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Super Bock Super Rock 2015 – Dia 3 [18Jul2015] Texto + Fotos

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Os Captain Boy foram a banda escolhida para abrirem este que era o último dia de Super Bock Super Rock. A jovem banda portuguesa debitou as suas poucas canções bastante enraizadas no blues para o pouco público ainda presente e que os recebeu de pé e de ouvidos abertos.

A banda ainda algo inexperiente, não se poupou nos elogios ao festival, à organização, ao Tradiio (plataforma que os levou ali) e ao público que os via e acarinhava. Meia hora de música original com direito a cover de “Folksom Prison”, de Johnny Cash. Bela abertura nesta que foi a única banda Tradiio que apanhámos ao longo do fim-de-semana.

Seguiram-se os Modernos, estes já bem mais experientes nestas andanças de festivais e concertos. A banda composta por membros dos, mais famosos, Capitão Fausto interpretaram canções dos seus dois Ep’s juntamente com o já habitual cover de “Feromona”. O público revelou-se conhecedor das letras: “Casa A Arder”, “Só Se Te Parecer Bem” e “Sexta-feira” foram entoadas como se fossem verdadeiros hinos dos Capitão Fausto.

Na prática, todos os que estavam ali, de certo, seriam também fãs da banda psicadélica portuguesa. A sonoridade destes Modernos, contrariamente ao que sucede com os Bispo (outro projeto paralelo de membros dos Capitão Fausto), não varia assim tanto das restantes canções dos “Faustos”. Os membros são quase os mesmos, faltando apenas Francisco Ferreira, já que Domingos Coimbra apareceu com o seu chapéu de côco nalguns temas para tocar maracas e dançar.
Em falta da banda mãe, bailemos ao som da filha.

Com disco recém-editado, Márcia aproveitou para tocar bastantes músicas de Quarto Crescente que já fazem parte da vida das muitas pessoas que ali se encontravam. Este concerto foi, de resto, um concerto cheio de surpresas. Para além da algo expectável presença de Samuel Úria em “Menina”, surge Criolo a marcar presença em “Linha de Ferro”, tema novo, naquela que, arriscamos dizer, foi a única vez que esta participação aconteceu ao vivo. E se não foi efetivamente a única, poucas se seguirão.

O público mostrou-se mais uma vez conhecedor do cancioneiro interpretado. “Insatisfação” é dotada de uma beleza e relaxamento incrível e “A Pele Que Há Em Mim” (aqui sem JP Simões) a ser cantada quase na sua totalidade pelos presentes, com a cantora apenas a marcar o tempo. “Bom Destino” e “Lado Oposto”, duas faixas do tal disco novo, encerraram um concerto que superou por larga vantagem a nossa expectativa.

Depois da suavidade de Márcia, talvez por contraste ou não, o concerto dos Palma Violets foi uma completa brutalidade, uma corrente de ar que revirou tudo onde passou. Não é a primeira vez que os rapazes londrinos pisam terras lusas mas não será das últimas certamente, muito menos depois do que foi o concerto neste terceiro dia de festival. A atitude do baixista era contagiante e com um disco ainda a fumegar, apresentaram-se menos de um ano depois no nosso país para destruir toda a calma que pairava sobre o palco EDP. O mosh foi o prato do dia.

O público, maioritariamente adolescente, contrastando com o que sucedera no concerto anterior, vibrou ao som destes ingleses (mais uns) que têm tanto de punk como de alternativo (ou indie, como queiram). Depois de tantas passagens vitoriosas em festivais do nosso Portugal, já se exige uma passagem em nome próprio para comprovar o potencial da banda diante os fãs portugueses. Esperemos, então.

Rodrigo Amarante já cantava quando entrámos no palco principal do festival. A sua música calma revelou-se de difícil apreensão por parte de um público demasiado jovem, o mais jovem dos três dias. Era frequente avistarmos grupos de raparigas que rondavam os 15 anos sentadas nas filas da frente à espera de Florence e companhia, facto que não incomodou minimamente o brasileiro.

