paris de modo a poder sair da vida de vagabundo que levava. Por entre inúmeras histórias de paixão à sua música, Benjamim foi considerado, em 2013, “a revelação inglesa dos franceses” e lançou o primeiro LP este ano pela Behind Records (editora independente francesa). Este era um dos concertos que despertava curiosidade no atual Super Bock Super Bock e, possivelmente, aquele que levou mais pessoas à frontstage VIP (ainda não entendemos o porquê daquilo existir) daquele palco.

O músico apresentou-se em Portugal com banda, no entanto, também houve espaço para temas a solo como foram os casos de “Gone” e “Condolence”, temas que abriram e fecharam o alinhamento.
Pelo meio, “Nemesis” e “I Won’t Complain” arrancaram muitos aplausos e cantorias, num público completamente rendido ao encanto e às histórias contadas emotivamente na música do Inglês.
Benjamim Clementine confirma e dá razão a todo o hype que se gerou em seu torno, assinando um dos concertos mais surpreendentes deste dia de festival e, quem sabe, se não mesmo de todo o festival.
Depois de Perfume Genius trazer o seu Nord Piano 2 no dia anterior, Benjamim Clementine chega e enche toda a pala do Pavilhão de Portugal com as vibrações do seu piano de cauda Yamaha C7. O piano, como instrumento solista, esteve em altas nesta edição do festival.

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O projeto de João Vieira (X-Wife) teve uma receção incrível neste festival. Para além de um público de grande dimensão, era notória a entrega e a aceitação da música de White Haus. Com o disco lançado hà cerca de um ano e o EP hà cerca de dois, White Haus começa, finalmente, a ter peso no panorama musical nacional. A inconfundível “How I Feel” (single do EP) que põe instantaneamente todos a dançar, consegue ter mais eco que “Far From Everything” (single do álbum) que fechou o espetáculo que também passou por temas como “Paper Bag” ou “Money”.
Um concerto que talvez ficasse melhor lá mais para o fim da noite, numa espécie de inicio do after.

Ainda quentes devido aos ritmos eletrificantes de João Vieira e companhia, entramos numa MEO Arena quase vazia para o regresso dos The Drums na fase (mais) descendente da carreira. Nem um alinhamento que praticamente omitiu Encyclopedia, o seu último registo discográfico e o mais falhado dos três, conseguiu salvar um concerto de uma banda semi-morta e quase desprovida de emoção.

Os americanos, que enfeitiçaram o mundo com o seu homónimo e excelente artigo de pós-punk revivalista, encontram-se agora tão perdidos como os seus dois membros originais que saltaram do barco antes que este se afundasse. Cinco anos depois, Jonathan e Jacob encantam pouca gente e só com uns “I love you”s conseguem soltar uns gritos das meninas da fila da frente, pois todo o restante público estava com um grande ponto de interrogação na cabeça a pensar no que é que estava para ali a acontecer e a quererem reviver o belo ano de 2010. Saudades desses The Drums refrescantes e enérgicos da estreia em solo português. Houve “Me And The Moon”, “Best Friend”, “Money”, “Let’s Go Surfing” e, a acabar em coro, “Down By The Water”.

Pelo próprio alinhamento se pode verificar no quão parada está a carreira destes Drums. Em suma, valeu pelas músicas.

Aquando do concerto dos The Drums, os Kindness estavam a dar um concertão na pala do Pavilhão de Portugal, que se encheu de uma pop sem regras e sem conceitos. Quer dizer, existe um, encher a plateia de groove. O charme e a formalidade de Adam, com o seu fato azul, quebrava com a descontração do concerto. Apesar de todos os problemas que dificultaram o inicio do concerto, não ter abandonado a pala para outro palco foi uma das melhores decisões dos festivaleiros que assistiram em primeira mão a um festão que ia abafar tudo o que poderia estar a acontecer ao mesmo tempo.

Kindness deu a volta por cima, as coristas estavam imparáveis e nós só tínhamos de dançar e de nos deixar levar naquela alegria constante que ainda arrastou uma dúzia de dançarinos de última hora para o palco de modo a eletrizarem e imortalizarem aqueles últimos minutos e aquelas ultimas notas.
Assistir a um espetáculo destes? Thats Alright.

O funk nem sempre faz parte dos alinhamentos nem dos nossos planos diários, o que devia mudar. Se alguma vez viram Da Chick ao vivo sabem o quão bom é uma bela dose de funk ao final da tarde. Da Chick enche sempre o público de uma energia contagiante e uma aura dançante faz com que fiquemos loucos a ouvir e a assistir a toda aquela frenética actuação.
A apresentar Chick To Chick e com uma plateia ao rubro, temas como “Grab & Go”, “Lotta Love” e “Cocktail” foram os mais cantados, não fossem eles passados na rádio que dá nome ao palco.

Da Chick está a viver o seu sonho americano e nós vivemos esse sonho com ela. Cada vez que Teresa de Sousa sobe ao palco, falando em inglês, nós, as bitches, só temos de dançar e de fazer barulho, aproveitar o Funky Show e absorver toda a culturalidade sul-americana cheia de soul e energia.

Felizmente os horários permitem apanhar a maioria dos concertos e corremos para apanhar as Savages, que proporcionaram um dos melhores concertos de todo o festival. Nem as malhas novas, desconhecidas de todos, impediram que a plateia da primeira grande enchente do Palco EDP vibrasse com a música das quatro raparigas.

A diferença de andamento foi enorme: saídos de uns The Drums moribundos, encontramos umas Savages mais vivas que nunca! Jehnny Beth arriscou a sair da zona de conforto e a vir ter com o público por duas ocasiões. Na segunda caminhou, de microfone na mão, pelos ombros de todos os que a amparavam até meio do recinto. Como era óbvio, foi durante as músicas de Silence Yourself que o público se manifestou mais, iniciando-se, inclusive, alguns mini-mosh pits que não durariam muito tempo.

