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Symphony X @ Paradise Garage – Lisboa [28Fev2016] Texto + Fotos

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Foi num domingo frio e chuvoso que os Symphony X regressaram, pela terceira vez em cinco anos após a sua última passagem por Portugal, desta feita para uma data única em Lisboa, mais propriamente no Paradise Garage. E se há 5 anos, em Almada, o tempo não estava muito famoso, este ano também não foi exceção. No entanto, não foi isso que impediu a sala lisboeta de encher.

Chegamos à sala às 21h, entrando pouco tempo depois, mas já a primeira banda (Melted Space) tinha atuado. Desconhecíamos o facto de que os horários se tinham alterado e regimo-nos pelo que estava no bilhete, onde constava que os concertos começariam às 21h e não às 20h30.

No preciso momento em que nos posicionamos na sala, os Myrath sobem ao palco para mostrar ao público português que na Tunísia também se faz bom Rock, ou Metal. Com fortes influências orientais na sua música, o quinteto fez do curto concerto uma amostra do seu reportório mais recente, destacando Legacy, o seu último álbum, lançado já este ano. Os singles “Believer” e “Merciless Times”, que encerrou o concerto, tal como “Wide Shut” (também de Tales Of The Sands), foram fortemente entoados pelo público presente, o que provou que estes Myrath não são um fenómeno desconhecido em Portugal. A banda demonstrou um enorme à vontade em palco, espalhando sorrisos pelo Garage, acompanhados por uma interação experiente com o público: foram frequentes as tentativas de Zaher Zorgatti (vocalista) em falar português e a incitar os presentes aos “hey!” típicos nos concertos do género. Destaque também para a presença da dançarina portuguesa Kahina, convidada pela banda para “apimentar” duas músicas do alinhamento.

Um bom concerto que se revelou numa passagem vitoriosa pelo nosso país no dia em que a esposa de Zaher fazia anos. A prenda foi entregue tanto a nós (público português) como à feliz contemplada, e no final dos concertos era vermos todos os elementos da banda a falar e a tirar fotografias com os fãs. Bela atitude.

Fade out progressivo das luzes, “Overture” no sistema de som e Russell Allen, de óculos de sol espampanantes, entra em palco com os seus colegas para logo se lançar a “Nevermore”, “Underworld” (tema que dá título ao novo álbum) e “Kiss Of Fire” de seguida, malhões de aproximadamente 6 minutos cada, para só depois desta descarga energética se dirigir ao público pela primeira vez.

Underworld é um álbum conceptual, tal como é característico nos géneros mais progressivos do rock, e esta foi a noite em que ouvimos a sua história pela primeira vez, ao vivo e contada quase de enfreada pelos seus compositores originais. Apesar de maior parte do disco ter sido composto por Michael Romeo e Michael Lepond – guitarrista e baixista, respetivamente – foi Russell Allen (vocalista) que nos intervalos entre as canções nos narrou aprofundadamente aquilo que Underworld descrevia perante um silêncio arrebatador. De facto, este não foi propriamente o concerto indicado para os mais desinformados tentarem conhecer a banda, visto os Symphony X se terem debruçado praticamente apenas neste seu mais recente disco, tocando-o integralmente e já decorado e cantado em plenos pulmões pelos fãs old school que enchiam o Paradise Garage. Algo que nos chamou a atenção foi isso mesmo: uma plateia, constituída, essencialmente, por pessoas com mais de 30 anos de idade, envergando t-shirts de anteriores digressões dos Symphony X, desde os inícios dos 2000 até às mais recentes. À nossa frente encontrava-se mesmo um senhor envergando uma da tour mundial de 2002/2003, tournée essa que os trouxe pela primeira vez a Portugal (Porto) e que serviu de apresentação a um dos álbuns mais épicos da sua carreira: The Odyssey.

Segue-se mais uma explicação: a do rapaz que havia seguido o seu amor até ao submundo/inferno e se viu obrigado a tomar a decisão de seguir com a sua vida e desistir de a salvar, pois já nada poderia ser feito, encarando assim a dura realidade. Tudo isto contado por Russell, perante o mais respeitador dos silêncios que deixou o próprio cantor boquiaberto, antes de se lançar a “Swan Song”. “The Death Of Balance”, de The New Mythology Suite, terminou temporariamente a interpretação de Underworld e abriu as portas para as canções mais clássicas do grupo. “Out Of The Ashes”, que mostrou o quão exímio teclista é Michael Pinnella (só nos lembrávamos de Rick Wakeman) e “Sea Of Lies”, ambas de The Divine Wings Of Tragedy, encerraram o set regular.

O grupo volta para o encore, ainda com o público a entoar o refrão da música em plenos pulmões (“lieeeeeeeeesss”), discursa sobre os rumores que ditam que o Metal estaria a morrer, dizendo que o Metal está vivo e prova disso é o público de hoje, iniciando de seguida “Set The World On Fire”, a única resgatada de Paradise Lost. A banda regressa, novamente, a Underworld e termina tudo com a sua última canção: “Legend”, Despedindo-se do público português com um forte abraço e exibindo um enorme sorriso na cara, dizendo que fomos um dos melhores públicos da tour e garantindo que não dizem isto em todos os concertos.

Os Symphony X proporcionaram um concerto competente que não deixou ninguém insatisfeito mas que pecou pela qualidade de som da sala (algo que lhes é alheio, supomos), pois era difícil escutar os instrumentos com a nitidez exigida, e pela pouca diversidade do seu reportório. Analisando o concerto, percebemos que a banda veio ao nosso país apenas para apresentar o seu mais recente trabalho, sem quaisquer outras pretensões, o que deixou aqueles que queriam escutar os temas mais antigos de coração dividido. Cinco músicas “antigas” em 15 parece-nos pouco, no entanto isso não foi suficiente para não nos rendermos à entrega e paixão vivida no passado domingo. Vimos fãs e banda respeitando-se mutuamente e unidos pela mesma causa: a música. E quando isso acontece, corre sempre bem.

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Por Diogo Alexandre / 5 Março, 2016

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