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SWR Barroselas Metalfest XXI [27-29Abr2018] Texto + Fotogalerias

28 de Maio, 2018 ReportagensFreitas

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SWR Barroselas Metalfest

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Colour Haze - Hard Club, Porto [19Mai2018] Foto-reportagem
O que define a SWR Barroselas Metalfest passa por muitas ideias e fatores que ultrapassam o senso materialístico de um festival. Por detrás do nome, está uma organização que ao longo destes mais de 20 anos, tem visado um foco especial num evento que se faz sentir familiar, aberto, eclético e acolhedor. Todos os anos assim o é e em 2018, não foi exceção. O ambiente é fulcral, repleto de reencontros de caras familiares, amizades e muito convívio. Acoplar tudo isso a uma viagem a um canto distante do país, uma vista rural e tudo isto por um objetivo, a música. E disso, os cartazes continuam a manter-se firmes na diversidade e com uma força individual de cada uma das propostas, sempre muito bem acertadas e calibradas, mesmo que pouco conhecidas.

O primeiro dia no SWR Arena começou com um nome nacional que tem ganho terreno no cenário doom do metal português, Oak! O duo consegue muito com tão pouco. Quem diria que simplificar as coisas de tal forma com guitarra e bateria, que resultaria numa acentuação tão forte em peso, emoção e atmosfera. De acompanhar. Logo se seguida atuaram ali os Placenta Powerfist, inaugurando o Pig Squeel e mesmo os circle pit no pequeno espaço disponível.

Com a entrada na tenda principal, o público viu-se imediatamente acompanhado pela renovada decoração do recinto. Saúda-se assim a aposta contínua da organização na componente visual e estética do festival, infelizmente considerada um fator supérfluo e secundário na maioria dos casos. À entrada para o palco Dungeon, o cheio a erva e iluminação verde denunciavam de imediato a dose de stoner que viria. Em palco estavam os suecos Firebreather prontos tocar. Com um som explosivo e muitos dos clichês típicos do género, a banda mostrou que às vezes nem é preciso inovar muito para se conseguir uma sonoridade cativante.

Oak e Placenta Powerfist

Firebreather e Vulvodynia

Todas as atuações que seguiram neste palco ao longo da noite, são claros exemplos de como a aposta em sonoridades desafiantes, densas e difíceis de digerir, continua a pavimentar o cartaz do festival em grande estilo. O sonoro emotivo e catártico dos australianos Départe foi mais do que digno para uma trilha sonora para o fim do mundo. Aqui está uma banda que tem toda a capacidade de desenvolver músicas envoltas em técnica, emoção e muita energia e densidade. Seja em forma de catarse ou em estado de negação total, estes australianos mereceram todos os aplausos que receberam. Logo após estes, uma chicotada aos sentidos por parte dos dinamarqueses Hexis, com o seu slow burning black metal. A descrição aparenta-se simples mas a densidade do peso e a frontalidade do vocalista são alguns dos elementos mais gritantes e game-changers nesta banda. Não há corpse-paint nem gimmicks para o foco do holofote. Interessa o barulho, o impacto e a martelada em todo o corpo.

No palco principal, testemunhou-se a imensa teatralidade na entrada dos Mortuary Drape. Tão cativante como uma pintura barroca ou procissão, os italianos levaram o público ao rubro com o seu black/death tão estrutural quanto diabólico. A acumular clássicos e claros favoritos numa atuação que hipnotizou os mais rendidos, e terá surpreendido quem ainda não os conhecia. Apesar de sonoros orquestrais não serem para qualquer um, os checos Master’s Hammer adoram-nos. Se calhar por essa mesma obsessão ou até por ser a sua estreia absoluta ao fim de décadas de existência, sentiu-se um público algo descontextualizado no centro desta atuação. Público certo? Maybe not, it happens.

Exhorder são o exemplo perfeito que a idade não passa de um número. Apesar de algumas dificuldades técnicas a meio do concerto, estes não se deixaram conter pela intensa descarga de energia que o thrash lhes proporciona. A começar antecipadamente e com uma relação incrível com o público, os americanos mostraram-se enérgicos e com muita pancadaria para distribuir. Grande regresso aos palcos e digressões.

Memorável foi também um dos últimos concertos da noite com os noruegueses Obliteration. O death metal é um estilo de altos e baixos, e é preciso composição de alta mestria e elevada visão para realmente convencer o público de Barroselas. O death complexo e sangrento, repleto de tempo-changes e variações sempre bem atempadas, sublinham os vocais sofridos e cavernosos de uma banda tão recente e que muitas lições tem dado às velhas gerações à muito obsoletas.

Départe, Mortuary Drape, Master's Hammer e Teethgrinder

Exhorder e Obliteration


De volta às masmorras da caverna para o segundo dia de festival, recomeçava-se o ritmo o grind visceral dos espanhóis Looking For An Answer no palco principal e com os thrashers brasileiros Flageladör a seguir no palco secundário. Mas foram as apostas nacionais que mais se destacaram no arranque de sábado, primeiramente com Gaerea e depois Process Of Guilt. Os cobertos Gaerea são uma das mais recentes bandas de black metal a mergulhar na análise do narcisismo e na obscuridade mental do niilismo. Lembrando nomes como Mgła, Misþyrming e Gevurah, estes portugueses conseguem uma identidade própria enquanto na procura do equilíbrio ideal entre dissonância, caos e melodia. Uma autêntica catarse de início ao fim.

