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SWR Barroselas Metalfest 22 [26-28Abr2019] Texto + Fotogalerias

16 de Maio, 2019 ReportagensJoão "Mislow" Almeida

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Bad Religion - Sala Tejo, Lisboa [15Mai2019] Foto-reportagem

Frankie Cosmos - Galeria Zé dos Bois, Lisboa [14Abr2019] Foto-reportagem
O muito aguardado fim de semana de peso chegara a Barroselas. Após um dia zero bem mexido com Grog a ganhar o concurso de bandas para ir até ao Wacken, na Alemanha, seguiram-se três dias de muita correria e pancadaria.

Depois das pulseiras, o nosso arranque foi já com os portugueses Analepsy no palco principal. A receção deu-se como um paredão sonoro estrondoso, com o slam a ser lei e a encarregar um tareão descomunal de início ao fim. A chegada dos germânicos Venenum emoldurou a atmosfera do black numa espinha dorsal reminiscente do death old school sem a banda carecer de qualquer inspiração para material verdadeiramente arrebatador e refrescante. Por falar em arrebatador, o set dos italianos Grime no segundo palco? Que estrondo! Em estúdio, a banda eleva-se a níveis de sludge completamente nojentos, mas ao vivo a proporção multiplica-se de forma assoladora.

De seguida, viram-se uns destemidos Midnight com força e transparência para levar o furacão do palco principal até às costas do recinto. Foram malhas como “Penetratal Ecstasy”, “Black Rock’n’Roll” e “You Can’t Stop Steel”, cujo refrão serviu de mote para o resto da edição do festival, que levaram o público ao puro caos. Este que chega agora à sua plena forma com circle pits, mosh interminável e muito movimento, promete manter o nível para a receção aos The Black Dahlia Murder. Os americanos, que já sofreram inúmeras mudanças de alinhamento, parecem só ter otimizado a sua entrega em palco. Apesar do arranque de som um pouco embrulhado nos primeiros instantes, este rapidamente se encarnou em grande forma e explosão. Os throwbacks ao clássico Nocturnal com “What A Horrible Night To Have A Curse” e “Everything Went Black” foram pontos altos indiscutíveis.

Os Godflesh justificaram com peso, mecânica e um alinhamento de luxo porque é que foram cabeças de cartaz indiscutíveis do primeiro dia de festival. Apesar da pouca afluência de público na receção a este colosso do industrial, comparando com os concertos precedentes, a dupla de Broadrick e G.C. Green entregou uma setlist que reverberou com clássicos, sem esquecer o mais recente Post-Self. Sublinha-se o esmagador fecho com “Like Rats”, que só ajudou a promulgar este dia num evento verdadeiramente inesquecível. Com os corpos já a ceder ao cansaço, só os mais fortes aguentam para a “after-party” no palco terciário. Acid Cannibals marcaram o nível de intensidade numa constante altitude. Míticos.

Analepsy, Morte Incandescente e Venenum

Grime, Midnight e Sublime Cadaveric Decomposition

The Black Dahlia Murder, Godflesh e Acid Cannibals


O segundo dia começou com o sol a pavimentar as ruas, mas dentro da tenda do festival havia sombra e boa música. Primeiro, estavam os britânicos Vacivus com o seu death puro a instaurar o nevoeiro e negridão, mesmo antes dos portugueses Namek subirem ao palco principal. A coisa foi voltando à forma habitual, mas o já familiar ambiente do festival parecia nunca adormecer. Seguiam-se os veteranos do death finlandês, Demilich, no palco principal. Apesar das frequentes paragens entre músicas, que de uma forma quebram sempre o ritmo, a banda mostra que a idade é só um número e a experiência continua bem oleada e mastigada. Dopelord marcaram o retorno do stoner/doom no segundo dia, e a afluência do público acentuou com a chegada destes. Enorme parede sonora, entrega e ambiente. É difícil ignorar as caras sorridentes e a contagiosidade com que o público reage aos riffs!