“Irene” foi a primeira canção apresentada, num alinhamento que só começou a interessar os demais nos momentos mais mexidos de “Maná” e “Hourglass”. Apesar da maioria do público não estar do seu lado, estavam lá alguns fãs que iam interagindo com o artista ao longo do concerto.
O artista brinca em tom irónico dizendo que “esses ingressos devem ter sido bastante caros, a situação está um pouco solitária por ali.” referindo-se à frontline VIP, algo completamente incompreensível neste festival, tanto pelos músicos como pelo público. Para quê um espaço tão grande? Na maioria dos casos encontra-se vazio, enchendo-se apenas e subitamente de pseudo-fãs durante a atuação dos headliners. Situação perfeitamente dispensável, se não mesmo ridícula.

Já no final ouvimos “Mistérios Do Planeta”, cover, muito bem conseguido, dos “Novos Baianos”, uma bela surpresa neste que foi talvez o menos memorável de todos os concertos do carioca no nosso país, não por falha do cantor mas por total ausência da maioria do público. Definitivamente, a música de Rodrigo não foi feita para ser tocada em festival e o músico reconhece-o.

Para não variar, os D’Alva rebentaram com tudo. Um concerto cheio de atitude, descontração, felicidade, cantoria e até com coreografias e balões gigantes. Para começar: #batequebate e especialmente “Frescobol” são já êxitos nacionais, digam lá o que disserem. E isso notou-se tanto no conhecimento da letra por parte do público como no mar de gente que ali estava, na plateia, nas escadas, nas laterais. Em todo o lado havia uma alminha a cantar.

A dar destaque ao cover das Spice Girls, a voz da Carolina encaixava mesmo no tom da festa e foi perfeito para nos deixar levar mais um bocadinho. A certa altura, o concerto parou, e só continuou quando toda a gente se pôs de pé. Sim, tudo de pé para os D’Alva continuarem a dar um show daqueles. Até a Lena d’Agua mereceu beijinhos e o crowdsurf de Ben quase que foi maior que o salto da Da Chick da torre da Caixa Geral de Depósitos.

Apesar da acústica não funcionar a favor da banda, os Unknown Mortal Orchestra conseguiram meter o público a delirar. Acompanharam o pequeno eco deixado não muito longe dali, no ano passado, e prosseguiram fazendo com uma facilidade enorme um ambiente sonoro que cheira e sabe a verão: um rock psicadélico que merece os fins de tarde quentes, com um rio logo ali e uma aura jovem e bem disposta em todo o lado.

A melodia transformou a pala do Siza num misto de passos de dança e deambulares nostálgicos. O tema “So Good At Being In Trouble” não podia ter mais sentido perante os problemas técnicos e a ótima reacção dos fãs que, para abafar todos os problemas, faziam longos sing alongs, que neste tema resultaram do início ao fim.

Depois de Rodrigo Amarante ter atuado no main stage do festival, chega a hora do outro ex-Los Hermanos entrar em ação, desta feita em conjunto com a sua esposa e Fred Pinto Ferreira. A Banda do Mar arrastou a maior enchente do palco EDP de todo o festival, num concerto que não se confinou apenas ao único álbum da banda mas que também zirandou pelos álbuns a solo de ambos os artistas e “Anna Júlia”. É verdade, o maior hit dos Los Hermanos, muitas vezes não tocado ao vivo enquanto a banda ainda existia, foi aqui relembrado para grande surpresa de todos. Escusado será dizer que o público cantou a canção quase integralmente, Marcelo Camelo quase nem precisou de cantar. Mais uma tirada dos anos 90’s.

“Hey Nana” e “Mais Ninguém”, ou seja, os singles, foram tocados logo de início. “Sambinha Bom” acalmou os ânimos gerados por “Anna Júlia”, e “Dia Clarear”, a música mais acústica do seu primeiro disco, foi cantada num coro magistral. A atuação acabou com Mallu Magalhães dizendo que quer “Muitos Chocolates” só para si, naquela que é a canção mais bluesy da banda, fechando em altas o concerto.
Apesar da proximidade horária com o concerto principal do dia, o público não arredou pé e permaneceu por debaixo da pala até ao final da actuação. Os brasileiros Marcelo e Mallu estão cada vez mais dentro do coração dos portugueses e esta atuação provou isso mesmo.

