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Swans - Hard Club, Porto [8Out2017] Texto + Fotos

13 de Outubro, 2017 ReportagensJorge Alves

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Hard Club

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Os Swans, a mítica banda liderada pelo carismático Michael Gira, voltaram ao nosso país depois de uma passagem pelo NOS Primavera Sound para a despedida no atual formato - ou seja, com esta formação. No entanto, mesmo em regime de celebração do fim de uma era, a verdade é que não necessitamos de grandes razões para os ver – a música, e sobretudo a experiência avassaladora que é escutá-la ao vivo, é mais do que suficiente para justificar a nossa presença. Quem já teve a honra de ver estes senhores em palco sabe que os seus concertos são soberbos, e esta passagem não foi exceção. Durante duas horas e meia, Michael Gira e a sua endiabrada orquestra proporcionaram uma viagem de tal forma arrebatadora que ainda ficamos arrepiados quando pensamos em tudo o que vimos e sentimos nesta noite. O som, como já é habitual, estava elevadíssimo, adicionando (ainda) mais intensidade a um serão que já se previa ensurdecedor. Mesmo as passagens melódicas soaram pesadas neste contexto, e lentamente um colossal muro sonoro ia sendo erguido na sala principal do Hard Club. Cada nota revelava-se tão brutal como uma saraivada de balas, deixando-nos intimidados mas simultaneamente fascinados.

Gira fez novamente o papel de guia espiritual - um termo quiçá mais adequado do que maestro, já que o homem parece estar constantemente a receber inspiração de uma entidade sobrenatural para guiar eficazmente o seu ensemble. A sua postura é apaixonada e até irrequieta (expressa na maneira como decide ocasionalmente abanar freneticamente os braços) mas ao mesmo tempo reside ali uma certa melancolia, sobretudo quando o vemos a cantar de olhos fechados. Contudo, tal não é de admirar: os Swans são tão poderosos e caóticos no campo da emoção como a nível musical, e a interpretação da arte que produzem é, tanto para a banda como para o público, um momento catártico: saímos todos da sala absolutamente esgotados, mas com a alma purificada.

Poderá não ser fácil assistir a um concerto deste coletivo verdadeiramente singular, mas muito do charme está nesse desafio, na capacidade de aguentarmos, durante tanto tempo, algo tão devastador. Quem consegue “entrar” neste bizarro mas majestoso universo, todavia, nunca mais esquece o quão encantadora é esta experiência. Podemos já ter visto muitos concertos dos Swans, mas esta prestação – mesmo tendo tido, como era de esperar, um alinhamento bastante idêntico ao do Primavera - foi claramente especial.

A primeira parte foi assegurada por Baby Dee, artista que já colaborou com nomes como Antony Hegarty/Anohni ou Current 93, entre outros. O seu espetáculo, em que um sentido de humor excêntrico associa-se a uma folk desconcertante e de natureza experimental, não convenceu totalmente a audiência, ainda que não tenha sido mau. Talvez noutro local mais intimista resulte melhor, mas aqui não conseguiu ter o impacto desejável.

 

por
em Reportagens
fotografia Bruno Pereira

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