A não-tão-nova “(Don’t Let The) Fuckers (Let You Down)”, frase inscrita na bolacha do seu primeiro CD, encerrou de forma apoteótica esta hora intensíssima de concerto. As quatro raparigas revelaram ter mais “tomates” que muito rapazes e saíram de palco como sobre um salva de palmas memorável. Se as Savages eram a banda do momento em 2013, o seu estatuto continua o mesmo atualmente, encontrando-se ainda melhores do que durante a sua apresentação, no Porto e, mais tarde, em Lisboa. Vitória para a equipa de Londres!

Ainda a zumbir após o concerto das Savages e atordoados pela pujança sonora que resultou lindamente debaixo da pala, voltamos ao palco Antena 3 para um concerto dos Best Youth. A química de Catarina Salinas e de Ed Gonçalves é clara, tal como a com o público. A plateia era imensa e a aceitação também. A harmonia e sensualidade da sua musica é algo de extraordinário e com um disco acabado de sair do forno, os Best Youth mostraram o porquê de serem um dos nomes de destaque a nível nacional.

A voz embalante de Catarina faz com que todos os temas sejam pomada nos ouvidos, de uma leveza incrível e com uma capacidade de envolvência excepcional. Ou não fosse “Hang Out” um dos temas mais etérios e tocantes lançado pela banda, que também marcou o final do concerto e o fim dos concertos do Palco Antena 3 neste dia.

Saídos do Pop agradável dos Best Youth entramos pela segunda vez no palco principal do festival de modo a vermos Tom Barman e Klaas Janzoons a tocarem autênticos clássicos dos dEUS para um público perfeitamente enquadrado para ver a banda belga. O espírito dos 90’s estava vivo.

Antes do concerto começar, trocámos ideias de álbuns e músicas da banda de Antuérpia: encontrámos um australiano que tinha recebido The Ideal Crash quando ainda andava no secundário e tinha-se tornado no seu disco preferido de sempre, e um conjunto de quarentões que já os seguia desde o tempo de In A Bar Under The Sea e da passagem pelo Sudoeste. O concerto tinha tudo para correr bem e não fugiu ao prognóstico.

Os belgas presentearam o público português com temas de todos os seus álbuns, com os temas esperados do costume e canções menos óbvias de Worst Case Sceneraio, como o caso “Via” e “Hotellounge”. Um bom regresso, 4 anos depois da sua última passagem pela capital portuguesa. Tom Barman serviu de porta-voz, dirigindo-se ao público 80% do tempo num português bastante bom, mencionando que a banda tem os mesmos anos que o festival. Foi engraçado ouvirmos o vocalista dizer “Olá, nós somos Deus” antes de se atirarem a “Fell Off The Floor, Man”.

Muitos dos fãs de Blur revelaram-se também fãs dos dEUS e era frequente vermos as pessoas a cantarem as músicas mais antigas. Digamos em bom da verdade que os dEUS são dos estranhos casos em que não tendo nenhum álbum mau, nunca chegaram a atingir verdadeiramente um sucesso mainstream, funcionando, atualmente, como banda de culto para as camadas mais jovens e uma banda que serve para matar saudades aos mais velhos. Dos temas interpretados decidimos destacar “Quattre Mains” (do seu último disco Following Sea), tema semi-spoken word cantado totalmente em francês e detentora de uma secção de cordas incrível. “Bad Timing”, canção de 7 minutos em crescendo à pós-rock e, claro, a enérgica “Suds & Soda” que finalizou o concerto com Tom a despedir-se em português para uma plateia quase completa. Agora é aguardar pelo novo disco, em 2016, que por certo, não defraudará a expectativa dos fãs.

Os dEUS terminaram o seu set mas havia tempo e lugar para outros. Chegamos assim a outro
ponto alto da noite: estávamos apertados, contorcidos e despertos quando os Blur invadem o palco Super Bock. Ansiosos por este momento, o público entrega-se com uma facilidade instantânea. Entram com “Go Out” e daí só pararam 2 horas depois, depois de muita energia. E que belas duas horas. Os outros festivais deviam aprender com estes senhores: assim vale mesmo a pena o rótulo de cabeça de cartaz.

Os Blur conseguiram nesse tempo percorrer quase 30 anos de carreira para quase três gerações presentes e prontas a absorver tudo aquilo. Damon Albarn, após atirar uma dúzia de garrafas para o público, decide subir as grades e cantar mesmo defronte dos seus fãs, tanto no lado esquerdo como no direito nesta sala que se encontrava dividida a meio para o festival. Temas como “Coffee And Tv”, “Beetlebum”, “Parklife” ou “Tender” foram festejados fervorosamente. E claro, o destaque da “Song 2”, o hit que tem a sua quota parte de hate mas que a maioria simplesmente grita e pula, num mosh preparado e pronto para descarregar toda a energia dos 90’s numa fração de segundo.

O ambiente era perfeito, o alinhamento também, e voltaram para um encore que fez o público ficar ainda mais efusivo, tocando “Stereotypes”, “Girls and Boys”, “For Tomorrow” e terminam com “The Universal”, abandonando o palco numa despedida em grande, apesar de todos esperarem mais e mais. Ficou a faltar a “Country House”, mas esperamo-la numa próxima vez. No final de contas, foi uma aposta muito bem ganha.

 

Imagens de outros concertos:

 

 

Texto por Diogo Oliveira e Joana Brites
Fotografia por Hugo Adelino
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Por Diogo Alexandre / 23 Julho, 2015

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