Apesar da já anunciada saída do vocalista, este não deixou de dar o litro em palco juntamente com os veteranos do death britânico, Benediction. A emanar energia como se fosse ar nos pulmões e a subjugar o público a sucessivas convulsões de ataque e peso, ninguém ficou indiferente a estes senhores. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo acerca de um dos nomes mais aguardados do festival, Imperial Triumphant. Com enorme potencial para ser o concerto do fim de semana, este acabou por afastar quase todo o seu público com as sucessivas falhas técnicas e o descontrolo total no PA. No entanto, é impossível obscurecer o talento e brutalidade musical por parte da banda. Kenny Grohowski é, de longe, um dos melhores bateristas da atualidade. Uma dica à organização para redimir o episódio, tragam-nos de novo. Mas em nome próprio.

De volta ao palco principal, os veteraníssimos Saint Vitus mostraram porque é que são, juntamente com Black Sabbath, Coven ou Pentagram, um dos precursores mais importantes do doom. Com Scott Reagers de volta e a entregar uma performance que desafia as físicas da idade, os californianos deram grande foco aos discos que contaram com a participação de Scott, sem nunca encontrarem obstáculos para convencer os mais dedicados a entranhar a alma e espírito de Saint Vitus. Como se a caminhada até aqui não tivesse sido memorável, brinda-se, agora em grupo, a testemunha em primeira mão de tamanhas lendas do heavy metal.

Summon, Vacivus e Namek

Demilich e Dopelord

Benediction e Imperial Triumphant

Saint Vitus e Ascension


Já encaminhado o terceiro e último dia do festival, Martelo Negro, que muito soam a Celtic Frost na era To Mega Therion, propuseram ao público um bom exercício de crust, punk e black. Um grande arranque. Mais tarde, viram-se uns americanos Crowhurst a desventrar as vísceras em plena SWR Arena à frente de pouco mais de 100 pessoas. Visceral faz pouca justiça à performance dos californianos, que ainda fecharam o concerto com uma improvável cover de Britney Spears. Arrojado!

Arkhon Infaustus subiram ao palco secundário para promover mais uma boa dose de black assombroso, mas aqui já todos estavam com a cabeça em Vomitory. Quer queiram quer não, os suecos continuam em forma e a devastar por onde quer que passem. Sem nunca desacelerar e amenizar a intensidade, este quarteto manteve postura, força e poderio sonoro sempre em grandes níveis. Pouco sobrou no recinto depois de tamanha demolição.

Os brasileiros Deafkids seguiram no palco secundário. Aqui, o já disperso público do Barroselas foi submetido a um intenso assalto aos sentidos. O d-beat trópico e helicoidal do trio de São Paulo fez tanto estrago espiritual quanto o cansaço ao fim do dia. A este ponto já ninguém aguentava em pé, mas já faltava pouco. Os suecos Craft subiram ao palco e, por coincidência com o cansaço, por admitidamente nunca terem tocado ao vivo antes deste novo disco entrar na fotografia, a verdade é que a banda pareceu estagnada e sem qualquer experiência ao vivo. Foi engraçado rever alguns clássicos imediatos de White Noise and Black Metal, mas fica a sensação de que faltou algo ao concerto. Nervosa e Serrabulho descarregaram a última réstia de energia daquele exausto público e garantiram que a festa no recinto principal acabasse em alta rotação.

Crowhurst, Arkhon Infaustus, Vomitory e Deafkids

Craft e Nervosa


Apesar dos cartazes de luxo e dos alinhamentos sempre de grande qualidade, todos reconhecem que a substância do festival vai muito além dos nomes de culto, dos clássicos imperdíveis ou das raridades atuais no avant-garde. Na verdade, o que faz do SWR o festival que é, passa pelas pessoas, pelas velhas, atuais e novas amizades que se criam no recinto, tal como o tão familiar ambiente. Não há carência de grandes concertos, o profissionalismo é constante no staff e não há falta de opções na comida e bebida. Apesar das pequenas falhas técnicas e do vagaroso mecanismo cashless nas pulseiras, há que sublinhar que quem lá vai uma vez, acaba por ir duas. E mais uma. E mais uma. Para o ano, aguarda-se o vigésimo terceiro Barroselas. Mesmo sem cartaz, não há como perder.
por
em Reportagens
fotografia Bruno Pereira

SWR Barroselas Metalfest 22 [26-28Abr2019] Texto + Fotogalerias
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