No que toca aos Process Of Guilt, já se conhece a peça, e bem. Sendo uma das mais relevantes bandas portuguesas a tocar dentro e fora de território nacional, é sempre de esperar uma atuação que justifique esse hype. E este concerto aqui testemunhado serve de exemplo para todo o poderio sónico que estes eborenses possuem. São poucas as bandas de sludge/doom que abraçam o sufoco como autênticos rolos compressores. Muita intensidade e qualidade que, embora merecedora do palco principal, a claustrofobia da masmorra que potencializou na perfeição as qualidades desta banda ao vivo.

GAEREA + Process of Guilt

Seguindo o percurso natural para os cabeças de cartaz da noite, houve êxtase total com um dos lordes do black metal sueco, Nifelheim! Já existentes desde a década de 90, estes nórdicos sempre foram reconhecidos pela mistura quase demoníaca entre o speed e o black metal, misturando velocidade e sonoridades abrasivas com o negritude do simbolismo e do oculto. Loucura total.

Os veteranos nova-iorquinos, Suffocation mostraram-se mais do que à altura para responder às más línguas que tanto falaram do line-up atual da banda sem o eterno vocalista Frank Mullen. Mesmo não sendo a original, esta conseguiu impulsionar um som esmagador, cilindrando o público sem qualquer hesitação. Fincaram os seus famosos breakdowns, com clássicos intemporais da sua discografia a um público completamente dado a este assalto de brutal death.

Como última banda da noite no recinto principal, os Filii Nigrantium Infernalium conseguiram martelar os restantes pregos para o resto da noite. Danados, fudidos e bezanos como tudo, continuam a ser aquele símbolo no black metal português. Fazem-no com estilo, indiferença e com uma enorme caralhada para a obsessão religiosa em Portugal. Blasfémia, é com eles!

Nifelheim + Malignant Tumour

Suffocation + Filii Nigrantium Infernalium


Domingo. Começava mais um dia, e último, para esta edição do Barroselas Metalfest que tanta experiência positiva vinha proporcionado aos seus espectadores. Acabar em grande continua a fazer parte do legado do festival, e este 3º dia não podia ser exceção. Para além de oferecer um dos alinhamentos mais fortes, foi também o mais diverso. Começando pelos bascos Altarage, a retornarem a solo nortenho desde a sua estreia no Amplifest em 2016, estes continuam a hipnotizar públicos com o seu death metal abismal. Lembrando muitas vezes as tonalidades e dissonâncias dos Portal, os Altarage diferenciam-se por criarem um caos dentro das mudanças e progressões quase matemáticas de pedal duplo e riffs em frenesim. Tal como há dois anos atrás, não tiveram problemas de novo em levar o público do norte ao mais obscuro vórtice de destruição.

Logo a seguir, no palco Dungeon, era a vez de Irae, sempre bem acompanhado por um fanatismo absoluto na frente de plateia. Cru, pujante e puramente maldito. Mais tarde, ainda neste palco, Suma preparavam-se para restaurar a luz depois das trevas. Mesmo não parecendo integrar com toda a perfeição no alinhamento de nomes ao longo do dia, foi notória a reação que os abraçou com todo o carinho e dedicação. Todo esse tratamento foi devolvido com um intenso concerto e o som mais pulsante do dia, ficando mais do que claro de que este foi um dos mais cativantes espetáculos do fim-de-semana inteiro.

ALTARAGE, Black Panda e Dyscarnate

Irae, Agathocles e Suma

O fanatismo do black metal não terminou com Irae, pois no palco principal já estaria o cabedal e os espigões dos noruegueses Carpathian Forest mais do que prontos para castrar os sentidos e instalar caos total. Ainda assim não conseguiram impressionar um público que já tinha visto de tudo neste festival, ficando até aquém do Irae já tinha mostrado uns minutos antes. Ainda assim, o concerto manteve-se sempre ativo, devido em grande parte ao baixista que não parou de pedir apoio ao público ou às bolachas que o vocalista atirava aos fãs entre músicas, tendo ainda havido uma cover de “A Forest” dos The Cure.

Entre momentos de grande convívio, descanso e reflexão em relação a este fim-de-semana de muita música e peso, chegava a hora de os japoneses Church Of Misery pegaram nos cacos do pouco que sobrava da tenda principal. Se há um ponto final merecedor, é este. doom hipnotizante, riffs orelhudos, vibes a la Black Sabbath. Uma interação assinalável com a música, e uma entrega mais do que digna por parte de uma banda de estatuto lendário no underground.

Carpathian Forest e Church of Misery

E que palavras recolher depois de tudo isto? O corpo pede descanso, mas a mente anseia por mais. O SWR continua a ser o festival que todos valorizam por se focar nas coisas que realmente interessam. Ambiente, envolvimento, o senso de comunidade e família, uma aposta de mão cheia na música underground e uma escolha sempre estrondosa de nomes de muita qualidade no metal extremo. Nunca mudem.
por
em Reportagens
fotografia Bruno Pereira

SWR Barroselas Metalfest XXI [27-29Abr2018] Texto + Fotogalerias
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