Florence and the Machine foi a última artista a ter o papel principal de cabeça de cartaz, neste caso: o dia da enchente. Para além do antigo Pavilhão Atlântico estar a rebentar, Florence entra cheia de vida e a pulmão aberto para todos nós. A cantora preparava-se para fazer as delícias dos milhares ali presentes, de flores na cabeça e cartazes no ar. A correria descalça era imensa, bem como a adesão do público a não deixar Florence Welch cantar sozinha, e isso foi feito muito bem, não havia um tema que ficasse esquecido, nem mesmo os mais antigos. Toda a carreira de Florence foi exposta ali, recebida e retribuída com efusivas salvas de palmas, deixando-a, por vezes, espantada a olhar para o público, para a multidão ali em pé na plateia, em pé nas bancadas, nos balcões e em todo o lado.

Tudo ali brilhava e Florence transmitia uma luz inigualável. Tocou temas de Lungs, Ceremonials e ainda de How Gig, How Blue, How beautiful. Começou o set com “What the Water Gave Me”, seguindo-se de tantos outros hits como a recente “Ship to Wreck”, ou a mais antiga “Dog Days Are Over”. Entre correrias de palco e saltos para o fosso, coroações florais e ainda um ligeiro strip, a atuação da britânica fica marcada pela excelente capacidade de fazer tudo isto enquanto canta sem falhar uma única nota. Eximia no que faz, também o público foi exímio, ao gritar pelo encore, e ele apareceu. Mais de hora e meia de pulmões abertos, mais de hora e meia de braços no ar.

Uma atuação a compensar o cancelamento de há uns anos, que nos deixou mais ansiosos e mais sedentos disto, tendo terminado com a frenética “Kiss With a Fist”. Saímos ruivos e florais, também nós de pulmões abertos, mas de tanto tentar cantar como Welch.

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Ao mesmo tempo que Florence e a sua maquinaria exaltavam o palco principal, os Throes + The Shine revelaram-se autênticas máquinas de dispersão enérgica. O Palco Carlsberg com mais de metade da sua lotação por preencher, revelou-se pequeno demais para os agora quatro membros da banda.  Contando com público curioso e outros já conhecedores do seu trabalho, a banda, que chegou atrasada 15 minutos, fez esquecer quem afinal era o headliner daquele dia.

Com apenas 45 minutos disponíveis, quando a máquina pegou não mais parou. Ouviram-se muitas faixas novas, mais eletrónicas, e algumas antigas como o caso de “Hoje É Festa” e “Batida”. É de destacar o fantástico preenchimento de palco proporcionado pelo duo The Shine, que enquanto um dos membros canta, o outro dança ou vem “passear” para o meio do público. “Dombolo”, repetida no encore, já após o término do concerto da inglesa e com a plateia muito mais composta, mandou a casa a baixo. Pessoas a dançar, a saltar, às cavalitas… tudo o que era pedido aconteceu.

Se querem festa, os Throes + The Shine são a banda perfeita!

A música prosseguiu nas mãos e na mesa de Djeff Afrozila, DJ português, que tratou de passar o melhor do Afro-house remisturado com alguns êxitos dos anos 80 e 90. Ouviu-se “Show Me Love” e “Push The Feeling On”, algumas malhas dos Buraka Som Sistema, todas remisturadas de forma muito próxima do designado afro-house. O público não arredou pé e só saiu perto das 5 da manhã quando os seguranças os expulsaram do recinto.

Para trás ficam três dias muito bem passados num recinto renovado e muito bem frequentado.

 

Imagens de outros concertos:

 

 

Texto por Diogo Oliveira e Joana Brites
Fotografia por Hugo Adelino
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Por Diogo Alexandre / 23 Julho, 2015

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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